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Questão de Português — Figuras de Linguagem — INSTITUTO AOCP 2025

PortuguêsFiguras de Linguagem
Código
qa674480
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Pref SP
Ano
2025
Cargo
Res ( )

Uma crônica pra São Paulo

 

A metrópole bate e assopra: um dia, a gente quer voltar para casa. No outro, quer transformar em casa essa selva de pedras.

 

Lucas Carvalho

 

Quando cheguei a São Paulo, vindo do interior, me disseram que, se eu passasse três meses morando aqui, certamente, não iria mais embora. Lá se vão mais de três anos.

 

A verdade é que eu não sei se vou passar a vida toda na maior cidade do País. Às vezes, o jornalismo ou o próprio destino se encarregam de mudar os planos. O que sei é que São Paulo assusta, mas acolhe ao mesmo tempo. Vim para cá depois de vinte e poucos anos morando no interior. Até então, dava para contar nos dedos quantas vezes tinha passado pela Marginal Tietê.

 

Quando, finalmente, cheguei, quis entender o ritmo da capital. São Paulo para iniciantes é uma incrível descoberta. Você aprende que as quatro estações do ano aparecem num único dia. É possível sair de casa com sol e voltar com o tênis parecendo um aquário, se você não se prevenir. Você aprende que nem todo paulistano é de ‘bom dia’, mas, aqueles que são, são para valer.

 

Descobrir São Paulo é ver que as pessoas, realmente, acompanham a velocidade da metrópole. É muita gente andando depressa, sempre com pressa. Nem todo mundo te olha, mas quando olha, desconfia. Isso não é uma crítica. É só um detalhe, porque viver em São Paulo exige, mesmo, racionalidade.

 

São Paulo tem vida de dia e de noite. Morar aqui é uma intensa briga com o relógio e nem sempre você vence. Bate o cansaço, o nervosismo, o estresse, a raiva do trânsito parado..., mas é um lugar que ensina, que testa, desafia.

 

Costumo dizer que São Paulo é cheia de paradoxos. A cidade desperta, em quem chega para ficar, inúmeras sensações. Um dia, a gente quer voltar para casa. No outro, quer transformar em casa essa selva de pedras. A maior cidade do País não me trouxe, apenas, experiência profissional. Trouxe, sobretudo, um olhar para a vida. São Paulo tem me apresentado situações, pessoas e momentos que me fazem enxergar o quanto cheguei imaturo.

 

São Paulo bate e assopra. Sou grato por isso. Parabéns, cidade do mundo!

   

Adaptado de: https://noticias.r7.com/prisma/conversa-de- reporter/uma-cronica-pra-sao-paulo-25012023/. Acesso em: 08 out.2025.

Texto 1

   

Sobre o sentido da expressão em destaque no seguinte trecho do Texto 1 “São Paulo bate e assopra”, analise as assertivas e assinale a alternativa que aponta a(s) correta(s).

 

I. As palavras “bate” e “assopra” foram empregadas em sentido figurado, para representar atitudes opostas da cidade.

 

II. O termo “bate” expressa desafio e pressão, enquanto o “assopra” indica acolhimento e alívio.

 

III. A expressão é literal, pois descreve ações físicas praticadas pelos habitantes da cidade.


  1. AApenas I.
  2. BApenas II.
  3. CApenas I e II.
  4. DApenas II e III.
  5. EI, II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Apenas I e II.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sentido figurado em "São Paulo bate e assopra"

Gabarito: letra C (Apenas I e II). A expressão "bate e assopra" é empregada em sentido figurado (conotativo), representando atitudes opostas da cidade: "bate" remete a desafio/pressão, e "assopra", a acolhimento/alívio. A assertiva III está errada porque a expressão não é literal — não descreve ações físicas de habitantes, mas sim o comportamento paradoxal da metrópole, como o próprio texto explicita ao dizer que "São Paulo assusta, mas acolhe ao mesmo tempo" e que "a cidade desperta, em quem chega para ficar, inúmeras sensações".

O comando pede que você analise assertivas sobre o sentido da expressão em destaque. Isso é uma questão de interpretação de texto focada em figuras de linguagem — mais especificamente, na distinção entre denotação (sentido literal) e conotação (sentido figurado). A banca quer saber se você percebe que "bater" e "assoprar" não estão sendo usados em seu sentido físico (dar golpes, soprar ar), mas sim como metáforas para descrever o comportamento da cidade.

O texto é uma crônica sobre São Paulo, e o autor constrói a tese de que a cidade é paradoxal: ao mesmo tempo que assusta e pressiona, acolhe e ensina. Veja como isso aparece explicitamente:

"O que sei é que São Paulo assusta, mas acolhe ao mesmo tempo."

E mais adiante:

"Costumo dizer que São Paulo é cheia de paradoxos. A cidade desperta, em quem chega para ficar, inúmeras sensações. Um dia, a gente quer voltar para casa. No outro, quer transformar em casa essa selva de pedras."

A expressão "bate e assopra" é a síntese desse paradoxo: "bater" = agredir, pressionar, desafiar; "assoprar" = aliviar, acolher, confortar. São ações opostas, e é exatamente essa oposição que a figura de linguagem quer transmitir. A crônica termina com "São Paulo bate e assopra. Sou grato por isso." — o autor reconhece os dois lados e é grato por ambos.

A pegadinha central está na assertiva III: ela tenta fazer você acreditar que a expressão é literal. Mas o texto não descreve ninguém batendo ou soprando fisicamente. A cidade não tem mãos para bater nem boca para soprar. O uso é claramente metafórico — atribui-se à cidade ações humanas (o que, tecnicamente, também configura uma prosopopeia/personificação). A banca aposta que o candidato confunda o sentido figurado com o literal, ou que não perceba a oposição entre os termos.

NÃO CAIA NESSA!

A assertiva III é a armadilha clássica de literalidade — ela afirma que a expressão é literal quando o texto inteiro aponta para o sentido figurado. A banca quer ver se você percebe que "bater" e "assoprar" são metáforas para o comportamento paradoxal da cidade.

"São Paulo bate e assopra"
  • 1Sentido figurado (conotativo)
    • Bate = desafio e pressão
    • Assopra = acolhimento e alívio
    • Atitudes opostas da cidade
  • 2Sentido literal (denotativo)
    • Não descreve ações físicas
    • Cidade não bate nem assopra
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Assertiva I — ✅ Correta

"As palavras 'bate' e 'assopra' foram empregadas em sentido figurado, para representar atitudes opostas da cidade."

Correta. O texto comprova o sentido figurado ao afirmar que "São Paulo assusta, mas acolhe ao mesmo tempo" e que a cidade é "cheia de paradoxos". "Bater" e "assoprar" são ações humanas atribuídas à cidade (prosopopeia), e representam atitudes opostas: a pressão/desafio de um lado, o acolhimento/alívio de outro. A própria estrutura da expressão — dois verbos de sentido contrário — reforça a oposição.

Assertiva II — ✅ Correta

"O termo 'bate' expressa desafio e pressão, enquanto o 'assopra' indica acolhimento e alívio."

Correta. Essa assertiva é uma paráfrase do que o texto sugere. O autor descreve a cidade como um lugar que "assusta" (bate) mas "acolhe" (assopra). O trecho "Morar aqui é uma intensa briga com o relógio e nem sempre você vence. Bate o cansaço, o nervosismo, o estresse, a raiva do trânsito parado" mostra o lado do "bater" — a pressão. Já o trecho "São Paulo tem me apresentado situações, pessoas e momentos que me fazem enxergar o quanto cheguei imaturo" mostra o lado do "assoprar" — o acolhimento que ensina e transforma.

Assertiva III — ❌ Incorreta

"A expressão é literal, pois descreve ações físicas praticadas pelos habitantes da cidade."

Incorreta. A expressão não é literal. Em nenhum momento o texto descreve habitantes batendo ou soprando fisicamente. A cidade é o sujeito da ação — "São Paulo bate e assopra" — e uma cidade não pode bater nem soprar no sentido físico. O uso é conotativo (figurado), atribuindo à cidade comportamentos humanos. A assertiva contradiz o texto, que insiste no caráter paradoxal e simbólico da expressão.

Conclusão: As assertivas I e II estão corretas, pois descrevem corretamente o sentido figurado e a oposição de atitudes. A assertiva III está incorreta, pois ignora o caráter metafórico da expressão. Portanto, a alternativa correta é a letra C.

PEGA ESSA DICA!

Em questões sobre sentido figurado, pergunte-se: "isso pode acontecer literalmente no mundo real?" Se a resposta for não (uma cidade não bate, não assopra, não chora), então é conotação. E desconfie sempre de assertivas que dizem que algo é "literal" quando o texto usa linguagem simbólica.

Gabarito: letra C

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