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Questão de Português — Crase — FUNDATEC 2025

PortuguêsCrase
Código
qa673384
Banca
FUNDATEC
Órgão
DPE SC
Ano
2025
Cargo
Ana Jur ( )

O papel da Defensoria Pública como instrumento de efetivação do acesso à justiça dos vulneráveis

 

Por César Augusto Luiz Leonardo e Aline Buzete Gardinal

 

A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 assegura, em seu art. 5º, inciso XXXV, o acesso à justiça como expressão do princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional (ou direito de ação), enunciando que “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça de direito”. A efetivação de tal garantia diante de uma sociedade fragmentada e fragilizada, com a existência de pessoas vulneráveis e grupos minoritários com especiais dificuldades e entraves para obter guarida jurisdicional, é a preocupação que move o presente estudo, por meio de uma pesquisa doutrinária e jurisprudencial a respeito do papel da Defensoria Pública no sistema jurídico brasileiro, como aquela instituição legitimada a dar voz aos hipossuficientes. Vislumbra-se a necessidade de uma verdadeira “revolução democrática”, e o protagonismo da Defensoria Pública nesse jogo, a fim de dar equilíbrio .......... disputas judiciais envolvendo vulneráveis, é o que se coloca em questão.

 

Evidente que, conquanto ainda muito atual, a luta pelo acesso à justiça ao alcance de todos encontra no Direito Canônico uma das principais referências históricas, pois, iluminado pelos valores cristãos, trouxe a figura dos advocati pauperum, que tinha como finalidade atender as pessoas carentes de recursos, as viúvas e os órfãos, de modo que tais figuras se tornaram precursores da assistência judiciária.

 

Nota-se que, nos séculos XVIII e XIX, a solução dos conflitos civis refletia a individualização do Direito, partindo-se da compreensão de que não cabia ao Estado sua intervenção ou preservação, destacando sua posição passiva na solução dos litígios – é dizer: o Estado não estava preocupado com a incapacidade de muitos em se utilizar da justiça e de suas instituições simplesmente por não terem condições de arcar com seus custos.

 

O denominado Estado Liberal tinha um forte assento individual e não intervencionista, uma vez que se baseava na premissa de que todos os seres humanos nascem iguais, devendo desenvolver suas potencialidades cujo aproveitamento, basicamente, posicionava-os na sociedade.

 

Já, no século XX, com a evolução e o crescimento das sociedades, em especial a partir da Primeira Guerra Mundial, tal modelo foi perdendo espaço nos países mais desenvolvidos, de forma que a visão individualista dos direitos foi ficando para trás. Entretanto, referindo-se ao princípio do século passado tanto na Áustria quanto na Alemanha, Boaventura Santos faz referências .......... frequentes “denúncias das discrepâncias entre a procura e a oferta de justiça”.

 

No Brasil, a Constituição Federal de 1988, influenciada por movimentos europeus de direitos sociais e pelo conhecido Welfare State (Estado do Bem-Estar Social), inaugurou um novo modelo de Estado, buscando .......... real efetivação de direitos fundamentais, sejam eles individuais ou coletivos, bem como a efetivação dos direitos sociais – reconhece-se que a função básica do Estado é, além de promover o crescimento econômico, assegurar a proteção dos cidadãos mais desfavorecidos.

 

Esse novo modelo de Constituição originou-se de uma mobilização da sociedade brasileira em busca da democracia, a qual tinha por objetivo efetivar os direitos fundamentais, entre os quais merece destaque o direito de acesso à justiça.

 

Atualmente, a partir do atual estágio de desenvolvimento do Estado Democrático de Direito, sobretudo diante do fenômeno da judicialização da política e das relações sociais, evidencia-se o protagonismo do Poder Judiciário, de modo que o processo judicial passa a ser visto como um instrumento privilegiado de participação política e de exercício da cidadania, e, com efeito, a lei não pode ser vista apenas sob um enfoque estático, de regramento e disciplina destinado a manter o status quo, mas também passa a exercer importante função transformadora, de inegável influência na realidade social.

 

(Disponível em: https://www.portaldeperiodicos.idp.edu.br/direitopublico/

article/view/3527 – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o emprego do acento indicativo de crase, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas pontilhadas das linhas.
  1. Aàs – as – à
  2. Bàs – às – à
  3. Cas – às – a
  4. Dàs – às – a
  5. Eas – as – à
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — às – às – a

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase: preposição + artigo/pronome — Gabarito: letra D.

Gabarito: letra D. A sequência correta é às – às – a: na primeira lacuna, "dar equilíbrio às disputas" (preposição "a" exigida por "dar" + artigo "as"); na segunda, "faz referências às frequentes denúncias" (preposição "a" exigida por "fazer referência a" + artigo "as"); na terceira, "buscando a real efetivação" (verbo "buscar" é transitivo direto, sem preposição, logo sem crase). A alternativa D é a única que combina esses três casos.

O comando

A questão pede que você preencha as lacunas com o acento indicativo de crase. Isso é uma tarefa de gramática aplicada ao texto: não basta decorar regras soltas — é preciso analisar, em cada lacuna, se há a fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a/as" (ou com pronome demonstrativo/relativo). O verbo que antecede cada lacuna é a chave: ele determina se há preposição exigida.

O texto e as lacunas

O texto trata do papel da Defensoria Pública na efetivação do acesso à justiça. As três lacunas estão em trechos específicos:

  1. "dar equilíbrio .......... disputas judiciais" — quem dá, dá algo a alguém. O verbo "dar" é transitivo direto e indireto: exige preposição "a" para o objeto indireto. Como "disputas" é feminino plural e admite artigo "as", temos preposição + artigo = às.

  1. "faz referências .......... frequentes denúncias" — a locução "fazer referência a" exige preposição "a". O termo "denúncias" é feminino plural e admite artigo "as", logo preposição + artigo = às.

  1. "buscando .......... real efetivação" — o verbo "buscar" é transitivo direto, ou seja, não exige preposição. O termo "efetivação" é feminino singular, mas sem preposição não há crase: fica apenas o artigo a.

A regra que decide

Crase é a fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a/as" ou com o "a" inicial de pronomes demonstrativos (aquele, aquela, aquilo) e relativos (a qual, as quais). Para saber se há crase, faça o teste:

  • Substitua o termo feminino por um masculino equivalente. Se aparecer "ao", há crase; se aparecer apenas "o", não há.

    • Ex.: "dar equilíbrio às disputas" → "dar equilíbrio aos conflitos" (aparece "aos", logo crase).

    • Ex.: "buscando a real efetivação" → "buscando o real cumprimento" (aparece "o", sem "ao", logo sem crase).

Esse teste é infalível e resolve a questão sem decoreba.

Análise das alternativas

  1. 1Verbo exige preposição a?
  2. 2Termo admite artigo a/as?
  3. 3Substituir por masculino
  4. 4Apareceu 'ao'? → crase
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A sequência às – as – à erra na segunda lacuna: "faz referências as frequentes denúncias" está sem crase, mas a locução "fazer referência a" exige preposição, e "denúncias" admite artigo. O correto é às. Além disso, a terceira lacuna "buscando à real efetivação" está com crase indevida, pois "buscar" é transitivo direto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A sequência às – às – à erra na terceira lacuna: "buscando à real efetivação" tem crase, mas não há preposição exigida pelo verbo "buscar". O correto é apenas a (artigo).

Alternativa C — ❌ Incorreta

A sequência as – às – a erra na primeira lacuna: "dar equilíbrio as disputas" está sem crase, mas o verbo "dar" exige preposição "a" para o objeto indireto. O correto é às.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A sequência às – às – a está correta: primeira lacuna com crase (preposição + artigo), segunda com crase (preposição + artigo), terceira sem crase (verbo transitivo direto).

Alternativa E — ❌ Incorreta

A sequência as – as – à erra na primeira e na segunda lacunas (faltou crase) e na terceira (crase indevida).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o "a" preposição (sem crase) e o "a" artigo (com crase), especialmente em verbos que podem ser transitivos diretos ou indiretos. O teste do masculino resolve: se aparecer "ao", há crase; se aparecer "o", não.

PEGA ESSA DICA!

Antes de marcar, identifique a regência do verbo: "dar" e "fazer referência a" pedem preposição; "buscar" não pede. Depois, verifique se o termo seguinte admite artigo feminino.

Gabarito: letra D

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