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Questão de Português — Crase — FUNDATEC 2025

PortuguêsCrase
Código
qa674522
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Xangri-lá
Ano
2025
Cargo
Prof ( )

Estudo emprega acelerador de partículas para descobrir o real formato de uma das primeiras espécies dotadas de esqueleto

 

Por Bruno Vaiano

 

“Um penhasco desmoronou, e as criaturas lá embaixo, sepultadas pelo deslizamento de terra, foram pressionadas como flores contra um livro, suas características preservadas em detalhes prodigiosos”. É assim que o jornalista Bill Bryson narra a formação do Folhelho de Burgess, sítio fossilífero na província canadense da Colúmbia Britânica, de onde saíram alguns dos mais remotos indícios de vida animal. O material se formou há 508 milhões de anos, o que o torna duas vezes mais antigo do que os primeiros dinossauros.

 

Não há dúvida de que se trata de um tesouro. Mas, desde sua descoberta, em 1911, os paleontólogos se esforçam para entender exatamente o que têm em mãos. As dificuldades decorrem também do fato de que ___ interpretação dos fósseis é uma tarefa complexa. O desafio central é estudar os seres macroscópicos pioneiros dos períodos Ediacarano e Cambriano, encontrados em Burgess e em tantas outras jazidas de fósseis com idades similares. Essa biota antiquíssima contém, por exemplo, estruturas que poderiam ser patas, mas também fariam sentido se interpretadas como espinhos — e mesmo dados básicos, como o plano corporal (se um animal é radial, como uma água-viva, ou tem simetria bilateral, como nós), permanecem ambíguos. Frequentemente, sequer é possível determinar onde essas espécies se encaixam na árvore da vida.

 

Em um artigo publicado no periódico Royal Society Open Science, uma equipe formada majoritariamente por brasileiros relata a investigação de mais de 200 fósseis de um animal de nome científico Corumbella weneri, descrito pela primeira vez em 1982 com base em exemplares dos anos de 1970 encontrados em uma mina de calcário nos arredores da cidade sul-mato grossense de Ladário, na fronteira com a Bolívia. A Corumbella é ainda mais antiga que os espécimes do Folhelho de Burgess: viveu na reta final do período Ediacarano, ___ cerca de 550 milhões de anos. Nessa época, uma biota aquática de criaturas plácidas, com corpo mole e alimentação por filtragem, estava dando os primeiros passos para uma guinada morfológica. No início do período seguinte, o Cambriano, que teve início há 542 milhões de anos, a evolução das primeiras carapaças, garras e órgãos dos sentidos gerou uma explosão de biodiversidade sem comparação no registro fóssil.

 

A partir disso, o objetivo da pesquisa era determinar qual seria a forma tridimensional da Corumbella. Isso exigiu o esclarecimento de uma série de confusões entre a morfologia e a tafonomia desse animal centimétrico. O termo tafonomia refere-se a características do fóssil que foram causadas pelo próprio processo de fossilização, mas não apareciam no organismo original. Já a morfologia diz respeito ___ configuração que o organismo realmente tinha. A equipe apresentou evidências de que a Corumbella, na verdade, era bem mais simples do que se especulava — e vinha enganando os especialistas: “O tubo cônico-cilíndrico é feito de anéis justapostos, e muitos dos detalhes que intrigaram os cientistas por décadas eram, na verdade, marcas de deformação durante a fossilização”, explica um dos pesquisadores.

 

O trabalho contou com tomografias de alta resolução de cinco dentre os 200 fósseis, realizadas com feixes de radiação produzidos pelo acelerador de partículas Sirius, construído pelo CNPEM em Campinas (SP). As imagens resultantes foram processadas com uma mãozinha de uma inteligência artificial capaz de identificar e isolar qual parte do material analisado é rocha e qual é o fóssil em si — um trabalho de decupagem que normalmente seria feito no olho e tomaria um bocado de tempo.

 

(Disponível em: https://jornal.unesp.br/2025/09/15/novo-estudo-emprega-ate-acelerador-de-particulas-paradescobrir- o-real-formato-de-uma-das-primeiras-especies-dotadas-de-esqueleto/– texto adaptado especialmente para esta prova).

Em relação à regência verbal e ao acento indicativo de crase, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas tracejadas do texto.
  1. Aà – a – à
  2. Ba – há – a
  3. Cà – à – a
  4. Da – à – à
  5. Ea – há – à
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — a – há – à

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase e regência: preenchendo as lacunas do texto

Gabarito: letra E. A sequência correta é a – há – à: na primeira lacuna, "a" é preposição exigida pelo verbo "decorrer" (decorrer de algo); na segunda, "há" é o verbo haver no sentido de tempo decorrido (há cerca de 550 milhões de anos); na terceira, "à" é a fusão da preposição "a" (exigida por "diz respeito") com o artigo feminino "a" (configuração). A alternativa E é a única que combina corretamente os três casos, como se prova nos trechos do texto.

O comando da questão

O enunciado pede que você preencha as lacunas "correta e respectivamente", considerando regência verbal e acento indicativo de crase. Isso significa que você deve analisar cada lacuna isoladamente, verificando:

  1. Regência: qual preposição o verbo exige (ou se não exige nenhuma).

  2. Crase: se há fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a" ou com o "a" inicial de pronomes demonstrativos/relativos.

A ordem importa: a primeira lacuna corresponde ao primeiro termo do texto, a segunda ao segundo, e assim por diante.

O texto e as lacunas

No segundo parágrafo, lemos:

"As dificuldades decorrem também do fato de que ___ interpretação dos fósseis é uma tarefa complexa."

Aqui, o verbo "decorrer" rege a preposição "de" (decorrer de algo). A lacuna está após "de que", e o termo seguinte é "interpretação" (substantivo feminino). Como a preposição já é "de", não há espaço para outra preposição "a". Portanto, a lacuna deve ser preenchida apenas com o artigo feminino "a", sem crase, pois não há fusão de preposição com artigo. A forma correta é "a interpretação".

No terceiro parágrafo, encontramos:

"viveu na reta final do período Ediacarano, ___ cerca de 550 milhões de anos."

Aqui, a lacuna exige o verbo "haver" no sentido de tempo decorrido, que é impessoal e invariável. A forma correta é "há" (há cerca de 550 milhões de anos). Não se usa crase antes de verbo, e "a" (preposição) não se aplica aqui, pois não há ideia de movimento ou destino.

No quarto parágrafo, lemos:

"Já a morfologia diz respeito ___ configuração que o organismo realmente tinha."

O verbo "diz respeito" exige a preposição "a" (quem diz respeito, diz respeito a algo). O termo seguinte é "configuração" (substantivo feminino), que admite o artigo feminino "a". Há, portanto, a fusão da preposição "a" com o artigo "a", gerando a crase: "à configuração".

A técnica que decide

A questão mistura dois tópicos: regência verbal e crase. A crase ocorre quando há a fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a" ou com o "a" inicial de pronomes demonstrativos/relativos. Para identificar a crase, é preciso verificar se o verbo ou nome exige a preposição "a" e se o termo seguinte é feminino e admite artigo. No caso da primeira lacuna, o verbo "decorrer" exige "de", não "a", então não há crase. Na segunda, "há" é verbo, e crase antes de verbo é proibida. Na terceira, "diz respeito" exige "a" e "configuração" é feminino com artigo, então há crase.

Análise das alternativas

  1. 1Verbo exige preposição "a"?
  2. 2Termo seguinte é feminino com artigo?
  3. 3Sim p/ ambos → crase (à)
  4. 4Não → sem crase (a)
  5. 5Tempo decorrido → verbo "há"
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A sequência à – a – à erra na primeira lacuna: coloca crase onde não há, pois "decorrer" não exige preposição "a". A forma correta seria "a interpretação", sem acento grave. Além disso, a segunda lacuna "a" está incorreta, pois deveria ser "há" (verbo haver). A terceira lacuna "à" está correta, mas a alternativa como um todo falha.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A sequência a – há – a erra na terceira lacuna: coloca "a" sem crase, mas "diz respeito" exige a preposição "a" e "configuração" é feminino com artigo, então deveria ser "à". As duas primeiras lacunas estão corretas ("a" e "há"), mas a terceira invalida a alternativa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A sequência à – à – a erra na primeira e na segunda lacunas: a primeira não tem crase (deveria ser "a"), e a segunda deveria ser "há" (verbo), não "à". A terceira lacuna "a" também está incorreta, pois deveria ser "à". A alternativa falha em todos os pontos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A sequência a – à – à erra na segunda lacuna: coloca "à" onde deveria ser "há" (verbo haver no sentido de tempo). A primeira lacuna "a" está correta, e a terceira "à" também, mas a segunda invalida a alternativa.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A sequência a – há – à está correta: a primeira lacuna é preposição "a" (sem crase, pois "decorrer" exige "de"); a segunda é o verbo "há" (tempo decorrido); a terceira é "à" (crase, pois "diz respeito" exige "a" + artigo "a" de "configuração"). É a única alternativa que preenche corretamente as três lacunas.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "a" (preposição) e "há" (verbo haver) e entre "a" sem crase e "à" com crase. A primeira lacuna é a mais traiçoeira: muitos candidatos colocam crase por acharem que "decorrer" exige "a", mas o verbo exige "de".

PEGA ESSA DICA!

Para resolver questões de crase, verifique sempre se o verbo ou nome exige a preposição "a" e se o termo seguinte é feminino com artigo. Se não houver preposição, não há crase. E lembre-se: "há" (verbo haver) nunca recebe crase.

Gabarito: letra E — a única sequência que respeita a regência de "decorrer" (a), o uso de "há" para tempo decorrido e a crase obrigatória em "diz respeito à configuração".

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