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Questão de Português — Elementos da Comunicação e Funções da Linguagem — Quadrix 2025

PortuguêsElementos da Comunicação e Funções da Linguagem
Código
qa673144
Banca
Quadrix
Órgão
CREFITO 13
Ano
2025
Cargo
AAdm (CREFITO13)

Texto para o item.

 

Como surgiu a Fisioterapia?

E qual deve ser o futuro da área?

 

De acordo com a história contada nos livros e na internet, a fisioterapia começou a se desenvolver no final do século 19. O primeiro registro de um profissional de fisioterapia veio por Per Henrik Ling, um sueco precursor da educação física, que fundou o Instituto Real Central da Ginástica, em Estocolmo, capital da Suécia, em 1813.

 

Mas há quem diga que a fisioterapia é tão antiga quanto o homem. O livro “Manual de Fisioterapia Respiratória com Ênfase em UTI e Covid‑19”, 2022, dos autores Rodrigo Guedes Boer e Tatiana Mascarenhas Nasser Aragone, explica que o surgimento ocorreu com as primeiras tentativas por parte dos “nossos ancestrais de diminuir uma dor esfregando o local dolorido. Com isso, o método foi evoluindo ao longo do tempo, com a sofisticação, principalmente, das técnicas de exercícios terapêuticos.”

 

Independentemente da antiguidade de seu surgimento, não há como negar que a fisioterapia tem evoluído de forma constante e significativa, sempre se adaptando às necessidades da sociedade e aos avanços tecnológicos e científicos. Nesse contexto, como pensar o futuro?

 

Não há dúvidas que o futuro será “analógico”. E essa ideia indica que, assim como o presente, o porvir dependerá muito da fisioterapia. Apesar de se viver um momento em que a tecnologia está ao redor, acredita‑se que, em qualquer época, as pessoas sempre sentirão vontade de estar juntas, de terem vida social, de serem independentes nas atividades diárias e de realizarem tudo o que envolve sentidos e interação.

 

E é justamente, nesse futuro analógico, que a Fisioterapia ganha ainda mais valor e sentido, pois (dentro do universo da saúde) nenhuma outra profissão consegue promover, de maneira tão clara e fácil, o resgate do ser humano dentro dessas necessidades. O fisioterapeuta é a bússola de condução à saúde integral.

 

O Fisioterapeuta é o profissional que oferece a melhor experiência sensorial ao paciente, devolvendo‑lhe funcionalidade, independência e dignidade – ingredientes comuns e básicos da felicidade.

 

Internet: <g1.globo.com> (com adaptações).

Pode‑se afirmar que, no texto, predomina a função conativa ou apelativa da linguagem, uma vez que a estrutura injuntiva orienta como serão os rumos da fisioterapia.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

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Função conativa × texto dissertativo-expositivo: a banca trocou o conceito

Gabarito: letra E (ERRADO). A afirmação está incorreta porque o texto não apresenta estrutura injuntiva nem predomina a função conativa/apelativa: trata-se de um texto dissertativo-expositivo, centrado no referente (a história e o futuro da fisioterapia), com predomínio da função referencial. A passagem que comprova é a pergunta retórica do 3º parágrafo: “Nesse contexto, como pensar o futuro?”, seguida de uma exposição de ideias (“Não há dúvidas que o futuro será ‘analógico’”), e não de ordens ou instruções ao leitor.

O comando: o que a banca pede

A questão é de interpretação de texto com foco em funções da linguagem. O enunciado afirma que “predomina a função conativa ou apelativa” e justifica dizendo que “a estrutura injuntiva orienta como serão os rumos da fisioterapia”. Para resolver, você precisa de dois conhecimentos: (1) o que caracteriza a função conativa e o texto injuntivo; (2) qual é a intenção predominante do texto. Não basta saber a definição — é preciso aplicá-la ao texto e verificar se as marcas linguísticas (imperativos, vocativos, 2ª pessoa) estão presentes.

O texto: dissertativo-expositivo, não injuntivo

O texto responde a duas perguntas: “Como surgiu a Fisioterapia?” e “E qual deve ser o futuro da área?”. Ele informa sobre a origem (século 19, Per Henrik Ling) e expõe uma opinião sobre o futuro (“o futuro será ‘analógico’”). Veja os trechos que comprovam o caráter expositivo:

“De acordo com a história contada nos livros e na internet, a fisioterapia começou a se desenvolver no final do século 19.”

“Não há dúvidas que o futuro será ‘analógico’.”

“O fisioterapeuta é a bússola de condução à saúde integral.”

Esses trechos informam e argumentam, mas não ordenam nem instruem o leitor a fazer algo. Não há verbos no imperativo (“faça”, “procure”, “consulte”), não há vocativos (“você”, “leitor”), não há 2ª pessoa do discurso. O texto fala sobre a fisioterapia, não com o leitor. A função predominante é a referencial, pois o foco está no contexto/assunto (a fisioterapia), e não no receptor.

A técnica: função conativa × função referencial

A função conativa (ou apelativa) tem como centro o receptor: o emissor busca persuadir, convencer ou orientar o interlocutor. Suas marcas típicas são:

  • verbos no imperativo (ex.: “compre”, “faça”, “consulte”);

  • pronomes e verbos em 2ª pessoa (tu/você);

  • vocativos (ex.: “amigo”, “leitor”);

  • perguntas diretas ao interlocutor.

Já a função referencial tem como centro o referente (o assunto): o texto busca informar objetivamente sobre a realidade. É a função típica de textos jornalísticos, científicos e expositivos.

O texto em questão pergunta (“como pensar o futuro?”), mas essa pergunta é retórica — serve para introduzir a exposição, não para interpelar o leitor. O autor expõe sua visão (“o futuro será analógico”, “a fisioterapia ganha ainda mais valor”), mas não ordena nada ao leitor. Portanto, a função conativa não predomina.

A pegadinha: confundir “orientar” com “injuntivo”

A banca usa a palavra “orienta” para tentar associar o texto à estrutura injuntiva. Mas “orientar” aqui tem sentido de direcionar o pensamento (expor uma direção futura), não de dar instruções (como uma bula ou manual). O texto não diz “faça isso”, “siga esses passos”. Ele apenas discorre sobre o futuro da profissão. A armadilha é clássica: trocar o conceito de função conativa (persuasão/ordem) por uma ideia vaga de “orientação”.

Funções da linguagem
  • 1Conativa/apelativa
    • Foco no receptor
    • Marcas: imperativo, vocativo, 2ª pessoa
    • Texto injuntivo (ordem/instrução)
  • 2Referencial
    • Foco no referente/assunto
    • Marcas: informação objetiva
    • Texto dissertativo-expositivo
  • 3No texto da questão
    • Não é injuntivo (sem imperativos)
    • Não predomina conativa
    • Predomina referencial (exposição)
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NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o conceito de função conativa (persuasão/ordem ao receptor) por “orientar rumos” — que é apenas expor uma direção. O texto não tem imperativos, vocativos nem 2ª pessoa; logo, não é injuntivo.

Conclusão

A afirmação está errada porque o texto é dissertativo-expositivo, com predomínio da função referencial, e não da conativa. A estrutura injuntiva (com ordens e instruções) não está presente. Para acertar questões assim, pergunte: “o texto manda o leitor fazer algo, ou apenas informa sobre algo?”. Se for o segundo caso, a função é referencial.

Gabarito: letra E (ERRADO).

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