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Questão de Português — Fatos da Língua Portuguesa (Porque, Por Que, Porquê e Por Quê; Onde, Aonde e Donde; Há e A, etc) — FUNDATEC 2025

PortuguêsFatos da Língua Portuguesa (Porque, Por Que, Porquê e Por Quê; Onde, Aonde e Donde; Há e A, etc)
Código
qa674348
Banca
FUNDATEC
Órgão
UFRGS
Ano
2025
Cargo
Ass Adm ( )

Logo ali

 

Por Helô Bacichetti

 

Há distâncias que cabem numa esquina. O longe, às vezes, é só um tempo que se encolhe, um retrato que sorri do nada, um nome que volta sem ser chamado. A gente caminha quilômetros sem sair do lugar, porque dentro da memória, as distâncias se redesenham. Quando o longe é logo ali, não é o espaço que importa, mas a sensação de que o que parecia distante está mais perto do que se imagina.

 

Moro num estado que já nasce grande no nome. O que chamam de rio grande é também terra grande do Sul: campos que se estendem até onde o olhar alcança, serras que recortam o horizonte e estações que mudam quase de repente, como se as horas carregassem as quatro num só dia.

 

Quando eu era criança, saía com meus primos para nadar no rio Tomé, em Cazuza Ferreira. Um deles sempre dizia, quando se tratava de distância, que era logo ali. Mas esse “logo ali” era um longe que cansava as pernas, e ainda assim, parecia perto quando a gente ria pelo caminho. Descobri cedo que a distância não é igual para todos: depende da pressa, da companhia, até do humor.

 

Barbosa Lessa, que fez da tradição gaúcha sua matéria de escrita, lembrava desses modos de medir o mundo. O tropeiro dizia que o destino estava “a duas mateadas de distância”. Outro, quando lhe perguntavam se faltava muito, respondia: “Bah, guri, é ali adiante. Mas não te apura, que a pressa só faz o pingo suar antes da hora”. Assim, para o campeiro, longe e perto deixam de ser coordenadas e se transformam em conversa, pausa e paisagem.

 

Alguns dias atrás, percorri cidades que, para mim, guardam uma distância incalculável. De Caxias a Uruguaiana, depois Alegrete, São Borja, de lá para Porto Alegre e, por fim, de Porto Alegre de volta para Caxias. Olhando as paisagens pelo caminho, percebi algo curioso: mesmo sendo tão distantes da minha verdadeira origem, eu me via naquele percurso. Enquanto o caminho se desdobrava, cada curva da estrada, cada rio e cada horizonte pareciam me lembrar de que, em alguns momentos, a distância não se mede em quilômetros, mas em familiaridade que carregamos dentro de nós.

 

Tenho em meu sangue, como tantos brasileiros, traços italianos, indígenas, alemães, franceses e portugueses. Talvez por isso me sinta um pouco nômade, sempre disposta a abraçar um pedaço do coração de cada cidade. No fundo, aprendi que o mundo é maior do que qualquer mapa e que a verdadeira grandeza está em reconhecer-se nos caminhos e pertencer, ainda que um pouco, a todos os lugares por onde se passa.

 

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/helo-bacichette/noticia/2025/09/logo-alicmfreezeq02h4014yt2jak6ia. html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Analise as seguintes assertivas em relação a propostas de alteração do texto e assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas.   ( ) Em “Há distâncias que cabem numa esquina”, a substituição de “numa” por “na” não acarretaria alteração ao sentido original do trecho.   ( ) Em “Alguns dias atrás, percorri cidades”, a inserção da forma verbal “Há” antes da expressão “Alguns dias atrás” acarretaria vício de linguagem ao trecho.   ( ) Em “parecia perto quando a gente ria pelo caminho”, a substituição de “a gente” por “nós” exigiria a alteração da forma verbal “ria” para “ríamos” a fim de manter a correta concordância verbo-nominal.   A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
  1. AF – V – V.
  2. BF – V – F.
  3. CV – F – F.
  4. DV – F – V.
  5. EF – F – V.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — F – V – V.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Propostas de alteração do texto — Gabarito: letra A.

A sequência correta é F – V – V, portanto a letra A é o gabarito. A primeira assertiva é falsa porque substituir “numa” por “na” altera o sentido: “numa” (em + uma) é indeterminado, enquanto “na” (em + a) é determinado. A segunda é verdadeira porque “Há” + “atrás” gera redundância (pleonasmo vicioso). A terceira é verdadeira porque “a gente” (3ª pessoa do singular) exige “ria”, e “nós” (1ª pessoa do plural) exige “ríamos”.

O comando

A questão pede que você avalie propostas de alteração do texto, marcando V ou F. Isso é diferente de interpretar o texto: aqui, o foco é gramática aplicada — você precisa saber se a mudança proposta mantém o sentido, se cria um vício de linguagem e se exige ajuste de concordância. A banca testa três pontos específicos: artigo indefinido × definido, redundância temporal e concordância verbal com pronome.

O texto

O texto é uma crônica sobre distâncias afetivas e geográficas. Os trechos citados nas assertivas são:

“Há distâncias que cabem numa esquina.”

“Alguns dias atrás, percorri cidades…”

“parecia perto quando a gente ria pelo caminho”

Cada assertiva propõe uma alteração nesses trechos. A resposta não depende do sentido global do texto, mas da correção gramatical e do efeito de sentido de cada mudança.

A técnica que decide

Assertiva 1 — “numa” por “na”:

  • “numa” = em + uma (artigo indefinido). Indica uma esquina qualquer, não especificada.

  • “na” = em + a (artigo definido). Indica uma esquina específica, já conhecida.

A troca muda o sentido: de “uma esquina qualquer” para “a esquina determinada”. Portanto, a assertiva é falsa.

Assertiva 2 — inserir “Há” antes de “Alguns dias atrás”:

  • “Alguns dias atrás” já expressa tempo decorrido.

  • “Há” também expressa tempo decorrido (faz tempo que).

  • Juntar os dois gera pleonasmo vicioso (redundância), como em “Há dez anos atrás”.

Portanto, a assertiva é verdadeira.

Assertiva 3 — substituir “a gente” por “nós”:

  • “a gente” é locução pronominal que exige verbo na 3ª pessoa do singular: “a gente ria”.

  • “nós” exige verbo na 1ª pessoa do plural: “nós ríamos”.

  • A troca exige a alteração de “ria” para “ríamos” para manter a concordância.

Portanto, a assertiva é verdadeira.

Análise das alternativas

Propostas de alteração
  • 1"numa" → "na"
    • Altera o sentido (indefinido → definido)
  • 2"Há" + "atrás"
    • Pleonasmo vicioso (redundância)
  • 3"a gente" → "nós"
    • Exige "ríamos" (concordância)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A sequência F – V – V é a única que corresponde à verdade das assertivas: a primeira é falsa, a segunda é verdadeira e a terceira é verdadeira. Portanto, a letra A é o gabarito.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A sequência F – V – F erra na terceira assertiva, marcando como falsa uma afirmação verdadeira. A troca de “a gente” por “nós” exige a mudança de “ria” para “ríamos”, pois a concordância verbal acompanha a pessoa do sujeito.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A sequência V – F – F erra na primeira assertiva (marca como verdadeira uma troca que altera o sentido) e na segunda (marca como falsa uma redundância real). A primeira assertiva é falsa, pois “numa” e “na” têm valores diferentes (indefinido vs definido).

Alternativa D — ❌ Incorreta

A sequência V – F – V erra na primeira assertiva (marca como verdadeira uma troca que altera o sentido) e na segunda (marca como falsa uma redundância real). A primeira assertiva é falsa, pois “numa” e “na” têm valores diferentes (indefinido vs definido).

Alternativa E — ❌ Incorreta

A sequência F – F – V erra na segunda assertiva, marcando como falsa uma redundância real. A inserção de “Há” antes de “Alguns dias atrás” gera pleonasmo vicioso, portanto a assertiva é verdadeira.

Conclusão

A questão testa três pontos gramaticais: artigo indefinido vs definido, pleonasmo vicioso e concordância verbal com “a gente”. A única sequência correta é F – V – V, portanto o gabarito é a letra A.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre “numa” (indefinido) e “na” (definido), a redundância de “Há” + “atrás” e a concordância com “a gente”. Fique atento a esses três pontos.

PEGA ESSA DICA!

Ao avaliar propostas de alteração, pergunte: a mudança mantém o sentido? Cria redundância? Exige ajuste de concordância? Teste cada uma no trecho original.

Gabarito: letra A

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