Questão de Português — Orações Coordenadas — Quadrix 2025
Português›Orações Coordenadas
Código
qa674642
Banca
Quadrix
Órgão
CORE SP
Ano
2025
Cargo
Ana TI ( )
Instruções para dar corda no relógio
Lá no fundo está a morte, mas não tenha medo.
Segure o relógio com uma mão, pegue com dois dedos o
pino da corda, puxe‑o suavemente. Agora se abre outro
prazo, as árvores soltam suas folhas, os barcos correm
regata, o tempo como um leque vai se enchendo de si
mesmo e dele brotam o ar, as brisas da terra, a sombra de
uma mulher, o perfume do pão.
Que mais quer, que mais quer? Amarre‑o depressa
a seu pulso, deixe‑o bater em liberdade, imite‑o anelante.
O medo enferruja as âncoras, cada coisa que pôde ser
alcançada e foi esquecida começa a corroer as veias do
relógio, gangrenando o frio sangue de seus pequenos rubis.
E lá no fundo está a morte se não corremos, e chegamos
antes e compreendemos que já não tem importância.
CORTÁZAR, Júlio. Histórias de Cronópios e de famas. São Paulo:
Editora Civilização Brasileira, 1994, p. 33‑34 (com adaptações).
Texto para a questão “Agora se abre outro prazo, as árvores soltam suas folhas, os barcos correm regata, o tempo como um leque vai se enchendo de si mesmo.” As vírgulas nesse trecho foram empregadas para separar
Ao sujeito do verbo.
Bo verbo do complemento.
Corações coordenadas assindéticas.
Dorações subordinadas adverbiais.
Eo aposto do resto da frase.
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GabaritoC — orações coordenadas assindéticas.
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Uso da vírgula em orações coordenadas assindéticas
Gabarito: letra C. As vírgulas do trecho separam orações coordenadas assindéticas, ou seja, orações sintaticamente independentes, justapostas sem conjunção. A prova está na própria estrutura do período: cada bloco tem sujeito e verbo próprios e poderia formar uma frase isolada, como se vê em "as árvores soltam suas folhas" e "os barcos correm regata".
O comando pede que você identifique a função das vírgulas no trecho destacado. Isso é uma questão de pontuação aplicada à sintaxe: não se trata de interpretar o sentido, mas de reconhecer o que as vírgulas estão separando. A banca mistura termos da análise sintática da oração (sujeito, verbo, complemento, aposto) e tipos de oração (coordenada, subordinada adverbial) para testar se você sabe distinguir coordenação de subordinação e se reconhece a vírgula como marca de enumeração de orações.
No trecho, temos quatro orações justapostas, todas com estrutura completa:
"Agora se abre outro prazo, as árvores soltam suas folhas, os barcos correm regata, o tempo como um leque vai se enchendo de si mesmo."
Cada uma delas tem sujeito e predicado próprios: "outro prazo" (sujeito) + "se abre" (verbo); "as árvores" + "soltam"; "os barcos" + "correm"; "o tempo" + "vai se enchendo". Nenhuma exerce função sintática em relação à outra — são independentes. Quando orações independentes vêm uma ao lado da outra sem conjunção (sem "e", "mas", "porque" etc.), chamam-se coordenadas assindéticas, e a vírgula é o sinal que as separa. É exatamente o caso clássico de enumeração de orações.
A armadilha central está em confundir coordenação com subordinação. Na coordenação, as orações são autônomas; na subordinação, uma depende da outra e exerce função sintática (sujeito, objeto, adjunto adverbial etc.). Aqui não há conjunção subordinativa (como "quando", "porque", "embora") nem relação de dependência: cada oração sobrevive sozinha. Por isso a alternativa D, que fala em "subordinadas adverbiais", está errada — faltaria um conectivo subordinativo e uma relação de circunstância.
NÃO CAIA NESSA!
A banca oferece termos da análise interna da oração (sujeito, verbo, complemento, aposto) para você marcar sem perceber que as vírgulas estão separando orações inteiras, não partes de uma oração. A alternativa D tenta atrair quem confunde coordenação com subordinação.
PEGA ESSA DICA!
Ao ver vírgulas separando blocos com verbo, teste se cada bloco tem sentido completo sozinho. Se sim, são orações coordenadas assindéticas — a vírgula as separa. Se um bloco depender do outro, é subordinação.
1Localizar os verbos
2Verificar sujeito próprio em cada bloco
3Testar independência sintática
4Confirmar ausência de conjunção
5Concluir: coordenadas assindéticas
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A vírgula nunca separa sujeito de verbo — isso é erro de pontuação. No trecho, as vírgulas estão entre orações, não entre o sujeito e o predicado de uma mesma oração. Em "as árvores soltam suas folhas", não há vírgula entre "as árvores" e "soltam". A alternativa tangencia o assunto ao citar um termo da oração que não é o que as vírgulas separam.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Vírgula também não separa verbo de complemento. Em "soltam suas folhas", não há vírgula entre o verbo "soltam" e o objeto "suas folhas". A alternativa contradiz a função da vírgula, que jamais separa termos que se completam sintaticamente. As vírgulas do trecho estão entre orações, não dentro delas.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
As vírgulas separam orações coordenadas assindéticas: "Agora se abre outro prazo", "as árvores soltam suas folhas", "os barcos correm regata", "o tempo como um leque vai se enchendo de si mesmo". Cada oração é sintaticamente independente, com sujeito e predicado próprios, e estão justapostas sem conjunção. A vírgula é o recurso que as enumera, exatamente como se faz com termos de mesma função. É o uso clássico da vírgula para separar orações coordenadas assindéticas.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Não há orações subordinadas adverbiais no trecho. Para haver subordinação adverbial, seria necessária uma conjunção subordinativa (como "quando", "porque", "embora") e uma relação de circunstância (tempo, causa, condição etc.). Aqui as orações são independentes e não há conectivo. A alternativa extrapola ao classificar como subordinadas orações que são claramente coordenadas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Não há aposto no trecho. Aposto é um termo que explica ou especifica outro, geralmente entre vírgulas, como em "Cortázar, o escritor argentino, escreveu...". No trecho, as vírgulas não isolam nenhum termo explicativo; separam orações. A alternativa tangencia ao citar um termo acessório que não aparece no período.
Conclusão: a única leitura que o texto autoriza é a de orações coordenadas assindéticas separadas por vírgula. As demais alternativas ou citam termos que não estão sendo separados (sujeito, verbo, complemento, aposto) ou classificam as orações como subordinadas sem base sintática. Gabarito: letra C.