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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — Avança SP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa673069
Banca
Avança SP
Órgão
Pref Cerquilho
Ano
2025
Cargo
GM ( )

Telefonema

 

Na redação do Diário de Notícias, há dois anos, fui chamado ao telefone às 23 horas. Uma voz de mulher que julguei reconhecer.

— José Carlos?

 

— Ele mesmo. Você está boa?

 

— Mais ou menos. Estou aqui na portaria do jornal. Será que você podia descer um instante?

 

Nesse momento, percebi que a voz não pertencia a quem eu pensava, e perguntei:

 

— Quem está falando?

 

— Ora, você sabe.

 

— Palavra de honra que não sei.

 

— Ora, José Carlos.

 

Quem seria? A voz indicava aflição.

 

— Ouça, eu estou falando a verdade — insisti. — Não sei quem é você. Talvez você esteja à procura de outra pessoa com o meu nome.

 

— José Carlos, preciso que você desça até aqui. Eu não pude entrar em casa e quero que você me dê a sua chave para eu ir para lá.

 

A coisa já estava ficando penosa. A mulher parecia desesperada. Tive medo de descer, embora nada tivesse na consciência que pudesse ser tido como culpa em relação a alguma mulher.

 

— Minha senhora — falei — eu vou desligar. Eu não sou a pessoa que a senhora está procurando.

 

— Por favor, José Carlos, não me faça uma coisa dessas…

 

Desliguei. Fiquei alguns minutos sem saber o que fazer. Descrevi o telefonema a um companheiro e pedi que me aconselhasse. “Que coisa estranha!”, disse ele apenas. Mais alguns minutos de hesitação e resolvi descer. Chegando ao térreo, encontrei apenas o porteiro, junto ao telefone pelo qual ela se comunicara comigo.

 

— Cadê aquela mulher que me telefonou? — perguntei.

 

— Ela saiu daqui correndo e chorando.

 

Por minha vez, saí correndo para a rua deserta e procurei-a em todas as direções. Inutilmente. E até hoje não compreendi o que se passou naquela noite.

 

OLIVEIRA, J. C. Telefonema. In: Caderno B, coluna “O

homem e a fábula”, Jornal do Brasil, 1963. Disponível em <https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/19277/telefonema>.

Leia o texto a seguir para responder à questão.

 

Analise as afirmações a seguir, com base no texto:

 

I. A mulher que procurava por José Carlos no telefone era sua esposa.

II. José Carlos não pôde identificar a quem pertencia a voz da mulher no telefone.

III. O conselho de seu amigo era o de que a situação fosse resolvida pelo porteiro do prédio.

 

É (são) verdadeira(s) apenas:

  1. A I.
  2. B II.
  3. CIII.
  4. D I e II.
  5. E II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — II.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Telefonema: Verdade ou Ficção?

Gabarito: letra B. Apenas a afirmação II é verdadeira, pois o texto mostra explicitamente que José Carlos não reconheceu a voz da mulher: "Nesse momento, percebi que a voz não pertencia a quem eu pensava". As demais afirmações (I e III) extrapolam o que está escrito, acrescentando informações que o texto não sustenta.

O Comando: Compreensão, não Inferência

O enunciado pede para analisar as afirmações com base no texto. Isso significa que devemos buscar informações explícitas ou, no máximo, inferências diretas (aquelas que o texto obriga a concluir). Não podemos usar conhecimento de mundo ou suposições. Cada afirmação deve ser testada: o texto autoriza esta conclusão? Se não, está errada.

O Texto: Um Diálogo Ambíguo

O texto narra um telefonema em que uma mulher insiste em chamar o narrador de "José Carlos", mas ele não a reconhece. O conflito central é justamente essa falta de identificação: ele pergunta várias vezes quem está falando, e ela não responde diretamente. O desfecho (a mulher sai correndo e chorando) mantém o mistério. A tese implícita é a estranheza e a incompreensão da situação.

A Técnica: Testando Cada Afirmação

A técnica é simples: para cada afirmação, pergunte "onde no texto está isso?". Se não houver passagem que sustente, a afirmação é extrapolação (acrescenta informação de fora) ou contradição (diz o oposto do texto). Vamos aplicar:

  • Afirmação I: O texto não diz que a mulher era esposa. Ela pede a chave para ir "para lá", mas não há vínculo conjugal. Isso é extrapolação.

  • Afirmação II: O texto diz explicitamente que ele não reconheceu a voz. Isso é recorrência (informação literal).

  • Afirmação III: O amigo apenas diz "Que coisa estranha!", não sugere envolver o porteiro. Isso é extrapolação.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A afirmação I é falsa porque o texto não estabelece que a mulher era esposa de José Carlos. Em nenhum momento há menção a casamento ou relação conjugal. A mulher pede a chave para ir "para lá", mas isso não implica vínculo matrimonial. A banca tenta fazer o candidato extrapolar a partir do pedido de chave, mas o texto não autoriza essa conclusão.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmação II é verdadeira porque o texto é explícito: "Nesse momento, percebi que a voz não pertencia a quem eu pensava". Além disso, ele pergunta "Quem está falando?" e insiste "Palavra de honra que não sei". Isso prova que ele não identificou a voz. É uma informação literal, de recorrência.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmação III é falsa porque o amigo de José Carlos não aconselhou envolver o porteiro. O amigo apenas reage com "Que coisa estranha!", sem dar qualquer conselho sobre o porteiro. A banca extrapola ao inventar um conselho que não existe no texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A afirmação I é falsa (como vimos), então a combinação I e II não pode ser correta. Apenas a II é verdadeira.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A afirmação III é falsa (como vimos), então a combinação II e III não pode ser correta. Apenas a II é verdadeira.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora extrapolar com fatos plausíveis que o texto não traz. Aqui, a I (esposa) e a III (conselho do porteiro) são invenções. A correta é a que está literalmente no texto.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de "verdadeira(s)", grife no texto a passagem que sustenta cada afirmação. Se não achar, a afirmação é falsa. Não use conhecimento de mundo.

Conclusão: Apenas a afirmação II é verdadeira, pois está explícita no texto. As demais extrapolam o conteúdo. Portanto, o gabarito é a letra B.

Gabarito: letra B

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