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Questão de Português — Tipologia e Gênero Textual — Avança SP 2025

PortuguêsTipologia e Gênero Textual
Código
qa673345
Banca
Avança SP
Órgão
Pref Cerquilho
Ano
2025
Cargo
Aux Escr (Cerquilho)

A velha contrabandista

 

Diz que era uma velhinha que sabia andar de lambreta. Todo dia ela passava pela fronteira montada na lambreta, com um bruto saco atrás da lambreta. O pessoal da alfândega – tudo malandro velho – começou a desconfiar da velhinha.

 

Um dia, quando ela vinha na lambreta com o saco atrás, o fiscal da alfândega mandou ela parar. A velhinha parou e então o fiscal perguntou assim pra ela:

 

– Escuta aqui, vovozinha, a senhora passa por aqui todo dia, com esse saco aí atrás. Que diabo a senhora leva nesse saco?

 

A velhinha sorriu com os poucos dentes que lhe restavam e mais os outros, que ela adquirira no odontólogo, e respondeu:

– É areia!

 

Aí quem sorriu foi o fiscal. Achou que não era areia nenhuma e mandou a velhinha saltar da lambreta para examinar o saco. A velhinha saltou, o fiscal esvaziou o saco e dentro só tinha areia. Muito encabulado, ordenou à velhinha que fosse em frente. Ela montou na lambreta e foi embora, com o saco de areia atrás.

 

Mas o fiscal ficou desconfiado ainda. Talvez a velhinha passasse um dia com areia e no outro com muamba, dentro daquele maldito saco. No dia seguinte, quando ela passou na lambreta com o saco atrás, o fiscal mandou parar outra vez. Perguntou o que ela levava no saco e ela respondeu que era areia, uai! O fiscal examinou e era mesmo.

 

Durante um mês seguido o fiscal interceptou a velhinha e, todas as vezes, o que ela levava no saco era areia.

 

Diz que foi aí que o fiscal se chateou:

 

– Olha, vovozinha, eu sou fiscal de alfândega com quarenta anos de serviço. Manjo essa coisa de contrabando pra burro. Ninguém me tira da cabeça que a senhora é contrabandista.

 

– Mas no saco só tem areia! – insistiu a velhinha.

 

E já ia tocar a lambreta, quando o fiscal propôs:

 

– Eu prometo à senhora que deixo a senhora passar. Não dou parte, não apreendo, não conto nada a ninguém, mas a senhora vai me dizer: qual é o contrabando que a senhora está passando por aqui todos os dias?

 

– O senhor promete que não “espaia”? – quis saber a velhinha.

 

– Juro – respondeu o fiscal.

 

– É lambreta.

PONTE PRETA, Stanislaw. A velha

contrabandista. Disponível em <https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/16801/a-velha-contrabandista>.

Leia o texto a seguir para responder à questão.

 

Em relação ao texto “A velha contrabandista”, é correto afirmar que se trata predominantemente de uma:

  1. Anarração em que dois personagens principais mantêm um diálogo de maneira extremamente formal.
  2. Bnarração em que dois personagens principais mantêm um diálogo de maneira bastante informal.
  3. Cdescrição em que a personagem central apresenta as características do contrabando no mundo atual.
  4. Ddescrição em que um dos personagens apresenta as características de um bom fiscal de alfândega.
  5. Edissertação em que o autor discute os dois lados de quem está envolvido com atividades de contrabando.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — narração em que dois personagens principais mantêm um diálogo de maneira bastante informal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tipologia e registro em "A velha contrabandista"

Gabarito: letra B. O texto é predominantemente uma narração — conta uma história com personagens, tempo, espaço e sequência de ações — e o diálogo entre a velhinha e o fiscal é bastante informal, como se vê em passagens como "Escuta aqui, vovozinha" e "uai!". A alternativa B é a única que acerta os dois eixos: tipo textual (narração) e registro (informal).

O comando pede que você identifique a tipologia predominante e o nível de formalidade do diálogo. Isso exige, primeiro, reconhecer a intenção do texto: narrar um fato (a suspeita do fiscal e o desfecho com a revelação "É lambreta"), e não descrever estaticamente ou dissertar sobre um tema. Depois, observar as marcas linguísticas do diálogo: vocabulário coloquial, expressões populares e construções típicas da fala.

O texto é uma crônica narrativa: há personagens (a velhinha e o fiscal), enredo (a suspeita, as revistas diárias, a proposta do fiscal), tempo ("Todo dia", "Durante um mês seguido") e espaço (a fronteira). Os verbos no pretérito — "passava", "mandou", "perguntou", "respondeu" — confirmam o relato de ações. O diálogo é o coração da narrativa e está repleto de informalidade: "vovozinha", "uai", "espaia", "manjo essa coisa de contrabando pra burro".

A técnica para resolver: pergunte-se qual é a intenção dominante do autor. Se ele quer contar uma história (com progressão temporal e conflito), é narração. Se quisesse caracterizar alguém ou algo (sem avanço no tempo), seria descrição. Se quisesse convencer ou expor ideias, seria dissertação. Aqui, a intenção é claramente narrar — e o diálogo, informal.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura dois critérios (tipologia e registro) e ainda oferece iscas que tangenciam o tema (contrabando, fiscal). Não se deixe levar pelo assunto: o que importa é a forma e a intenção do texto.

Tipologia textual
  • 1Narração
    • Personagens
    • Enredo
    • Tempo
    • Espaço
    • Verbos no pretérito
  • 2Descrição
    • Caracteriza sem avanço no tempo
  • 3Dissertação
    • Defende tese
  • 4Registro do diálogo
    • Informal
      • "Vovozinha"
      • "Uai!"
      • "Espaia"
    • Formal
      • Vocabulário rebuscado
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Erra ao dizer que o diálogo é "extremamente formal". O texto é o oposto: o fiscal chama a velhinha de "vovozinha" e ela responde "uai!", "espaia" — marcas claras de coloquialidade. Contradiz o texto.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Narração: há personagens, enredo, tempo, espaço e verbos no pretérito ("passava", "mandou", "perguntou"). Diálogo informal: "Escuta aqui, vovozinha", "uai!", "espaia", "manjo pra burro". A alternativa sintetiza exatamente o que o texto apresenta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erra na tipologia (não é descrição) e no conteúdo: o texto não apresenta "características do contrabando no mundo atual" — não há nenhuma discussão sobre o contrabando contemporâneo. Tangencia o tema (fala de contrabando, mas não do que o texto aborda).

Alternativa D — ❌ Incorreta

Também erra na tipologia (não é descrição) e no conteúdo: o texto não caracteriza "um bom fiscal de alfândega" — o fiscal é retratado como desconfiado e, no fim, enganado, mas não há uma descrição de suas qualidades profissionais. Tangencia o tema.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erra na tipologia (não é dissertação) e no conteúdo: o autor não "discute os dois lados" de quem está envolvido com contrabando; ele apenas narra uma história com desfecho irônico. Contradiz o texto (não há debate argumentativo).

Conclusão: a questão testa se você sabe diferenciar narração de descrição e dissertação e reconhecer o registro informal do diálogo. A única alternativa que acerta os dois critérios é a B.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar a tipologia, pergunte: "o texto conta uma história?" Se sim, é narração. "Descreve algo sem avanço no tempo?" Descrição. "Defende uma tese?" Dissertação. E para o registro, observe vocabulário e construções: "uai", "vovozinha", "espaia" = informal.

Gabarito: letra B

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