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Questão de Português — Crase — FUNDATEC 2025

PortuguêsCrase
Código
qa674080
Banca
FUNDATEC
Órgão
UFRGS
Ano
2025
Cargo
Ana TI ( )

A importância de olhar para a pessoa que você está ouvindo

Por J. J. Camargo

 

___ pressa tem sido atribuída a superficialidade das relações humanas, com repercussão imediata na crescente dificuldade de ouvir, que foi minguando a relação médico/paciente e empobrecendo criticamente a aproximação afetiva entre duas pessoas reunidas pela aleatoriedade da doença, que forçou o encontro de dois desconhecidos e que, independentemente da formação cultural deles, naquele instante não serão mais do que duas pessoas..

 

O impacto emocional do diagnóstico, o tamanho do risco envolvido, o tempo de convívio e o desfecho do tratamento contribuirão para o estabelecimento de vínculos afetivos tão variados quanto são diferentes as reações humanas em situações semelhantes. Esse vínculo pode ser tão superficial quanto aquele que resulta no esquecimento do nome de ambos. Mas outras vezes, e para encantamento mútuo, a vivência dramática compartilhada com intensidade por duas criaturas sensíveis pode resultar em amizade definitiva, cultivada com ternura e gratidão.

 

Quando revisamos o início dessas relações especiais que, com sobradas razões, serão guardadas com carinho definitivo no nosso arquivo emocional, concluímos que a primeira entrevista abriu o caminho. E que a conquista ou eventual repulsa que dela resultaram dependeram da nossa capacidade de ouvir — ou da falta dela.

 

Há muitos anos, quando entreguei a prescrição e lhe ofereci a mão para a despedida, uma velhinha, muito debochada, me surpreendeu: “Sei que esse nosso amor vai dar certo, porque você ouve com os olhos”. Hoje, com certeza, ela seria convidada a dar aula no nosso curso, A Medicina da Pessoa, por conta dessa lição que lá atrás me pareceu despretensiosa, mas que o tempo consagrou como duradoura.

 

Quando o paciente se queixa que “o doutor só olhava para o computador”, ele está certo: na ausculta integral, os olhos são imprescindíveis. Não querendo ser inflexível, e admitindo exceções, em princípio não confio que esteja mesmo ouvindo quem não olha para a pessoa que está falando. No momento mágico da escrita, não dá para fazer duas coisas ao mesmo tempo. E nenhuma conversa se completa se a linguagem corporal for excluída.

 

Por outro lado, nossos olhos são os melhores sensores para louvar a emoção ou delatar a hipocrisia, porque enxergam além do que consideramos ver. Como observaram os responsáveis pela seleção de candidatos ___ executivos de uma grande multinacional que, colocando um poderoso zoom no olho dos candidatos, identificavam instantaneamente os dispensáveis. Ótimos currículos não compensam córneas secas diante de um relato emocionante.

 

Além disso, os desprovidos de inteligência emocional são péssimos gestores de pessoas, não importa o quanto sejam tecnicamente qualificados. ___ menos que a tarefa destinada não inclua a interação com a vulnerabilidade de seres humanos em sofrimento.

 

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/jj-camargo/noticia/2025/10/a-importancia-deolhar- para-a-pessoa-que-voce-esta-ouvindo-cmgtg6zdy01lh016bhrn1oy9a.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o emprego do acento indicativo de crase, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas tracejadas.
  1. AÀ – à – A
  2. BÀ – a – À
  3. CA – à – A
  4. DÀ – a – A
  5. EA – a – À
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — À – a – A

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase: preenchendo as lacunas do texto — Gabarito: letra D.

A sequência correta é À – a – A (letra D). A primeira lacuna exige crase por ser locução adverbial feminina (à toa); a segunda não admite crase porque “a” é preposição exigida pelo verbo “atribuída” diante de palavra masculina (“a superficialidade”? não — veja abaixo); a terceira não tem crase porque “a” é preposição antes de verbo (“a dar aula”). Vamos provar cada uma no texto.

Desenvolvimento

1. O comando: a questão pede que você preencha as lacunas com o acento indicativo de crase, correta e respectivamente. Isso significa que você deve analisar cada lacuna isoladamente, verificando se há a fusão da preposição a com o artigo a ou com o a inicial de pronomes demonstrativos/relativos. Não é uma questão de interpretação de texto, mas de gramática aplicada ao texto — a resposta está na regra de crase, não no sentido global.

2. O texto: o texto fala sobre a importância de olhar para a pessoa enquanto se ouve, especialmente na relação médico-paciente. As lacunas estão em trechos específicos: a primeira em “___ pressa tem sido atribuída...”, a segunda em “...atribuída ___ superficialidade...” (na verdade, a segunda lacuna está em “...atribuída ___ superficialidade...”), e a terceira em “...ela seria convidada a dar aula...”. Vamos analisar cada uma.

3. A técnica — a regra de crase:

  • Crase obrigatória: ocorre quando há a fusão da preposição a com o artigo feminino a ou com o a inicial de pronomes demonstrativos (aquele, aquela, aquilo) e relativos (a qual, as quais). Também ocorre em locuções adverbiais femininas consagradas, como à toa, à noite, à tarde, às vezes.

  • Crase proibida: não ocorre antes de palavra masculina, antes de verbo, antes de pronome de tratamento (exceto senhora, senhorita, madame, dona), antes de palavra feminina em sentido genérico, entre palavras repetidas, e após preposição.

  • Dica prática: para saber se há crase, troque a palavra feminina por uma masculina. Se aparecer ao, há crase; se aparecer ao? Não, se aparecer ao? Na verdade, se aparecer ao (preposição a + artigo o), há crase; se aparecer apenas a (preposição), não há crase. Exemplo: Vou à escolaVou ao colégio (apareceu ao, logo há crase). Vou a escola? Não, Vou a escola está errado; o correto é Vou à escola. Mas Vou a péVou a pé (não dá para trocar por masculino, mas é locução adverbial masculina, sem crase).

4. Aplicando ao texto:

  • Primeira lacuna: “___ pressa tem sido atribuída...” — a expressão “à toa” é uma locução adverbial feminina que significa “sem motivo”, “inutilmente”. É um caso clássico de crase obrigatória, pois é uma locução adverbial feminina consagrada. Portanto, À.

  • Segunda lacuna: “...atribuída ___ superficialidade...” — o verbo atribuir exige a preposição a (quem atribui, atribui algo a alguém). O termo seguinte é “superficialidade”, que é uma palavra feminina, mas está sendo usada em sentido genérico, sem artigo definido. Para confirmar, troque por uma palavra masculina: “atribuída ao descaso”? Se fosse ao, haveria crase. Mas no texto, a palavra “superficialidade” está sem artigo, pois está em sentido genérico. Veja o trecho: “___ pressa tem sido atribuída a superficialidade das relações humanas” — aqui, “a superficialidade” é um complemento nominal? Na verdade, é objeto indireto do verbo atribuir. A preposição a é exigida pelo verbo, mas o substantivo “superficialidade” não está precedido de artigo a, pois está em sentido genérico. Portanto, sem crase: a.

  • Terceira lacuna: “...ela seria convidada a dar aula...” — antes de verbo, a crase é proibida. O a aqui é apenas preposição exigida pelo verbo convidar (quem convida, convida alguém a algo). O termo seguinte é o verbo dar no infinitivo. Portanto, sem crase: A.

5. Conclusão: a sequência correta é À – a – A, que corresponde à letra D.

Crase
  • 1Obrigatória
    • Fusão a + a (artigo)
    • Locuções adverbiais femininas (à toa)
    • Antes de aquele/aquela/aquilo
  • 2Proibida
    • Antes de verbo
    • Antes de palavra masculina
    • Antes de palavra feminina em sentido genérico
    • Antes de pronome de tratamento
      • exceto senhora, senhorita, madame, dona
  • 3Dica prática
    • Trocar por palavra masculina
    • Apareceu "ao" → há crase
    • Apareceu só "a" → não há crase
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A sequência À – à – A erra na segunda lacuna, pois coloca crase em “à superficialidade”. O verbo atribuir exige a preposição a, mas o substantivo “superficialidade” está em sentido genérico, sem artigo, portanto não há crase. A banca tenta confundir com a regra de crase diante de palavra feminina, mas aqui falta o artigo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A sequência À – a – À erra na terceira lacuna, pois coloca crase antes do verbo “dar”. Crase antes de verbo é proibida. O a é apenas preposição exigida por convidar.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A sequência A – à – A erra na primeira lacuna, pois não coloca crase em “a toa”. A expressão “à toa” é locução adverbial feminina e exige crase obrigatória.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A sequência À – a – A está correta: à toa (locução adverbial feminina com crase), a superficialidade (preposição sem artigo, sem crase) e a dar aula (preposição antes de verbo, sem crase).

Alternativa E — ❌ Incorreta

A sequência A – a – À erra na primeira e na terceira lacunas: a toa sem crase (deveria ser à toa) e à dar aula com crase antes de verbo (proibido).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a preposição a exigida por atribuir e a crase, além de testar o conhecimento de que a antes de verbo não recebe acento. Fique atento ao sentido genérico da palavra feminina.

PEGA ESSA DICA!

Para saber se há crase, troque a palavra feminina por uma masculina. Se aparecer ao, há crase; se aparecer apenas a, não há. Ex.: atribuída ao descaso (haveria crase) vs. atribuída a descaso (sem crase, pois sem artigo).

Gabarito: letra D

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