Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — INSTITUTO AOCP 2025
- Código
- qa674479
- Banca
- INSTITUTO AOCP
- Órgão
- Pref SP
- Ano
- 2025
- Cargo
- Res ( )
Uma crônica pra São Paulo
A metrópole bate e assopra: um dia, a gente quer voltar para casa. No outro, quer transformar em casa essa selva de pedras.
Lucas Carvalho
Quando cheguei a São Paulo, vindo do interior, me disseram que, se eu passasse três meses morando aqui, certamente, não iria mais embora. Lá se vão mais de três anos.
A verdade é que eu não sei se vou passar a vida toda na maior cidade do País. Às vezes, o jornalismo ou o próprio destino se encarregam de mudar os planos. O que sei é que São Paulo assusta, mas acolhe ao mesmo tempo. Vim para cá depois de vinte e poucos anos morando no interior. Até então, dava para contar nos dedos quantas vezes tinha passado pela Marginal Tietê.
Quando, finalmente, cheguei, quis entender o ritmo da capital. São Paulo para iniciantes é uma incrível descoberta. Você aprende que as quatro estações do ano aparecem num único dia. É possível sair de casa com sol e voltar com o tênis parecendo um aquário, se você não se prevenir. Você aprende que nem todo paulistano é de ‘bom dia’, mas, aqueles que são, são para valer.
Descobrir São Paulo é ver que as pessoas, realmente, acompanham a velocidade da metrópole. É muita gente andando depressa, sempre com pressa. Nem todo mundo te olha, mas quando olha, desconfia. Isso não é uma crítica. É só um detalhe, porque viver em São Paulo exige, mesmo, racionalidade.
São Paulo tem vida de dia e de noite. Morar aqui é uma intensa briga com o relógio e nem sempre você vence. Bate o cansaço, o nervosismo, o estresse, a raiva do trânsito parado..., mas é um lugar que ensina, que testa, desafia.
Costumo dizer que São Paulo é cheia de paradoxos. A cidade desperta, em quem chega para ficar, inúmeras sensações. Um dia, a gente quer voltar para casa. No outro, quer transformar em casa essa selva de pedras. A maior cidade do País não me trouxe, apenas, experiência profissional. Trouxe, sobretudo, um olhar para a vida. São Paulo tem me apresentado situações, pessoas e momentos que me fazem enxergar o quanto cheguei imaturo.
São Paulo bate e assopra. Sou grato por isso. Parabéns, cidade do mundo!
Adaptado de: https://noticias.r7.com/prisma/conversa-de- reporter/uma-cronica-pra-sao-paulo-25012023/. Acesso em: 08 out.2025.
- Aintimidação e dualidade afetiva, que refletem o contraste entre o medo inicial e a posterior adaptação.
- Bfrieza e isolamento urbano, típicos de uma metrópole indiferente ao indivíduo.
- Cesperança e admiração constante, que reforçam o encanto do narrador pela cidade.
- Ddesinteresse e apatia social, revelando falta de conexão entre o narrador e o espaço urbano.
- Eironia e apatia, expressas pela lembrança crítica do cotidiano paulistano.