Com base no texto e nos seus aspectos linguísticos, julgue o item a seguir. Nos versos “Não pense que a cabeça aguenta se você parar” e “Se é de batalhas que se vive a vida”, o vocábulo “se” exerce o mesmo papel semântico‑discursivo de condição em suas três ocorrências.
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GabaritoE — Errado
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O vocábulo "se" e seus múltiplos papéis semântico-discursivos
Gabarito: E (Errado). A afirmação de que o vocábulo "se" exerce o mesmo papel semântico-discursivo de condição em suas três ocorrências é falsa, pois apenas a segunda ocorrência ("Se é de batalhas que se vive a vida") é uma conjunção condicional. A primeira ("se você parar") também é condicional, mas a terceira ("que se vive a vida") é uma partícula apassivadora, que não estabelece condição alguma. Como se lê no texto: "Não pense que a cabeça aguenta se você parar" e "Se é de batalhas que se vive a vida" — a terceira ocorrência está em "que se vive a vida", onde o "se" indetermina o sujeito ou apassiva a forma verbal, sem valor de condição.
O comando
A questão pede um julgamento sobre o papel semântico-discursivo do vocábulo "se" em três ocorrências específicas. O comando "julgue o item" exige que você verifique se a afirmação é verdadeira ou falsa frente ao texto. Aqui, o foco não é a interpretação do sentido global da canção, mas a análise gramatical contextual de uma palavra polissêmica. É preciso identificar, em cada ocorrência, se o "se" introduz uma condição (conjunção condicional) ou se exerce outra função (partícula apassivadora, índice de indeterminação do sujeito, conjunção integrante, etc.).
O texto e o movimento argumentativo
A canção "Tente Outra Vez" é um texto de tom exhortativo, que incentiva o interlocutor a persistir. As ocorrências do "se" aparecem em contextos distintos:
"Não pense que a cabeça aguenta se você parar" — aqui, o "se" introduz uma hipótese (parar) que condiciona a consequência (a cabeça não aguentar). É uma conjunção condicional.
"Se é de batalhas que se vive a vida" — o primeiro "se" introduz uma condição (se a vida é feita de batalhas), sendo também conjunção condicional.
"que se vive a vida" — o segundo "se" da mesma frase é uma partícula apassivadora (ou índice de indeterminação do sujeito), pois transforma o verbo "viver" em voz passiva sintética: "a vida é vivida". Não há condição alguma.
Portanto, a afirmação de que as três ocorrências têm o mesmo papel é incorreta.
A técnica que decide
A palavra "se" é uma das mais polissêmicas da língua portuguesa. Para resolver a questão, é preciso aplicar o teste clássico de substituição:
Conjunção condicional: pode ser substituída por "caso" ou "no caso de". Ex.: "Não pense que a cabeça aguenta caso você pare." ✓
Partícula apassivadora: ocorre com verbo transitivo direto, e o sujeito paciente concorda com o verbo. Ex.: "vive-se a vida" → "a vida é vivida". O "se" não pode ser trocado por "caso".
Aplicando o teste:
Ocorrência
Substituição por "caso"
Função
"se você parar"
"caso você pare" ✓
Conjunção condicional
"Se é de batalhas"
"Caso seja de batalhas" ✓
Conjunção condicional
"que se vive a vida"
"que caso viva a vida" ✗
Partícula apassivadora
A terceira ocorrência não aceita a substituição, o que prova que não é condicional.
"Se" (polissemia)
1Conjunção condicional
"se você parar"
"Se é de batalhas"
2Partícula apassivadora
"que se vive a vida"
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Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C afirma que o item está Certo, ou seja, que as três ocorrências têm o mesmo papel condicional. Isso é falso. A terceira ocorrência, "que se vive a vida", é uma partícula apassivadora, que indica voz passiva sintética. O verbo "viver" é transitivo direto (viver algo), e o "se" apassiva a construção: "a vida é vivida". Não há nenhuma noção de condição ou hipótese. A alternativa contradiz o texto ao atribuir a todas as ocorrências o mesmo valor, ignorando a função sintática da terceira.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa E afirma que o item está Errado, e é exatamente isso. As três ocorrências não têm o mesmo papel: as duas primeiras são conjunções condicionais, mas a terceira é partícula apassivadora. A banca explora a polissemia do "se", testando se o candidato sabe diferenciar a conjunção condicional da partícula apassivadora. A resposta correta é E (Errado).
NÃO CAIA NESSA!
A banca arma uma armadilha clássica de troca de termo: o candidato vê duas ocorrências claramente condicionais e assume que a terceira também é, sem reparar que "se vive" é voz passiva sintética. O teste de substituição por "caso" resolve na hora.
PEGA ESSA DICA!
Ao encontrar o "se", pergunte: "posso trocar por 'caso'?" Se sim, é condicional. Se não, teste se o verbo é transitivo direto (partícula apassivadora) ou se o "se" é parte do verbo (verbo pronominal). Esse teste elimina 90% das dúvidas.