Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FUNDATEC 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa673733
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Estância Velha
Ano
2025
Cargo
Prof (Estância V.)

A construção da identidade profissional de professores de língua portuguesa em formação inicial

 

Por Émerson de Pietri, Lívia de Araújo Donnini Rodrigues e Hugo Santiago Sanchez

 

No Brasil, as discussões sobre identidade docente e discente tornaram-se fundamentais para a produção acadêmica sobre ensino de língua portuguesa principalmente a partir da década de 1980, quando, com a expansão do sistema público de ensino e a oferta de educação básica obrigatória de oito anos a todas as crianças em idade escolar, camadas da população não letradas e não escolarizadas passaram a frequentar os bancos escolares (Castilho, 1988a, 1988b, 2012; Franchi, 1991; Geraldi, 1984, 1991; Geraldi, Silva e Fiad, 1996; Marinho, 2001; Soares, 1984).

 

A formação docente passou a ser questionada em pesquisas voltadas a compreender as condições que levariam a escola a não atingir seus objetivos por causa da prevalência de tradição pedagógica de caráter normativo/prescritivista (Bagno e Rangel, 2005; Fregonezi, 1999). O trabalho docente tornou-se objeto de análises, discussões e proposições com o objetivo de se conhecerem as causas de suas dificuldades e de se proporem concepções favorecedoras da constituição de práticas de ensino de caráter inovador ou transformador (Aparício, 1999; Silva, Pilati e Dias, 2010; Signorini, 2007).

 

As proposições acadêmicas e pedagógicas para o ensino de língua portuguesa e a formação de professores voltaram-se desde então para questões de identidade docente em sua relação com a tematização da função social e política da educação linguística numa sociedade economicamente desigual como a brasileira. Esses estudos têm observado o desenvolvimento de práticas mais autorais ou mais agentivas dos professores como recursos para se alterarem as condições do ensino de português na escola e os modos como os professores de língua portuguesa se constituem profissionalmente nessas condições (Benevides, 2006; Oliveira, 2006). Defende-se a necessidade de considerar a voz dos professores em formação no tocante ao que esta produz a respeito dessa mesma formação (Andrade, 2003). A construção identitária do professor de língua portuguesa, realizada com objetivos de transformação social, poderia então confrontar a imagem negativa que é socialmente construída desse profissional (Kleiman, 2006, 2009). O professor posicionar-se-ia como um etnógrafo (Heath, 1983) para conhecer seus alunos e saber quais suas necessidades de aprendizagem em função da cultura de seu grupo social (Kleiman, 2007).

 

Quando se afirma que a formação de professores críticos se orienta pelo princípio de que a ação docente é uma ação de base moral e ética, primeiramente, parte-se do princípio de que o trabalho docente faz do professor um intelectual transformador (Kumaravadivelu, 2012), que pensa sobre sua prática em resposta a necessidades de mudança nos contextos e nos sujeitos que constroem esse contexto colaborativamente, em lugar de um técnico que passivamente aplica métodos, ou de um profissional que não teoriza, mas apenas pratica e reflete sobre sua prática. Consideradas as implicações sociais e didáticas do encontro pedagógico, afirmam Kubanyiova e Crookes (2016, p. 126) a necessidade de evidenciar aos professores de língua em formação as bases morais de sua atuação como agentes que deverão enfrentar realidades políticas, econômicas e sociais para garantir que seus alunos desenvolvam suas possibilidades linguísticas.

 

(Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbedu/a/34PnHM45C5fv5qdgxvWRpZL/?lang=pt – texto adaptado especialmente para esta prova)

Analise o trecho, retirado do texto, “O professor posicionar-se-ia como um etnógrafo” com base na definição abaixo:   Em etnografia, observa-se os modos como grupos sociais ou pessoas conduzem suas vidas com o objetivo de revelar o significado cotidiano, nos quais as pessoas agem.   O objetivo é documentar, monitorar e encontrar o significado da ação (Mattos, 2011). Considerando a relação entre os trechos, assinale a alternativa INCORRETA.
  1. AO professor deve observar atentamente seus alunos a fim de conhecer a cultura na qual estão inseridos.
  2. BO objetivo da observação dos alunos é conseguir elencar suas necessidades de aprendizagem em relação à esfera social deles, por exemplo.
  3. CDe acordo com a definição, um professor etnógrafo significa que o docente observe padrões de percepção e comportamento rotineiros de seus estudantes.
  4. DConhecer o comportamento dos estudantes, suas preferências culturais e o meio social no qual convivem pode impactar positivamente o planejamento dos professores.
  5. EA observação cuidadosa dos estudantes por parte dos professores objetiva primordialmente o reconhecimento de suas necessidades financeiras.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — De acordo com a definição, um professor etnógrafo significa que o docente observe padrões de percepção e comportamento rotineiros de seus estudantes.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Professor etnógrafo: o que o texto autoriza

Gabarito: letra E. A alternativa E é a INCORRETA — e, como a banca pediu a incorreta, ela é o gabarito. O erro está na palavra "financeiras": o texto fala em conhecer os alunos "em função da cultura de seu grupo social" e "suas necessidades de aprendizagem", jamais em "necessidades financeiras". A alternativa extrapola ao trocar a esfera cultural/pedagógica pela econômica, que não aparece em nenhum trecho.

O comando pede que você cruze o trecho do texto com a definição de etnografia e marque a alternativa INCORRETA. Isso muda tudo: as alternativas A, B, C e D são verdadeiras (por isso têm ✅), e a E é a única falsa (❌). A técnica é testar cada uma contra o texto: a correta é paráfrase fiel; a errada, ou contradiz, ou acrescenta informação de fora.

O texto-base diz, no 3º parágrafo:

"O professor posicionar-se-ia como um etnógrafo (Heath, 1983) para conhecer seus alunos e saber quais suas necessidades de aprendizagem em função da cultura de seu grupo social (Kleiman, 2007)."

Essa é a passagem-âncora. Ela autoriza: (1) observar/conhecer os alunos; (2) identificar necessidades de aprendizagem; (3) em função da cultura do grupo social. A definição de etnografia dada no enunciado reforça: observar "os modos como grupos sociais ou pessoas conduzem suas vidas" para "revelar o significado cotidiano". Nada disso menciona dinheiro, renda ou condição financeira.

A armadilha central é a extrapolação com aparência de verdade: a alternativa E soa plausível (professores se preocupam com a vida dos alunos), mas o texto não diz isso. A banca troca o termo "cultura" por "financeiras", e essa troca é o que derruba a questão. Sempre desconfie de palavras absolutas ou específicas demais — "financeiras" é um detalhe que o texto não sustenta.

Professor etnógrafo
  • 1O que o texto autoriza
    • Conhecer os alunos
    • Necessidades de aprendizagem
    • Em função da cultura do grupo social
  • 2O que o texto NÃO autoriza
    • Necessidades financeiras
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ✅ Correta

A alternativa A diz que o professor deve observar atentamente seus alunos para conhecer a cultura na qual estão inseridos. Isso é exatamente o que o texto afirma: o professor se posiciona como etnógrafo "para conhecer seus alunos" e "em função da cultura de seu grupo social". A palavra "cultura" está literalmente no texto. Não há erro aqui.

Alternativa B — ✅ Correta

A alternativa B afirma que o objetivo da observação é elencar as necessidades de aprendizagem em relação à esfera social. O texto diz que o professor quer "saber quais suas necessidades de aprendizagem em função da cultura de seu grupo social". A expressão "esfera social" é uma paráfrase de "grupo social". Está correta.

Alternativa C — ✅ Correta

A alternativa C diz que um professor etnógrafo observa padrões de percepção e comportamento rotineiros dos estudantes. A definição de etnografia dada no enunciado fala em observar "os modos como grupos sociais ou pessoas conduzem suas vidas" e "revelar o significado cotidiano". Isso corresponde a observar padrões de comportamento. O texto, ao citar Heath, sugere que o professor conhece os alunos como um etnógrafo conhece seu objeto. Está correta.

Alternativa D — ✅ Correta

A alternativa D afirma que conhecer o comportamento, as preferências culturais e o meio social dos estudantes pode impactar positivamente o planejamento dos professores. O texto não fala explicitamente em "planejamento", mas isso é uma inferência legítima: se o professor conhece as necessidades de aprendizagem, ele pode planejar melhor. A inferência está ancorada no texto, não é extrapolação. Está correta.

Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

A alternativa E diz que a observação objetiva "primordialmente o reconhecimento de suas necessidades financeiras". O texto fala em "necessidades de aprendizagem" e "cultura de seu grupo social", nunca em "necessidades financeiras". A palavra "financeiras" é uma extrapolação — acrescenta uma informação que não está no texto. A banca troca o termo "cultura" por "financeiras", e essa troca é o erro. Como a banca pediu a INCORRETA, o gabarito é a letra E.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca a esfera cultural/pedagógica pela financeira, explorando a tendência de associar "necessidades" a questões econômicas. O texto fala em cultura e aprendizagem, não em dinheiro.

PEGA ESSA DICA!

Ao marcar a INCORRETA, teste cada alternativa perguntando: "o texto autoriza isto?" Se a alternativa acrescenta um detalhe específico (como "financeiras") que não aparece no texto, ela é a errada.

Gabarito: letra E — a única que o texto NÃO sustenta, pois troca "cultura" por "financeiras".

Link permanente: /questoes/qa673733