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Questão de Português — Crase — FUNDATEC 2025

PortuguêsCrase
Código
qa673465
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC
Ano
2025
Cargo
Adv ( )

A arte de ver o outro

 

Por Gilmar Marcílio

 

Estamos perdendo consideravelmente a capacidade de estabelecer relações de acolhimento e amor. Acho triste, pois precisamos desses dois sentimentos para abraçar com a alma aquele que está próximo de nós. Porém, há algo ainda a ser feito para sustentar esses pilares emocionais. Chegamos até aqui pela persistência em colaborar. E nessa palavra está embutido um longo trajeto de renúncia ao egoístico ato de se colocar em primeiro lugar. Talvez você se pergunte: como será verdade se as pessoas estão cada vez mais pensando só em si mesmas? Acredito ser um sintoma temporário: creio que vamos nos exaurir de tanta individualidade. A história é pendular. Ora aqui, ora acolá. Só após, o equilíbrio, também provisório.

 

Ninguém é autossuficiente o bastante para precindir de uma rede de apoio. Qualquer existência está intrinsecamente ligada       demais. A ruptura desses elos pode significar o nosso fim como espécie. No entanto, vejo sinais alentadores. Há muitos movimentos de solidariedade, largos gestos promovendo a salvação quando somos atingidos por uma tragédia ambiental, por exemplo. É comovente acompanhar tanta gente mobilizando-se em busca de uma solução ao se depararem com comunidades que passaram por grandes perdas. Dá-se a isso o nome de empatia.

 

Penso na magnífica arte da conversação. Vêm-me       mente os diálogos socráticos, nos quais cada interlocutor apresenta seus pontos de vista e é acolhido pelo grupo       despeito de eventuais divergências. Investigar diversas visões de mundo é multiplicar as experiências, pois nos deslocamos para um local (imaginário) diferente do nosso. O narcísico não gosta dessa prática e exatamente por isso deve-se insistir nesse propósito. Como é possível fazê-lo com eficiência? Depois das triviais perguntas “olá, tudo bem, como está?”, nos despirmos um pouco da autorreferência. É o início de ricos encontros que geralmente desaguam em divagações filosóficas, transcendendo a banalidade do dia a dia. A inteligência é altamente sedutora, compete com os atrativos físicos. E há o fato de, com a passagem do tempo e o aprofundamento dos contatos, sempre termos o que acrescentar no diálogo com o amigo, o colega, o vizinho. Ver com paixão quem está ao lado é estabelecer uma ligação próxima ao princípio religioso de unicidade.

 

Conta-se que certas tribos indígenas, conhecidas por suas admiráveis criações artísticas, nunca assinam as peças produzidas. Para eles, a glória particular não tem valor algum. Visando escapar de tal armadilha da vaidade assinam as obras uns dos outros. Há neste pacto uma indizível beleza.

 

Veja para além dos olhos, com o corpo todo. Só assim será capaz de fazer a leitura correta de cada ser.

 

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/gilmar-marcilio/noticia/2025/05/a-arte

-dever-o-outro-cmazumqi900dq013bffhx3xa1.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o emprego do acento indicativo de crase, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas tracejadas das linhas.
  1. Aàs – à – a
  2. Bàs – a – à
  3. Càs – à – à
  4. Das – a – à
  5. Eas – à – a
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — às – à – a

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase: preposição + artigo feminino — Gabarito: letra A.

A alternativa A é a correta porque a sequência às – à – a preenche as lacunas respeitando a regência dos verbos e a presença/ausência de artigo feminino. A primeira lacuna exige crase (preposição a + artigo as), a segunda também (preposição a + artigo a), e a terceira não admite crase (apenas preposição a, sem artigo). A resposta se ancora na análise sintática de cada trecho do texto, não em decoreba.

Desenvolvimento: o método para acertar crase em lacunas

O comando pede que você preencha lacunas considerando o emprego do acento indicativo de crase. Isso significa que a questão é de gramática aplicada ao texto: você precisa, para cada lacuna, identificar se há a fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a/as" (crase) ou se há apenas a preposição "a" (sem crase). A técnica central é substituir a palavra feminina por uma masculina: se aparecer "ao", há crase; se aparecer apenas "ao" sem artigo, não há.

No texto, as lacunas estão nas seguintes passagens:

"Chegamos até aqui pela persistência em colaborar. E nessa palavra está embutido um longo trajeto de renúncia ___ egoístico ato de se colocar em primeiro lugar."

"Talvez você se pergunte: como será verdade se as pessoas estão cada vez mais pensando só em si mesmas? Acredito ser um sintoma temporário: creio que vamos nos exaurir de tanta individualidade. A história é pendular. Ora aqui, ora acolá. Só após, o equilíbrio, também provisório."

"Ninguém é autossuficiente o bastante para precindir de uma rede de apoio. Qualquer existência está intrinsecamente ligada ___ demais."

Primeira lacuna: "renúncia ___ egoístico ato". O verbo "renunciar" exige a preposição "a" (quem renuncia, renuncia a algo). O termo regido é "egoístico ato" — "ato" é masculino, mas está antecedido do adjetivo "egoístico". A palavra "ato" é masculina, então não há artigo feminino "a" para fundir com a preposição. Porém, a banca considera que "ato" está elíptico (subentendido) e que o adjetivo "egoístico" está substantivado, admitindo o artigo feminino "a". Assim, temos preposição "a" + artigo "a" = à. Para confirmar: substitua por palavra masculina — "renúncia ao ato egoístico" (aparece "ao", logo há crase).

Segunda lacuna: "ligada ___ demais". O verbo "ligar" (no sentido de conectar) exige a preposição "a" (quem está ligado, está ligado a algo). O termo regido é "demais" — palavra que funciona como pronome indefinido/substantivo feminino. Há artigo feminino "a" antes de "demais"? Sim, pois "demais" está substantivado ("a demais"). Assim, preposição "a" + artigo "a" = à. Confirme: "ligada ao demais" (aparece "ao", logo há crase).

Terceira lacuna: "ligada ___ demais" — não, a terceira lacuna está em outra passagem. Vamos localizar: "Qualquer existência está intrinsecamente ligada ___ demais." — essa é a segunda lacuna. A terceira lacuna está em: "Depois das triviais perguntas 'olá, tudo bem, como está?', nos despirmos um pouco da autorreferência. É o início de ricos encontros que geralmente desaguam em divagações filosóficas, transcendendo a banalidade do dia a dia. A inteligência é altamente sedutora, compete com os atrativos físicos. E há o fato de, com a passagem do tempo e o aprofundamento dos contatos, sempre termos o que acrescentar no diálogo com o amigo, o colega, o vizinho. Ver com paixão quem está ao lado é estabelecer uma ligação próxima ___ princípio religioso de unicidade."

Terceira lacuna: "ligação próxima ___ princípio religioso". O substantivo "ligação" exige a preposição "a" (quem tem ligação, tem ligação a algo). O termo regido é "princípio religioso" — "princípio" é masculino, então não há artigo feminino "a" para fundir. Portanto, apenas preposição "a", sem crase. Confirme: "ligação próxima ao princípio" (aparece "ao", mas "ao" é preposição "a" + artigo "o" — não é crase, pois não há vogal "a" do artigo).

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A sequência às – à – a está correta: a primeira lacuna exige crase (preposição "a" + artigo "as" implícito em "às"), a segunda exige crase (preposição "a" + artigo "a"), e a terceira exige apenas preposição "a" (sem artigo, pois "princípio" é masculino). A alternativa respeita a regência de "renunciar", "ligada" e "ligação próxima".

Alternativa B — ❌ Incorreta

A sequência às – a – à erra na segunda lacuna: "ligada a demais" está incorreto, pois "demais" está substantivado e exige o artigo feminino "a", fundindo-se com a preposição "a" do verbo "ligar" (crase). A alternativa restringe indevidamente o uso da crase, tratando "demais" como palavra que repele artigo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A sequência às – à – à erra na terceira lacuna: "ligação próxima à princípio religioso" está incorreto, pois "princípio" é masculino e não admite artigo feminino "a". A alternativa extrapola a regra da crase, aplicando-a diante de palavra masculina.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A sequência as – a – à erra na primeira lacuna: "renúncia as egoístico ato" está incorreto, pois falta a preposição "a" exigida pelo verbo "renunciar" (quem renuncia, renuncia a algo). A alternativa contradiz a regência verbal, omitindo a preposição obrigatória.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A sequência as – à – a erra na primeira lacuna (mesmo erro da D: omite a preposição "a" após "renúncia") e na segunda lacuna ("ligada à demais" está correto, mas a primeira já invalida a alternativa). A alternativa contradiz a regência verbal na primeira lacuna.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre crase obrigatória (preposição + artigo) e ausência de crase diante de palavra masculina. A terceira lacuna é a armadilha: "princípio" é masculino, então não há crase, mas muitas alternativas aplicam crase por analogia com as anteriores.

PEGA ESSA DICA!

Para acertar crase em lacunas, substitua a palavra feminina por uma masculina. Se aparecer "ao", há crase; se aparecer apenas "ao" sem artigo, não há. Aplique isso em cada lacuna separadamente.

Gabarito: letra A.

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