Questão de Português — Orações Subordinadas Substantivas — Quadrix 2025
Português›Orações Subordinadas Substantivas
Código
qa674641
Banca
Quadrix
Órgão
CORE SP
Ano
2025
Cargo
Ana TI ( )
Instruções para dar corda no relógio
Lá no fundo está a morte, mas não tenha medo.
Segure o relógio com uma mão, pegue com dois dedos o
pino da corda, puxe‑o suavemente. Agora se abre outro
prazo, as árvores soltam suas folhas, os barcos correm
regata, o tempo como um leque vai se enchendo de si
mesmo e dele brotam o ar, as brisas da terra, a sombra de
uma mulher, o perfume do pão.
Que mais quer, que mais quer? Amarre‑o depressa
a seu pulso, deixe‑o bater em liberdade, imite‑o anelante.
O medo enferruja as âncoras, cada coisa que pôde ser
alcançada e foi esquecida começa a corroer as veias do
relógio, gangrenando o frio sangue de seus pequenos rubis.
E lá no fundo está a morte se não corremos, e chegamos
antes e compreendemos que já não tem importância.
CORTÁZAR, Júlio. Histórias de Cronópios e de famas. São Paulo:
Editora Civilização Brasileira, 1994, p. 33‑34 (com adaptações).
Texto para a questão No período “e chegamos antes e compreendemos que já não tem importância”, é correto afirmar que a palavra “que”
Aintroduz uma oração de valor adjetivo restritivo.
Bintroduz uma oração de valor adjetivo explicativo.
Cintroduz uma oração que é parte integrante da oração principal e possui valor de sujeito.
Dintroduz uma oração que é parte integrante da oração principal e possui valor de objeto direto.
Eintroduz uma oração que funciona como um adjunto da oração principal, com valor adverbial.
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GabaritoD — introduz uma oração que é parte integrante da oração principal e possui valor de objeto direto.
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Orações subordinadas substantivas: o valor do "que" em "compreendemos que já não tem importância"
Gabarito: letra D. No trecho, a oração introduzida por "que" — "que já não tem importância" — exerce a função de objeto direto do verbo "compreendemos", pois pode ser substituída por "isso": "compreendemos isso". A palavra "que" é uma conjunção integrante, que liga a oração subordinada substantiva à principal, sem função sintática própria dentro dela. Como se lê no trecho: "e chegamos antes e compreendemos que já não tem importância".
O comando da questão
A questão pede que se identifique a função sintática da oração introduzida por "que" no período destacado. Isso é uma tarefa de análise sintática do período composto por subordinação, não de interpretação de sentido. O verbo "compreender" é transitivo direto — quem compreende, compreende algo. Esse "algo" é exatamente a oração que vem depois do "que".
A técnica que decide
O método clássico para classificar orações subordinadas substantivas é a substituição por "isso" (ou "isto"). Se a oração puder ser trocada por "isso" sem prejuízo de sentido, ela é substantiva. Depois, basta ver qual função sintática ela exerce em relação ao verbo da oração principal:
Se o verbo da principal é transitivo direto (pede objeto direto, sem preposição), a oração é objetiva direta.
Se o verbo é transitivo indireto (pede preposição), a oração é objetiva indireta.
Se a oração funciona como sujeito do verbo da principal, é subjetiva.
No trecho, "compreendemos" pede complemento sem preposição: compreendemos algo. Esse "algo" é a oração "que já não tem importância". Logo, a oração é objetiva direta.
A pegadinha da banca
A banca mistura as três grandes famílias de orações subordinadas: substantivas (função de substantivo), adjetivas (função de adjetivo, introduzidas por pronome relativo) e adverbiais (função de advérbio, introduzidas por conjunção adverbial). A armadilha está em confundir o "que" conjunção integrante (que introduz oração substantiva) com o "que" pronome relativo (que introduz oração adjetiva) ou com o "que" conjunção adverbial (que introduz oração adverbial).
NÃO CAIA NESSA!
A banca aposta na confusão entre o "que" conjunção integrante (substantiva) e o "que" pronome relativo (adjetiva). A dica infalível: se a oração pode ser trocada por "isso", é substantiva; se o "que" pode ser trocado por "o qual/a qual", é adjetiva.
Análise das alternativas
Orações subordinadas: Substantivas (troca por "isso") (Subjetiva (sujeito), Objetiva direta (complemento sem preposição), Objetiva indireta (complemento com preposição)); Adjetivas (troca por "o qual") (Restritiva, Explicativa); Adverbiais (circunstância) (Tempo, causa, condição...)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: troca de conceito. A oração adjetiva restritiva é introduzida por pronome relativo e restringe o sentido de um substantivo antecedente. No trecho, o "que" não retoma nenhum substantivo — ele introduz uma oração que completa o sentido do verbo "compreendemos". Não há valor adjetivo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: troca de conceito. A oração adjetiva explicativa também é introduzida por pronome relativo e, além disso, vem separada por vírgulas. No trecho, não há vírgula antes do "que" e não há substantivo antecedente sendo explicado. A oração é substantiva, não adjetiva.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: troca de conceito. A oração subjetiva funciona como sujeito do verbo da oração principal. Para isso, o verbo da principal estaria na 3ª pessoa do singular, sem sujeito explícito (ex.: "É importante que você estude"). No trecho, o sujeito de "compreendemos" é "nós" (desinencial), e a oração "que já não tem importância" é o objeto direto, não o sujeito.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A oração "que já não tem importância" é parte integrante da oração principal (é um termo essencial, não acessório) e exerce a função de objeto direto do verbo "compreendemos". A prova é a substituição: "compreendemos isso". O "que" é conjunção integrante, sem função sintática própria.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: troca de conceito. A oração adverbial funciona como adjunto adverbial, expressando circunstância (tempo, causa, condição etc.). No trecho, a oração não indica circunstância alguma — ela completa o sentido do verbo transitivo direto. Não há valor adverbial.
Conclusão
A questão se resolve com o teste da substituição por "isso" e a identificação da transitividade do verbo. "Compreender" é transitivo direto; logo, a oração que o completa é objetiva direta. As alternativas A, B e E confundem a oração substantiva com adjetiva e adverbial; a C confunde objeto direto com sujeito.
PEGA ESSA DICA!
Ao classificar orações subordinadas, pergunte primeiro: "o 'que' pode ser trocado por 'isso'?" Se sim, é substantiva. Depois, verifique a transitividade do verbo da principal para decidir entre subjetiva, objetiva direta, objetiva indireta etc.