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Questão de Português — Conjunção — FUNDATEC 2025

PortuguêsConjunção
Código
qa674863
Banca
FUNDATEC
Órgão
CBM RS
Ano
2025
Cargo
Sold Bomb ( )

Considere o texto a seguir para responder a questão

 

O legado do incêndio das Lojas Renner em Porto Alegre Por Juliana Bublitz 

 

___ 14h8min de 27 de abril de 1976 os telefones da central do Corpo de Bombeiros da Capital começaram a tocar sem trégua. Em desespero, anônimos pediam socorro diante daquela que seria a maior tragédia da história recente de Porto Alegre. Há quase 50 anos, o prédio das Lojas Renner, no centro da cidade, era consumido pelo fogo. Avisado por um mensageiro (não existiam telefones celulares), o então prefeito da Capital, Guilherme Socias Villela, hoje com 85 anos, chegou ao local quando a tragédia já estava consumada. Era inevitável, recorda Villela, pensar nos casos dos edifícios Andraus e Joelma, ocorridos em São Paulo anos antes. O enredo se repetia.

 

Depois da catástrofe, a necessidade de ampliar a segurança contra incêndios — algo ainda pouco debatido naquele tempo — passou ___ pauta do dia em Porto Alegre. Até então, segundo o tenente-coronel Eduardo Estevam Rodrigues, comandante do 1º Batalhão de Bombeiro Militar, responsável pela Capital, o Rio Grande do Sul não tinha legislação específica sobre o tema.

 

Desde o início da década de 1970, as áreas centrais das metrópoles brasileiras se verticalizavam. Grandes prédios eram sinônimo de progresso e de modernidade, mas as leis não acompanhavam a transformação urbana na mesma velocidade e a maioria carecia de cuidados que hoje são básicos (como a presença de extintores adequados e em número suficiente).

 

A partir das tragédias nos edifícios Andraus e Joelma, cidades como São Paulo e Rio de Janeiro assumiram ___ frente nesse processo. Porto Alegre só tomaria parte no debate após o desastre de 1976. A primeira providência envolveu o lançamento de uma campanha, liderada por empresários e veículos de imprensa, destinada a angariar fundos para custear a instalação de novos hidrantes na Capital. Cerca de mil unidades foram criadas. Na sequência, ainda em 1976, o prefeito Villela sancionaria as leis complementares nº 30, estabelecendo normas de proteção contra incêndios, e nº 28, dispondo sobre a necessidade de vistoria obrigatória em prédios para a verificação dessas medidas. Também foi estabelecido um código para instalações prediais de água e esgoto.

 

— Com isso, passaram a ser exigidos hidrantes externos e internos, extintores de incêndio e saídas de emergência. Percebeu-se que o centro oferecia um risco agregado já que havia concentração de grandes complexos prediais e de pessoas em espaços limitados. Os bombeiros participaram ativamente disso e também se reestruturaram — diz o tenente-coronel Estevam.

 

Mas, afinal, qual foi a causa do incêndio? Antes mesmo da extinção do fogo, uma equipe do Instituto de Criminalística — hoje Instituto Geral de Perícias (IGP) — deu início aos trabalhos para descobrir a origem das chamas.

 

O esforço está descrito em um documento de 24 páginas, guardado nos arquivos do IGP. Nele, os peritos concluíram que a tragédia foi provocada pela “ação de corpo ígneo (cigarro, palito de fósforo, etc.) caído ou lançado, acidental e propositalmente sobre material combustível”. Eles também identificaram “insuficiência de meios de prevenção” e “deficiências arquitetônicas”. O que restou do prédio destroçado foi implodido e deu lugar a um novo edifício, concebido de forma a garantir segurança.

 

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/porto-alegre/noticia/2021/04/incendio-que-abalou-porto-alegre-

completa-45-anos-com-legado-de-licoes-cknyzrm5l008l0198l6fxkhfl.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que indica o sentido correto da locução conjuntiva “já que” no trecho a seguir:

 

“o centro oferecia um risco agregado já que havia concentração de grandes complexos prediais”.


  1. ACausa.
  2. BConsequência.
  3. CConcessão.
  4. DComparação.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Causa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O valor semântico de “já que”: causa, não consequência

Gabarito: letra A. No trecho “o centro oferecia um risco agregado já que havia concentração de grandes complexos prediais”, a locução conjuntiva “já que” introduz a causa do risco: é porque havia concentração de prédios e pessoas que o centro oferecia risco. A oração “já que havia concentração...” explica o motivo da afirmação anterior, e não o seu efeito. Essa é a leitura que o próprio texto autoriza, como se vê no parágrafo em que o tenente-coronel Estevam explica: “Percebeu-se que o centro oferecia um risco agregado já que havia concentração de grandes complexos prediais e de pessoas em espaços limitados.”

A questão é de gramática aplicada ao texto: não se trata de decorar uma lista de conjunções, mas de reconhecer, no contexto, qual relação lógica o conectivo estabelece entre as orações. O comando pede o “sentido correto da locução conjuntiva”, ou seja, o valor semântico que “já que” assume naquele trecho específico. Para resolver, basta inverter a lógica: o que é causa e o que é consequência? A concentração de prédios e pessoas causa o risco; o risco é a consequência dessa concentração. A locução “já que” liga a consequência (risco) à sua causa (concentração), por isso é causal.

A locução “já que” é tradicionalmente classificada como conjunção subordinativa causal, equivalente a “porque”, “visto que”, “uma vez que”. Ela inicia uma oração que exprime a razão, o motivo do que se afirma na oração principal. No trecho, a oração principal é “o centro oferecia um risco agregado”; a oração subordinada é “já que havia concentração de grandes complexos prediais”. Esta segunda oração responde à pergunta “por que o centro oferecia risco?” — e a resposta é a causa. Não há qualquer ideia de oposição (concessão), de comparação ou de efeito (consequência).

A banca monta a pegadinha clássica: oferece “consequência” como distrator, porque causa e consequência são faces da mesma moeda. Mas a direção da relação é o que decide: se “já que” introduzisse a consequência, o trecho diria algo como “havia concentração de prédios, já que o centro oferecia risco” — o que inverteria a lógica e não faria sentido. No texto, a ordem é: causa (concentração) → efeito (risco). A locução “já que” marca exatamente a causa.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar o valor de um conectivo, pergunte: “essa oração responde a por quê (causa), a para quê (finalidade), a em que condições (condição) ou a apesar de quê (concessão)?”. Se responde a “por quê”, é causal.

  1. 1Localize a oração do conectivo
  2. 2Pergunte: responde a quê?
  3. 3Por quê → causa
  4. 4Para quê → finalidade
  5. 5Em que condições → condição
  6. 6Apesar de quê → concessão
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A locução “já que” é causal: introduz a causa do risco. No trecho, a oração “já que havia concentração de grandes complexos prediais” explica por que o centro oferecia risco. É o mesmo valor de “porque”, “visto que”, “uma vez que”. A passagem do texto confirma: “Percebeu-se que o centro oferecia um risco agregado já que havia concentração de grandes complexos prediais e de pessoas em espaços limitados.” A concentração é o motivo; o risco é o efeito.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa inverte a relação de causa e efeito. Se “já que” fosse consecutivo, o trecho diria que a concentração de prédios era consequência do risco — o que é ilógico. No texto, a concentração é a causa do risco, não o seu resultado. A banca explora exatamente a confusão entre os dois polos da relação: causa e consequência são conceitos correlatos, mas a direção é oposta. Aqui, a oração introduzida por “já que” responde a “por quê?”, não a “o que resultou?”.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Concessão expressa quebra de expectativa, oposição: “embora”, “ainda que”, “mesmo que”. No trecho, não há qualquer ideia de obstáculo ou ressalva. O centro oferecia risco porque havia concentração — e não apesar de haver concentração. A relação é de causa, não de concessão. A alternativa tangencia o tema ao citar um valor semântico que a locução “já que” não assume nesse contexto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Comparação estabelece paralelo entre dois elementos: “como”, “tal qual”, “mais que”. No trecho, não há comparação entre o risco e a concentração; há uma relação de causa e efeito. A alternativa extrapola ao atribuir à locução um valor que ela não tem no contexto. “Já que” não compara nada; ela justifica.

Gabarito: letra A. A regra de ouro: conectivo não se classifica no vácuo — o contexto decide. Teste sempre substituindo por um sinônimo: se “já que” pode ser trocado por “porque” sem alterar o sentido, é causal.

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