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Questão de Português — Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc) — FUNDATEC 2025

PortuguêsPontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
Código
qa673866
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Montenegro
Ano
2025
Cargo
Prof ( )

A genética está na raiz do amor

 

Por Maurício Horta

 

Para entender o amor, temos de compreender o altruísmo – nada mais altruísta, afinal, do que amar alguém. E para entender o altruísmo temos de olhar para os campeões mundiais nessa categoria. Monges budistas? Não: insetos. Mais especificamente insetos sociais, os maiores exemplos de dedicação à coletividade em detrimento do interesse individual.

 

O caso mais extremo é o da abelha operária. Ela não apenas passa a vida produzindo mel e cera, construindo favos e coletando néctar, pólen e água para alimentar a rainha e suas larvas; para defender a colmeia de predadores, ela também se suicida. Esse caso de aparente altruísmo suicida parece contrariar a Teoria da Evolução. Afinal, a seleção natural não é uma escolha de características que beneficiem a coletividade nem o indivíduo. Ela nada mais é que o sucesso de certos genes em se replicar num determinado ambiente. Seguem adiante não necessariamente aqueles que expressam um comportamento que faz o indivíduo viver melhor, mas que o deixa mais apto a passar seus genes para a frente. Nesse ponto não há moral nem empatia. Para os genes, segundo Richard Dawkins, autor de “O Gene Egoísta”, os seres vivos nada mais são do que máquinas de sobrevivência do DNA.

 

Não importa o bem-estar dessa máquina – caso contrário, não envelheceríamos, não teríamos doenças nem morreríamos. O que importa é que ela consiga se reproduzir em mais máquinas que carreguem seus genes. Então, o comportamento suicida das abelhas operárias parece ir contra a lógica dos genes egoístas. Afinal, a morte de sua máquina de sobrevivência significa menos chances de que eles sejam passados adiante. Mas, há um detalhe que muda tudo isso. A reprodução de animais sociais como formigas, abelhas e vespas: enquanto a imensa maioria das espécies de reprodução sexuada compartilha metade dos genes maternos e metade dos paternos, estes compartilham metade dos genes da mãe e todos os genes do pai.

 

Aí é só fazer a conta: irmãs dessas espécies compartilham entre si 75% dos genes, enquanto, se tivessem filhos, estes teriam apenas 50% dos seus genes. Ou seja, é mais interessante para as abelhas fêmeas transformar sua mãe numa máquina de produzir irmãs (ou, posto de forma mais elegante, numa rainha) do que ter filhos próprios. O que parece ser o mais altruísta dos comportamentos – literalmente abrir mão de sua vida para o benefício da colmeia – é, na verdade, a expressão máxima do egoísmo dos genes.

 

É o que acontece com as relações familiares. Para o gene egoísta, tanto faz se sua cópia estiver numa máquina de sobrevivência ou em outra. O que interessa é que ele se replique o máximo de vezes possível. Como indivíduos aparentados compartilham cópias dos mesmos genes, o cuidado mútuo de parentes para assegurar sua sobrevivência e sua reprodução é uma estratégia altruísta muito eficiente. E aí chegamos a uma das grandes questões da humanidade: por que o amor existe se o sexo já basta para a nossa reprodução?

 

A resposta pode estar na replicação dos genes. Homens não podem ter filhos sozinhos, e tampouco as mulheres. Um precisa do DNA do outro. Esse problema se resolveria com o sexo casual à moda dos cachorros de rua. Mas, em “O Banquete”, de Platão, o poeta Aristófanes definiu a natureza dos humanos diferente – seriam unidades completas, “de forma esférica, com costas e flancos arredondados, com quatro mãos, o mesmo número de pernas, dois rostos totalmente idênticos, mas uma cabeça única para o conjunto desses dois rostos opostos um ao outro”. Uns, descendentes do Sol, tinham duas partes masculinas; outros, descendentes da Terra, tinham duas partes femininas. Isso lhes dava uma força tamanha que os fez escalar o céu para combater os deuses.

 

Zeus, em punição, cortou-os em dois, nascendo a divisão entre homem e mulher. Acabou- se então a unidade e a felicidade humana, e cada metade passou a procurar seu correspondente para recuperar a completude. Claro, isso é mitologia. Não tem validade científica. Mas, como metáfora, explica a busca obsessiva pela cara-metade, que é a essência do amor romântico.

 

(Disponível em: https://super.abril.com.br/especiais/a-genetica-do-amor/– texto adaptado especialmente para esta prova).

No primeiro parágrafo do texto, ao introduzir o objeto de análise do altruísmo, o autor emprega uma sequência de pontuação específica: “E para entender o altruísmo temos de olhar para os campeões mundiais nessa categoria. Monges budistas? Não: insetos”. Qual das análises a seguir melhor interpreta a função da pontuação nesse excerto e a implicação de sentido que ela estabelece para a tese do texto?
  1. AO ponto de interrogação tem a função de solicitar uma resposta direta do leitor, e o uso subsequente do sinal de dois-pontos indica que a resposta anterior precisa ser imediatamente detalhada.
  2. BOs dois-pontos são usados para introduzir uma explicação ou paráfrase do termo “campeões mundiais”. O ponto de interrogação, por sua vez, cria uma pausa para reflexão sobre a moral e a empatia.
  3. CO uso do ponto de interrogação sugere que o autor possui dúvida sobre a validade do altruísmo humano. Já os dois-pontos são utilizados para introduzir uma citação direta da teoria do gene egoísta.
  4. DA pontuação é empregada para dar ritmo de leitura, mas não altera o sentido fundamental. Os dois-pontos poderiam ser substituídos por uma vírgula, e o ponto de interrogação por um ponto- final, sem prejuízo da coerência.
  5. EO ponto de interrogação levanta uma expectativa implícita do público (monges budistas como exemplos tradicionais de altruísmo), enquanto o dois-pontos atua como um marcador discursivo que introduz o elemento de choque ou contraste (“insetos”) que será o foco da argumentação biológica.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — O ponto de interrogação levanta uma expectativa implícita do público (monges budistas como exemplos tradicionais de altruísmo), enquanto o dois-pontos atua como um marcador discursivo que introduz o elemento de choque ou contraste (“insetos”) que será o foco da argumentação biológica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função da pontuação no excerto sobre altruísmo — Gabarito: letra E.

A alternativa E é a correta porque interpreta com precisão o efeito discursivo da pontuação no trecho: o ponto de interrogação em “Monges budistas?” cria uma expectativa implícita — o leitor, diante da ideia de altruísmo, naturalmente pensa em monges budistas como exemplo tradicional — e os dois-pontos em “Não: insetos” funcionam como um marcador discursivo que introduz o elemento de contraste (“insetos”), que será o foco da argumentação biológica do texto. Essa leitura está ancorada no próprio texto, que logo em seguida afirma: “Mais especificamente insetos sociais, os maiores exemplos de dedicação à coletividade em detrimento do interesse individual.”

Desenvolvimento

1. O comando: a questão pede uma interpretação da função da pontuação, não apenas a identificação gramatical do sinal. O verbo “interpreta” indica que a resposta exige compreender o efeito de sentido que a pontuação cria no contexto, e não apenas classificar o ponto de interrogação como “pergunta” ou os dois-pontos como “explicação”. É uma questão de pontuação expressiva, em que o sinal carrega valor argumentativo.

2. O texto: o autor inicia o texto com uma cadeia argumentativa: para entender o amor, é preciso entender o altruísmo; para entender o altruísmo, é preciso olhar para os “campeões mundiais” dessa categoria. A sequência “Monges budistas? Não: insetos” é uma quebra de expectativa — o leitor é levado a pensar em monges budistas (associação comum com altruísmo), mas o autor nega essa expectativa e apresenta os insetos como os verdadeiros campeões. Essa quebra é o motor argumentativo do parágrafo, que prepara o terreno para a tese central do texto: o altruísmo aparente é, na verdade, expressão do egoísmo dos genes.

3. A técnica: para resolver, é preciso distinguir a função gramatical da função discursiva dos sinais. Gramaticalmente, os dois-pontos podem introduzir explicação, enumeração ou citação. Discursivamente, no trecho, eles introduzem o termo que contraria a expectativa criada pela pergunta. O ponto de interrogação, por sua vez, não é uma pergunta direta que solicita resposta do leitor; é uma interrogação retórica que sugere uma resposta esperada (monges budistas) para, em seguida, negá-la. Essa é a leitura que a alternativa E captura.

4. O gancho: ao testar cada alternativa, pergunte: “essa leitura está autorizada pelo texto?”. A alternativa correta é a única que conecta a pontuação ao movimento argumentativo do parágrafo, sem acrescentar informações externas nem reduzir o efeito de sentido a uma mera pausa.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o ponto de interrogação “solicita uma resposta direta do leitor”. No entanto, a pergunta “Monges budistas?” é retórica: o próprio autor responde em seguida (“Não: insetos”), não havendo solicitação de resposta ao leitor. Além disso, os dois-pontos não “detalham a resposta anterior”; eles introduzem o contraste com a expectativa. Erro: contradiz o texto (a pergunta não é direta) e restringe a função dos dois-pontos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa diz que os dois-pontos introduzem “uma explicação ou paráfrase do termo ‘campeões mundiais’”. No trecho, os dois-pontos introduzem a negação da expectativa (“Não: insetos”), não uma explicação do termo anterior. Além disso, afirma que o ponto de interrogação “cria uma pausa para reflexão sobre a moral e a empatia”, mas o texto não menciona “moral e empatia” nesse ponto — isso é extrapolação. Erro: extrapola (acrescenta tema ausente) e troca a função dos dois-pontos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o ponto de interrogação sugere “dúvida sobre a validade do altruísmo humano”. O texto não expressa dúvida; o autor afirma que os insetos são os campeões do altruísmo. Além disso, os dois-pontos não introduzem “uma citação direta da teoria do gene egoísta” — essa teoria é mencionada apenas no segundo parágrafo, não no trecho em questão. Erro: contradiz o texto (não há dúvida) e extrapola (citação inexistente no trecho).

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a pontuação “não altera o sentido fundamental” e que os sinais poderiam ser substituídos sem prejuízo. Isso é falso: a pontuação é o recurso expressivo que cria a quebra de expectativa. Substituir o ponto de interrogação por ponto-final e os dois-pontos por vírgula eliminaria o efeito de contraste e a ênfase na negação. Erro: contradiz o texto (a pontuação é essencial ao sentido) e restringe a função expressiva.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa captura com precisão o efeito discursivo: o ponto de interrogação levanta a expectativa de que os monges budistas sejam os exemplos de altruísmo (associação cultural comum), e os dois-pontos introduzem o contraste (“insetos”), que será o foco da argumentação. Isso está ancorado no texto, que logo após o trecho afirma:

“Mais especificamente insetos sociais, os maiores exemplos de dedicação à coletividade em detrimento do interesse individual.”

A alternativa não extrapola nem restringe: ela descreve exatamente o movimento argumentativo do parágrafo, conectando a pontuação à tese do texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a função gramatical dos dois-pontos (explicação, enumeração) e sua função discursiva (introduzir contraste). A alternativa E é a única que percebe o valor argumentativo da pontuação.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de pontuação expressiva, pergunte sempre: “que efeito de sentido o sinal cria no contexto?”. Não se limite à classificação gramatical.

Gabarito: letra E.

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