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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — FUNDATEC 2025

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
qa674924
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Estação
Ano
2025
Cargo
Ana Adm ( )

Trânsito lento é o novo normal

 

Por Antônio Carlos Macedo

 

O motorista liga a seta, indicando que pretende entrar na faixa da direita. O vizinho ao lado, em vez de ceder espaço, acelera para bloquear a manobra. Na sinaleira, mal o sinal abre e a buzina já ecoa, impaciente, mesmo que todos saibam que o barulho não fará os carros andarem mais rápido. Diante da faixa de pedestres, raros são os condutores que cedem a passagem. Quem arrisca parar se expõe ao risco de uma batida na traseira por um motorista distraído e/ou apressado. Em meio à lentidão, o motociclista, irritado com a falta de espaço, chuta o retrovisor de um automóvel.

 

Parece que a hostilidade das redes sociais migrou para o asfalto. O trânsito, espaço de interação contínua, tornou-se palco de reações cada vez mais irracionais. Motoristas estão levando para o volante as frustrações do cotidiano, transformando o deslocamento diário em um campo minado de estresse e agressividade.

 

A verdade é que o quadro mudou — e muitos ainda não se deram conta disso. A frota de veículos explodiu nas últimas décadas. No Rio Grande do Sul, por exemplo, circulavam 2,6 milhões de carros em 1997. Hoje, são 7,6 milhões — um aumento de 5 milhões em apenas 28 anos. Só em 2024, foram emplacados 198.804 novos veículos no estado. Se colocados em fila, ocupariam 795 quilômetros — distância maior que a entre Porto Alegre e Curitiba. Enquanto isso, a malha viária permanece praticamente a mesma, com melhorias pontuais incapazes de acompanhar o crescimento da frota. Mas muitas pessoas ainda saem de casa esperando a circulação tranquila de anos atrás. Ao se depararem com a tranqueira, a frustração se transforma em fúria, que se espalha como um vírus entre os condutores.

 

Diante desse cenário, a única saída é a adaptação. Precisamos aceitar que trânsito lento é o novo normal. A irritação e a agressividade não vão fazer os veículos andarem mais rápido. Pelo contrário, tais reações apenas aumentam o risco de acidentes e brigas. A situação não permite mais o luxo de ser impaciente. Ou a gente se adapta, ou viveremos em constante guerra. O trânsito não vai melhorar, mas a maneira de encará-lo, sim.

 

(Disponível em: //gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/antonio-carlos-macedo/noticia/2025/08/transito-lento-eo- novo-normal-cmeitaro300po011inbqd81dq.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

No trecho: “Ou a gente se adapta, ou viveremos em constante guerra”, o pronome “a gente” refere-se:
  1. AApenas aos motoristas agressivos.
  2. BÀ população em geral, usuários do trânsito.
  3. CExclusivamente aos motoristas de Porto Alegre.
  4. DAos órgãos que fiscalizam a violência no trânsito.
  5. EExclusivamente às pessoas que precisam ser mais pacientes no trânsito.
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GabaritoB — À população em geral, usuários do trânsito.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Referência do pronome “a gente” — Gabarito: letra B.

O pronome “a gente” refere-se à população em geral, usuários do trânsito, como se comprova no último parágrafo do texto, em que o autor faz um apelo coletivo: “Precisamos aceitar que trânsito lento é o novo normal” e “Ou a gente se adapta, ou viveremos em constante guerra”. O pronome “a gente” é uma forma coloquial de “nós”, e o contexto mostra que o autor se inclui e inclui todos os leitores, não apenas um grupo específico.

O comando da questão

A questão pede para identificar o referente do pronome “a gente” no trecho destacado. Isso é uma questão de coesão referencial: o pronome retoma (ou, neste caso, aponta para) um conjunto de pessoas. A tarefa é descobrir a quem o autor se dirige ou a quem ele se refere ao usar essa expressão. Não se trata de interpretar uma ideia implícita, mas de reconhecer o alcance do pronome no contexto.

O texto e o movimento argumentativo

O texto é um artigo de opinião sobre o trânsito lento. O autor descreve cenas de agressividade no trânsito, analisa o crescimento da frota de veículos e conclui que a única saída é a adaptação. No último parágrafo, ele faz um apelo direto ao leitor:

“Diante desse cenário, a única saída é a adaptação. Precisamos aceitar que trânsito lento é o novo normal. A irritação e a agressividade não vão fazer os veículos andarem mais rápido. Pelo contrário, tais reações apenas aumentam o risco de acidentes e brigas. A situação não permite mais o luxo de ser impaciente. Ou a gente se adapta, ou viveremos em constante guerra. O trânsito não vai melhorar, mas a maneira de encará-lo, sim.”

O uso de “Precisamos” (1ª pessoa do plural) e “a gente” (equivalente coloquial de “nós”) mostra que o autor se inclui no grupo a que se dirige. Ele não fala apenas com motoristas agressivos, nem com um grupo restrito: fala com todos que enfrentam o trânsito diariamente. A expressão “usuários do trânsito” abrange motoristas, motociclistas, pedestres, passageiros — todos que convivem com o problema descrito.

A técnica que decide

Em questões de coesão referencial, o referente de um pronome é determinado pelo contexto e pela intenção do autor. Aqui, o pronome “a gente” não retoma um termo específico citado antes (como “motoristas” ou “condutores”), mas funciona como um pronome indefinido que designa um conjunto amplo de pessoas — inclusive o próprio autor e o leitor. A alternativa correta é a que não restringe esse conjunto.

As alternativas incorretas cometem o erro de restringir o alcance do pronome, atribuindo-lhe um referente específico que o texto não autoriza. Vejamos cada uma:

Alternativa A — ❌ Incorreta

“Apenas aos motoristas agressivos.”

O texto fala de motoristas agressivos, mas o pronome “a gente” não se limita a eles. O autor diz “Precisamos aceitar” e “Ou a gente se adapta” — um apelo a todos, não apenas aos agressivos. A alternativa restringe indevidamente o referente, transformando um grupo amplo em um subgrupo específico. Erro: restrição (generalização indevida).

Alternativa B — ✅ Correta

“À população em geral, usuários do trânsito.”

Esta é a única alternativa que não restringe o alcance do pronome. O texto trata do trânsito como um problema coletivo: “O trânsito, espaço de interação contínua, tornou-se palco de reações cada vez mais irracionais”. O autor conclui com um apelo a todos: “Ou a gente se adapta, ou viveremos em constante guerra”. O pronome “a gente” abrange motoristas, motociclistas, pedestres — todos os usuários do trânsito, incluindo o próprio autor. Correta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“Exclusivamente aos motoristas de Porto Alegre.”

O texto menciona o Rio Grande do Sul e Porto Alegre como exemplos, mas o apelo final é geral, não restrito a uma cidade. O autor fala de “trânsito lento é o novo normal” como um fenômeno amplo. A alternativa restringe o referente a um grupo geográfico específico, o que o texto não faz. Erro: restrição (generalização indevida).

Alternativa D — ❌ Incorreta

“Aos órgãos que fiscalizam a violência no trânsito.”

O texto não menciona órgãos de fiscalização. O autor fala de “nós” (a população), não de instituições. A alternativa extrapola o texto, introduzindo um elemento que não está presente. Erro: extrapolação (fora do escopo).

Alternativa E — ❌ Incorreta

“Exclusivamente às pessoas que precisam ser mais pacientes no trânsito.”

Embora o autor defenda a paciência, o pronome “a gente” não se limita a quem precisa ser paciente. O apelo é a todos: “Ou a gente se adapta, ou viveremos em constante guerra”. A alternativa restringe o referente a um subgrupo, o que o texto não autoriza. Erro: restrição (generalização indevida).

Conclusão

A questão testa a habilidade de identificar o referente de um pronome no contexto. A alternativa B é a única que não restringe o alcance de “a gente”, mantendo o sentido amplo de “população em geral, usuários do trânsito”. As demais alternativas restringem ou extrapolam o texto, cometendo erros típicos de interpretação.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de coesão referencial, desconfie de alternativas com “apenas”, “exclusivamente”, “somente” — elas costumam restringir indevidamente o referente. O pronome “a gente” é um pronome indefinido que abrange um conjunto amplo, a menos que o texto delimite claramente.

Gabarito: letra B.

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