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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FUNDATEC 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa674858
Banca
FUNDATEC
Órgão
CBM RS
Ano
2025
Cargo
Sold Bomb ( )

Considere o texto a seguir para responder a questão

 

O legado do incêndio das Lojas Renner em Porto Alegre Por Juliana Bublitz 

 

___ 14h8min de 27 de abril de 1976 os telefones da central do Corpo de Bombeiros da Capital começaram a tocar sem trégua. Em desespero, anônimos pediam socorro diante daquela que seria a maior tragédia da história recente de Porto Alegre. Há quase 50 anos, o prédio das Lojas Renner, no centro da cidade, era consumido pelo fogo. Avisado por um mensageiro (não existiam telefones celulares), o então prefeito da Capital, Guilherme Socias Villela, hoje com 85 anos, chegou ao local quando a tragédia já estava consumada. Era inevitável, recorda Villela, pensar nos casos dos edifícios Andraus e Joelma, ocorridos em São Paulo anos antes. O enredo se repetia.

 

Depois da catástrofe, a necessidade de ampliar a segurança contra incêndios — algo ainda pouco debatido naquele tempo — passou ___ pauta do dia em Porto Alegre. Até então, segundo o tenente-coronel Eduardo Estevam Rodrigues, comandante do 1º Batalhão de Bombeiro Militar, responsável pela Capital, o Rio Grande do Sul não tinha legislação específica sobre o tema.

 

Desde o início da década de 1970, as áreas centrais das metrópoles brasileiras se verticalizavam. Grandes prédios eram sinônimo de progresso e de modernidade, mas as leis não acompanhavam a transformação urbana na mesma velocidade e a maioria carecia de cuidados que hoje são básicos (como a presença de extintores adequados e em número suficiente).

 

A partir das tragédias nos edifícios Andraus e Joelma, cidades como São Paulo e Rio de Janeiro assumiram ___ frente nesse processo. Porto Alegre só tomaria parte no debate após o desastre de 1976. A primeira providência envolveu o lançamento de uma campanha, liderada por empresários e veículos de imprensa, destinada a angariar fundos para custear a instalação de novos hidrantes na Capital. Cerca de mil unidades foram criadas. Na sequência, ainda em 1976, o prefeito Villela sancionaria as leis complementares nº 30, estabelecendo normas de proteção contra incêndios, e nº 28, dispondo sobre a necessidade de vistoria obrigatória em prédios para a verificação dessas medidas. Também foi estabelecido um código para instalações prediais de água e esgoto.

 

— Com isso, passaram a ser exigidos hidrantes externos e internos, extintores de incêndio e saídas de emergência. Percebeu-se que o centro oferecia um risco agregado já que havia concentração de grandes complexos prediais e de pessoas em espaços limitados. Os bombeiros participaram ativamente disso e também se reestruturaram — diz o tenente-coronel Estevam.

 

Mas, afinal, qual foi a causa do incêndio? Antes mesmo da extinção do fogo, uma equipe do Instituto de Criminalística — hoje Instituto Geral de Perícias (IGP) — deu início aos trabalhos para descobrir a origem das chamas.

 

O esforço está descrito em um documento de 24 páginas, guardado nos arquivos do IGP. Nele, os peritos concluíram que a tragédia foi provocada pela “ação de corpo ígneo (cigarro, palito de fósforo, etc.) caído ou lançado, acidental e propositalmente sobre material combustível”. Eles também identificaram “insuficiência de meios de prevenção” e “deficiências arquitetônicas”. O que restou do prédio destroçado foi implodido e deu lugar a um novo edifício, concebido de forma a garantir segurança.

 

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/porto-alegre/noticia/2021/04/incendio-que-abalou-porto-alegre-

completa-45-anos-com-legado-de-licoes-cknyzrm5l008l0198l6fxkhfl.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o exposto pelo texto, analise as assertivas a seguir:

 

I. Até o incêndio das Lojas Renner, a capital dos gaúchos não possuía leis que regulamentassem a prevenção contra incêndios, o que já havia começado a se modificar em outras capitais.

 

II. Entre as leis sancionadas pelo então prefeito da cidade, está a lei complementar nº 30 que tornava obrigatória a vistoria em prédios da capital e as instalações prediais de água e esgoto.

 

III. A perícia não conseguiu indicar se o incêndio das Lojas Renner havia sido um caso fortuito, mas foi possível identificar que não havia meios de prevenção suficientes no local.

 

Quais estão corretas?

  1. AApenas I e II.
  2. BApenas I e III.
  3. CApenas II e III.
  4. DI, II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Apenas I e III.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O legado do incêndio das Lojas Renner: compreensão e inferência

Gabarito: letra B (Apenas I e III). A assertiva I é correta porque o texto afirma que, até o incêndio, o Rio Grande do Sul não tinha legislação específica sobre prevenção contra incêndios, enquanto outras capitais já haviam tomado a frente. A assertiva III é correta porque a perícia não conseguiu determinar se o incêndio foi acidental ou proposital, mas identificou insuficiência de meios de prevenção. A assertiva II é incorreta porque inverte a atribuição das leis: a lei complementar nº 30 estabelecia normas de proteção contra incêndios, e a nº 28 dispunha sobre a vistoria obrigatória.

O comando pede que se analisem as assertivas considerando o exposto pelo texto. Isso significa que a resposta deve ser encontrada por compreensão (informação explícita) ou por inferência (dedução ancorada em pistas do texto), mas nunca por extrapolação. A banca mistura os dois modos: a assertiva I exige uma inferência leve (comparar a situação do RS com a de outras capitais), enquanto a II e a III são de compreensão direta.

O texto narra o incêndio de 1976 e seu legado. O ponto central para a questão está no segundo parágrafo, que afirma que o RS não tinha legislação específica sobre o tema, e no quarto parágrafo, que descreve as leis sancionadas. A perícia, no último parágrafo, concluiu que o incêndio foi provocado por "ação de corpo ígneo... caído ou lançado, acidental e propositalmente", ou seja, não houve determinação de uma única causa, mas apontou "insuficiência de meios de prevenção".

A técnica para resolver é: confrontar cada assertiva com o texto, palavra por palavra. Desconfie de trocas de atribuições (como na II), de quantificadores absolutos (como "não possuía leis" na I, que precisa ser verificado com cuidado) e de conclusões que vão além do que o texto diz (como na III, que afirma que a perícia não conseguiu indicar se foi caso fortuito — o texto diz que a causa poderia ser acidental ou proposital, mas não que a perícia não conseguiu indicar).

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca as atribuições das leis complementares nº 30 e nº 28. A nº 30 estabelecia normas de proteção contra incêndios; a nº 28 dispunha sobre a vistoria obrigatória. A assertiva II inverte isso, e quem não relê o trecho com atenção marca a alternativa errada.

Item I — ✅ Correto

A assertiva I afirma que, até o incêndio, a capital dos gaúchos não possuía leis que regulamentassem a prevenção contra incêndios, o que já havia começado a se modificar em outras capitais. O texto confirma:

"Até então, segundo o tenente-coronel Eduardo Estevam Rodrigues... o Rio Grande do Sul não tinha legislação específica sobre o tema."

E também:

"A partir das tragédias nos edifícios Andraus e Joelma, cidades como São Paulo e Rio de Janeiro assumiram a frente nesse processo. Porto Alegre só tomaria parte no debate após o desastre de 1976."

A primeira parte é compreensão direta: o RS não tinha legislação específica. A segunda parte é uma inferência legítima: se outras cidades "assumiram a frente" e Porto Alegre "só tomaria parte depois", então a modificação já havia começado em outras capitais. Não há extrapolação, pois o texto autoriza essa conclusão.

Item II — ❌ Incorreta

A assertiva II afirma que a lei complementar nº 30 tornava obrigatória a vistoria em prédios e as instalações prediais de água e esgoto. O texto diz o contrário:

"o prefeito Villela sancionaria as leis complementares nº 30, estabelecendo normas de proteção contra incêndios, e nº 28, dispondo sobre a necessidade de vistoria obrigatória em prédios para a verificação dessas medidas. Também foi estabelecido um código para instalações prediais de água e esgoto."

A lei nº 30 estabelecia normas de proteção contra incêndios; a nº 28 dispunha sobre a vistoria obrigatória. O código de instalações prediais de água e esgoto foi estabelecido separadamente, não pela nº 30. A assertiva contradiz o texto ao atribuir à nº 30 o que é da nº 28.

Item III — ✅ Correta

A assertiva III afirma que a perícia não conseguiu indicar se o incêndio havia sido um caso fortuito, mas identificou que não havia meios de prevenção suficientes. O texto confirma:

"os peritos concluíram que a tragédia foi provocada pela 'ação de corpo ígneo (cigarro, palito de fósforo, etc.) caído ou lançado, acidental e propositalmente sobre material combustível'. Eles também identificaram 'insuficiência de meios de prevenção' e 'deficiências arquitetônicas'."

A expressão "acidental e propositalmente" indica que a perícia não determinou se foi um caso fortuito (acidental) ou intencional (proposital). E a "insuficiência de meios de prevenção" confirma a segunda parte. A assertiva é uma paráfrase fiel do trecho.

Conclusão: os itens corretos são I e III, portanto a resposta é a letra B. A regra de ouro: ao analisar assertivas sobre um texto, confronte cada afirmação com o trecho exato — se houver qualquer incompatibilidade, a assertiva é falsa. A banca adora trocar atribuições e inverter sentidos, então leia com atenção redobrada quando houver leis, números ou nomes próprios.

Gabarito: letra B

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