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Questão de Português — Figuras de Linguagem — FUNDATEC 2025

PortuguêsFiguras de Linguagem
Código
qa673435
Banca
FUNDATEC
Órgão
DPE SC
Ano
2025
Cargo
Ana Jur ( )

O papel da Defensoria Pública como instrumento de efetivação do acesso à justiça dos vulneráveis

 

Por César Augusto Luiz Leonardo e Aline Buzete Gardinal

 

A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 assegura, em seu art. 5º, inciso XXXV, o acesso à justiça como expressão do princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional (ou direito de ação), enunciando que “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça de direito”. A efetivação de tal garantia diante de uma sociedade fragmentada e fragilizada, com a existência de pessoas vulneráveis e grupos minoritários com especiais dificuldades e entraves para obter guarida jurisdicional, é a preocupação que move o presente estudo, por meio de uma pesquisa doutrinária e jurisprudencial a respeito do papel da Defensoria Pública no sistema jurídico brasileiro, como aquela instituição legitimada a dar voz(I) aos hipossuficientes. Vislumbra-se a necessidade de uma verdadeira “revolução democrática”, e o protagonismo da Defensoria Pública nesse jogo, a fim de dar equilíbrio às disputas judiciais envolvendo vulneráveis, é o que se coloca em questão.

 

Evidente que, conquanto ainda muito atual, a luta pelo acesso à justiça ao alcance de todos encontra no Direito Canônico uma das principais referências históricas, pois, iluminado(II) pelos valores cristãos, trouxe a figura dos advocati pauperum, que tinha como finalidade atender as pessoas carentes de recursos, as viúvas e os órfãos, de modo que tais figuras se tornaram precursores da assistência judiciária.

 

Nota-se que, nos séculos XVIII e XIX, a solução dos conflitos civis refletia a individualização do Direito, partindo-se da compreensão de que não cabia ao Estado sua intervenção ou preservação, destacando sua posição passiva na solução dos litígios – é dizer: o Estado não estava preocupado com a incapacidade de muitos em se utilizar da justiça e de suas instituições simplesmente por não terem condições de arcar com seus custos.

 

O denominado Estado Liberal(III) tinha um forte assento individual e não intervencionista, uma vez que se baseava na premissa de que todos os seres humanos nascem iguais, devendo desenvolver suas potencialidades cujo aproveitamento, basicamente, posicionava-os na sociedade.

 

Já, no século XX, com a evolução e o crescimento das sociedades, em especial a partir da Primeira Guerra Mundial, tal modelo foi perdendo espaço nos países mais desenvolvidos, de forma que a visão individualista dos direitos foi ficando para trás. Entretanto, referindo-se ao princípio do século passado tanto na Áustria quanto na Alemanha, Boaventura Santos faz referências às frequentes “denúncias das discrepâncias entre a procura e a oferta de justiça”.

 

No Brasil, a Constituição Federal de 1988, influenciada por movimentos europeus de direitos sociais e pelo conhecido Welfare State (Estado do Bem-Estar Social), inaugurou um novo modelo de Estado, buscando a real efetivação de direitos fundamentais, sejam eles individuais ou coletivos, bem como a efetivação dos direitos sociais – reconhece-se que a função básica do Estado é, além de promover o crescimento econômico, assegurar a proteção dos cidadãos mais desfavorecidos.

 

Esse novo modelo de Constituição originou-se de uma mobilização da sociedade brasileira em busca da democracia, a qual tinha por objetivo efetivar os direitos fundamentais, entre os quais merece destaque o direito de acesso à justiça.

 

Atualmente, a partir do atual estágio de desenvolvimento do Estado Democrático de Direito, sobretudo diante do fenômeno da judicialização da política e das relações sociais, evidencia-se o protagonismo do Poder Judiciário, de modo que o processo judicial passa a ser visto como um instrumento privilegiado de participação política e de exercício da cidadania, e, com efeito, a lei não pode ser vista apenas sob um enfoque estático, de regramento e disciplina destinado a manter o status quo, mas também passa a exercer importante função transformadora, de inegável influência na realidade social.

 

(Disponível em: https://www.portaldeperiodicos.idp.edu.br/direitopublico/

article/view/3527 – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o emprego de linguagem figurada, analise as assertivas a seguir:

 

I. A expressão “dar voz”, na linha, é empregada em sentido literal.

 

II. Na linha, a palavra “iluminado” foi empregada em sentido metafórico.

 

III. Na linha, a expressão “Estado Liberal” foi empregada numa hipérbole.

 

Quais estão corretas?

  1. AApenas I.
  2. BApenas II.
  3. CApenas I e II.
  4. DApenas I e III.
  5. EApenas II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Apenas II.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Figuras de linguagem: sentido literal, metáfora e hipérbole

Gabarito: letra B. Apenas a assertiva II está correta: a palavra "iluminado" foi empregada em sentido metafórico (conotativo), pois não se refere à luz física, mas à influência dos valores cristãos. A assertiva I está errada, pois "dar voz" é expressão figurada (metonímia), e a III está errada, pois "Estado Liberal" é denotação (sentido próprio), não hipérbole.

O comando

A questão pede que você analise o emprego de linguagem figurada em três trechos do texto. Isso significa que você deve identificar se cada expressão foi usada em sentido literal (denotativo) ou figurado (conotativo) e, se figurado, qual figura de linguagem foi empregada. O comando não pede interpretação de ideias, mas reconhecimento de recursos expressivos — tarefa de semântica aplicada ao texto.

O texto

O texto trata do papel da Defensoria Pública na efetivação do acesso à justiça. No primeiro parágrafo, o autor afirma que a Defensoria é a instituição "legitimada a dar voz aos hipossuficientes". No segundo parágrafo, ao falar do Direito Canônico, diz que ele foi "iluminado pelos valores cristãos". No terceiro parágrafo, menciona o "denominado Estado Liberal". Essas três expressões são o alvo da questão.

A técnica

Para resolver, você precisa dominar três conceitos:

  • Denotação: sentido literal, próprio, de dicionário. Ex.: "O sol ilumina o dia".

  • Conotação: sentido figurado, simbólico, que depende do contexto. Ex.: "Ele iluminou minha vida" (não é luz física).

  • Metáfora: comparação implícita, sem conectivo, em que uma palavra é usada fora do seu sentido básico. Ex.: "Ela é uma flor" (não é literalmente uma flor).

  • Hipérbole: exagero intencional para enfatizar uma ideia. Ex.: "Estou morrendo de fome" (não é literal).

Agora, aplique cada conceito ao texto:

  • "dar voz": No texto, "dar voz" significa dar oportunidade de expressão, representar os hipossuficientes. Não é o ato físico de emitir som. Portanto, é figurado (conotativo). Mais especificamente, é uma metonímia (a voz representa a capacidade de reivindicar, de ser ouvido). Assertiva I errada.

  • "iluminado": No texto, "iluminado pelos valores cristãos" não significa que o Direito Canônico recebeu luz física, mas que foi influenciado, orientado por esses valores. É uma metáfora (a luz representa o conhecimento, a orientação). Assertiva II correta.

  • "Estado Liberal": No texto, "Estado Liberal" é um conceito histórico e político — refere-se a um modelo de Estado não intervencionista. É usado em sentido próprio, denotativo. Não há exagero, não é hipérbole. Assertiva III errada.

Figuras de linguagem
  • 1Denotação (sentido literal)
    • Estado Liberal (termo técnico)
  • 2Conotação (sentido figurado)
    • Metáfora
      • "iluminado" (influência de valores)
    • Metonímia
      • "dar voz" (oportunidade de expressão)
  • 3Hipérbole (exagero)
    • Não presente no texto
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que apenas I está correta. Erro: a assertiva I é falsa, pois "dar voz" é figurado. Além disso, a assertiva II é verdadeira, então a combinação está errada.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que apenas II está correta. Correto: a assertiva II é verdadeira ("iluminado" é metáfora), e as assertivas I e III são falsas. É a única combinação que reflete a análise correta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que I e II estão corretas. Erro: a assertiva I é falsa ("dar voz" é figurado), então a combinação está errada.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que I e III estão corretas. Erro: ambas são falsas (I é figurada, III é denotativa), então a combinação está errada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que II e III estão corretas. Erro: a assertiva III é falsa ("Estado Liberal" é denotativo, não hipérbole), então a combinação está errada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre sentido literal e figurado. "Dar voz" parece literal (falar), mas no contexto é figurado. "Estado Liberal" parece um exagero, mas é um termo técnico denotativo.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar figuras de linguagem, pergunte: "Isso pode ser interpretado literalmente?" Se não, é figurado. Depois, identifique a figura: metáfora (comparação implícita), metonímia (substituição por relação de proximidade), hipérbole (exagero).

Gabarito: letra B.

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