Questão de Português — Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc) — INSTITUTO AOCP 2025
- Código
- qa674483
- Banca
- INSTITUTO AOCP
- Órgão
- Pref SP
- Ano
- 2025
- Cargo
- Res ( )
Uma crônica pra São Paulo
A metrópole bate e assopra: um dia, a gente quer voltar para casa. No outro, quer transformar em casa essa selva de pedras.
Lucas Carvalho
Quando cheguei a São Paulo, vindo do interior, me disseram que, se eu passasse três meses morando aqui, certamente, não iria mais embora. I) Lá se vão mais de três anos.
A verdade é que eu não sei se vou passar a vida toda na maior cidade do País. Às vezes, o jornalismo ou o próprio destino se encarregam de mudar os planos. O que sei é que São Paulo assusta, mas acolhe ao mesmo tempo. II) Vim para cá depois de vinte e poucos anos morando no interior. Até então, dava para contar nos dedos quantas vezes tinha passado pela Marginal Tietê.
Quando, finalmente, cheguei, quis entender o ritmo da capital. São Paulo para iniciantes é uma incrível descoberta. Você aprende que as quatro estações do ano aparecem num único dia. É possível sair de casa com sol e voltar com o tênis parecendo um aquário, se você não se prevenir. Você aprende que nem todo paulistano é de ‘bom dia’, mas, aqueles que são, são para valer.
Descobrir São Paulo é ver que as pessoas, realmente, acompanham a velocidade da metrópole. É muita gente andando depressa, sempre com pressa. Nem todo mundo te olha, mas quando olha, desconfia. Isso não é uma crítica. É só um detalhe, porque viver em São Paulo exige, mesmo, racionalidade.
São Paulo tem vida de dia e de noite. Morar aqui é uma intensa briga com o relógio e nem sempre você vence. Bate o cansaço, o nervosismo, o estresse, a raiva do trânsito parado..., mas é um lugar que ensina, que testa, desafia.
Costumo dizer que São Paulo é cheia de paradoxos. A cidade desperta, em quem chega para ficar, inúmeras sensações. Um dia, a gente quer voltar para casa. No outro, quer transformar em casa essa selva de pedras. A maior cidade do País não me trouxe, apenas, experiência profissional. Trouxe, sobretudo, um olhar para a vida. São Paulo tem me apresentado situações, pessoas e momentos que me fazem enxergar o quanto cheguei imaturo.
São Paulo bate e assopra. Sou grato por isso. Parabéns, cidade do mundo!
Adaptado de: https://noticias.r7.com/prisma/conversa-de- reporter/uma-cronica-pra-sao-paulo-25012023/. Acesso em: 08 out.2025.
Texto 1
Observe o uso da vírgula nas duas construções a seguir:
(I) “Me disseram que, se eu passasse três meses morando aqui, certamente, não iria mais embora.”.
(II) “São Paulo assusta, mas acolhe ao mesmo tempo.”.
Com base nas normas de pontuação da língua portuguesa, é correto afirmar que,
- Aem (I), a vírgula antes de “se” é necessária, pois a oração condicional vem antes da principal, conferindo ênfase à condição; em (II), a vírgula antes de “mas” é opcional, podendo ser usada para marcar contraste entre as ideias.
- Bem (I), a vírgula antes de “se” é necessária, pois a oração que expressa condição está deslocada, para ficar em destaque; em (II), a vírgula antes de “mas” é obrigatória para separar duas ideias contrastantes.
- Cem (I), a vírgula antes de “se” pode ser usada para dar ênfase, mas não é obrigatória sintaticamente; em (II), a vírgula antes de “mas” também é opcional.
- Dem (I), a vírgula antes de “se” e em torno de “certamente” compromete a clareza, a construção, portanto, está pontuada incorretamente; em (II), a vírgula antes de “mas” é necessária, estando a construção pontuada corretamente.
- Eem (I), todas as vírgulas são apenas estilísticas; em (II), a vírgula antes de “mas” é facultativa. Assim, nenhuma das duas construções exige pontuação obrigatória.