Lá no fundo está a morte, mas não tenha medo.
Segure o relógio com uma mão, pegue com dois dedos o
pino da corda, puxe‑o suavemente. Agora se abre outro
prazo, as árvores soltam suas folhas, os barcos correm
regata, o tempo como um leque vai se enchendo de si
mesmo e dele brotam o ar, as brisas da terra, a sombra de
uma mulher, o perfume do pão.
Que mais quer, que mais quer? Amarre‑o depressa
a seu pulso, deixe‑o bater em liberdade, imite‑o anelante.
O medo enferruja as âncoras, cada coisa que pôde ser
alcançada e foi esquecida começa a corroer as veias do
relógio, gangrenando o frio sangue de seus pequenos rubis.
E lá no fundo está a morte se não corremos, e chegamos
antes e compreendemos que já não tem importância.
CORTÁZAR, Júlio. Histórias de Cronópios e de famas. São Paulo:
Editora Civilização Brasileira, 1994, p. 33‑34 (com adaptações).
Texto para a questão No trecho “Segure o relógio com uma mão”, o sujeito da forma verbal está
Aexplícito e anteposto ao verbo.
Boculto.
Cindeterminado.
Dcom dois núcleos explícitos, facilmente identificáveis.
Eimplícito, identificável pela flexão do verbo.
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GabaritoE — implícito, identificável pela flexão do verbo.
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Sujeito na forma verbal "Segure" — Gabarito: letra E
Gabarito: letra E. No trecho “Segure o relógio com uma mão”, o sujeito é implícito, identificável pela flexão do verbo: a forma verbal “Segure” está no imperativo afirmativo, 3ª pessoa do singular, e o sujeito é você (elíptico/desinencial). A alternativa E é a única que descreve corretamente esse tipo de sujeito — o chamado sujeito oculto, implícito ou desinencial.
O comando da questão
A questão pergunta “o sujeito da forma verbal está” — ou seja, pede a classificação do sujeito da oração “Segure o relógio com uma mão”. Não se trata de interpretação de texto, mas de análise sintática aplicada a um trecho do texto-base. O verbo está no modo imperativo, e isso é a chave: no imperativo, o sujeito normalmente não vem explícito, mas é perfeitamente identificável pela desinência verbal e pelo contexto.
O texto e a forma verbal
No texto de Cortázar, há uma sequência de instruções: “Segure o relógio com uma mão, pegue com dois dedos o pino da corda, puxe-o suavemente”. Todas essas formas verbais estão no imperativo afirmativo — um modo que expressa ordem, conselho ou pedido. O sujeito dessas formas é a 2ª pessoa do discurso (você), que não está escrita, mas é recuperada pela desinência -e (3ª pessoa do singular do imperativo) e pelo contexto de instrução direta ao leitor.
“Segure o relógio com uma mão, pegue com dois dedos o pino da corda, puxe-o suavemente.”
Aqui, quem deve segurar, pegar e puxar é você — o interlocutor a quem o texto se dirige. Esse sujeito não está explícito na oração, mas é determinado (sabemos exatamente quem é), o que o caracteriza como sujeito oculto/desinencial/implícito.
A técnica que decide
Para classificar o sujeito, faça a pergunta “quem?” antes do verbo:
Quem segura o relógio? → Você (sujeito oculto).
O sujeito é oculto quando não está escrito, mas pode ser identificado pela desinência verbal (a terminação do verbo indica a pessoa) ou pelo contexto. No imperativo, isso é regra: “Segure” só pode ter como sujeito você (ou, em algumas regiões, “tu” — mas a forma “segure” é de 3ª pessoa, correspondente a “você”).
Já o sujeito indeterminado ocorre quando não se pode identificar quem pratica a ação — nem pela desinência, nem pelo contexto. Exemplos: “Falaram bem de você” (3ª pessoa do plural sem referência) ou “Precisa-se de ajudantes” (verbo + se). No trecho, isso não acontece: sabemos exatamente quem deve agir.
Análise das alternativas
Sujeito
1Oculto/desinencial/implícito
Não está escrito
Identificado pela desinência verbal
Identificado pelo contexto
Ex.: "Segure o relógio" → você
2Indeterminado
Não se identifica quem pratica
Nem pela desinência, nem pelo contexto
Ex.: "Falaram bem de você"
3Explícito
Está escrito na oração
Pode ser anteposto ou posposto
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Alternativa A — ❌ Incorreta
“Explícito e anteposto ao verbo.” O sujeito não está explícito — não há um termo como “você” ou “o leitor” antes do verbo. A oração começa diretamente com o verbo “Segure”. Portanto, a alternativa contradiz o texto: afirma que há sujeito explícito, mas ele não aparece.
Alternativa B — ❌ Incorreta
“Oculto.” Esta alternativa está parcialmente correta — o sujeito é, de fato, oculto. Porém, a alternativa B é incompleta: ela não explica como o sujeito é identificado. A alternativa E é mais precisa, pois especifica que a identificação se dá pela flexão do verbo. Em questões de múltipla escolha, quando duas alternativas são semelhantes, a mais completa e específica é a correta. Aqui, a banca pede a classificação completa, e a E oferece isso.
Alternativa C — ❌ Incorreta
“Indeterminado.” O sujeito não é indeterminado. No sujeito indeterminado, não é possível saber quem pratica a ação — nem pela desinência, nem pelo contexto. No trecho, o sujeito é perfeitamente identificável: é você, o interlocutor. A alternativa confunde sujeito oculto com indeterminado — uma pegadinha clássica de prova.
Alternativa D — ❌ Incorreta
“Com dois núcleos explícitos, facilmente identificáveis.” Não há dois núcleos no sujeito — na verdade, não há sujeito explícito algum. A alternativa extrapola completamente: inventa uma estrutura que não existe no trecho. O sujeito é simples e oculto, não composto.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
“Implícito, identificável pela flexão do verbo.” Esta é a definição exata de sujeito oculto/desinencial/implícito. O sujeito não está escrito (implícito), mas a desinência verbal “-e” (3ª pessoa do singular do imperativo) e o contexto de instrução revelam que o sujeito é você. A alternativa E é a única que descreve com precisão o tipo de sujeito presente no trecho.
PEGA ESSA DICA!
Em questões sobre sujeito, sempre pergunte: “Quem pratica a ação?” Se a resposta for identificável pela desinência ou pelo contexto, é oculto. Se não for identificável, é indeterminado. No imperativo, o sujeito é quase sempre oculto.
Conclusão
A questão testa a diferença entre sujeito oculto e sujeito indeterminado. No trecho, o verbo “Segure” está no imperativo, e o sujeito é você — implícito, mas identificável pela flexão verbal. A alternativa E é a única que capta essa distinção com precisão.