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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FUNDATEC 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa674931
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Estação
Ano
2025
Cargo
ASoc ( )

O valor do tédio: como o tempo livre ajuda crianças a serem mais criativas, seguras e concentradas

 

Por Leonardo Martins

 

Vivemos uma época em que o silêncio virou incômodo, e o tédio, quase proibido. Entre vídeos curtos, notificações incessantes e uma rotina que não dá trégua, o tempo livre perdeu espaço, principalmente na infância. Para especialistas, porém, é justamente nesse vazio que mora um dos segredos para o desenvolvimento: o tédio como ferramenta de criatividade, autonomia e equilíbrio emocional. A psicóloga Mônica Rezende, do Grupo Mantevida, explica que o ócio não é sinônimo de preguiça ou desinteresse, mas um estado mental necessário: “O tédio na infância é uma experiência subjetiva, uma sensação de falta de estímulo que acontece quando a criança não encontra algo imediato para fazer. Do ponto de vista científico, ele não é apenas ausência de atividade, mas um estado mental que pode abrir espaço para a imaginação, a autorreflexão e a criatividade” — afirma.  

 

Segundo ela, é justamente nesse vazio que a criança aprende a criar. “O tédio funciona como um gatilho para que a criança crie, explore e invente. É nesse espaço que ela aprende a lidar com a frustração, desenvolve autonomia e descobre novas formas de se relacionar com o mundo” — explica Mônica.

 

Sem esses momentos de pausa, a infância pode se tornar dependente de estímulos externos constantes, o que impacta não apenas o presente, mas também o futuro. A era digital multiplicou os estímulos a que as crianças são expostas e reduziu o tempo de atenção. Do YouTube aos vídeos de poucos segundos no TikTok, a lógica é manter o interesse a qualquer custo. Porém, segundo a pedagoga e doutora em psicologia evolutiva, Bettina Steren dos Santos, o resultado é preocupante. Ela observa que o uso prolongado das telas interfere diretamente na aprendizagem e nas relações sociais. “Pesquisas no mundo todo já mostram como o uso intenso das redes digitais afeta a capacidade de aprendizagem, o relacionamento com as pessoas e a autonomia das crianças. São elementos fundamentais para o desenvolvimento humano que acabam não se formando adequadamente” — analisa Bettina. A especialista lembra que a recente proibição do uso de celulares em escolas foi necessária, mas insuficiente. “Foi uma medida importante, mas não resolve sozinha. Não adianta a escola proibir se, em casa, os pais estão no celular o tempo inteiro. A mudança precisa envolver escola, família e professores, que devem pensar juntos em estratégias para que as crianças tenham mais oportunidades de brincar e interagir no pátio e menos tempo de tela” — avalia Bettina.

 

A dificuldade dos pais em lidar com o próprio ócio se reflete diretamente nas crianças. Bettina observa que vivemos em uma sociedade que valoriza a produtividade desde cedo, o que tem levado famílias a preencherem cada minuto da rotina infantil com tarefas e cursos. Em um movimento contrário, as especialistas deixam algumas dicas para os pais: resista à pressa de preencher o tempo livre dos filhos, evite oferecer telas como solução imediata, valorize o brincar livre e incentive brincadeiras ao ar livre, mostre que o tédio não é castigo, inclua pausas na rotina, acompanhe as brincadeiras sem interferir e celebre a criatividade dos filhos.

 

(Disponível em: //gauchazh.clicrbs.com.br/comportamento/noticia/2025/10/o-valor-do-tedio-como-o-tempo- livre-ajuda-criancas-a-serem-mais-criativas-seguras-e-concentradas-cmgkxmruo01yb015e4mn5i5ng.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

O principal objetivo comunicativo do texto é:
  1. ADemonstrar que o uso de tecnologia desde cedo pode trazer mais benefícios do que malefícios.
  2. BDefender que a proibição do uso de celulares feita recentemente nas escolas seja estendida para outras esferas.
  3. CDestacar a importância do tédio para a formação infantil e mostrar como a era digital tem interferido nesse processo.
  4. DMostrar que a responsabilidade por promover a mudança no comportamento das crianças é exclusivamente dos pais.
  5. EDestacar que o desenvolvimento infantil atrelado à era digital é inevitável e que o uso constante das telas deve fazer parte da rotina.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Destacar a importância do tédio para a formação infantil e mostrar como a era digital tem interferido nesse processo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Objetivo comunicativo do texto — Gabarito: letra C.

Gabarito: letra C. O texto tem como objetivo principal destacar a importância do tédio para a formação infantil e, em contrapartida, mostrar como a era digital tem interferido nesse processo. Isso se comprova já no título — “O valor do tédio: como o tempo livre ajuda crianças a serem mais criativas, seguras e concentradas” — e na tese defendida ao longo de todo o texto, como veremos a seguir.

O comando: o que a questão pede

A questão pergunta pelo principal objetivo comunicativo do texto. Isso é diferente de pedir um detalhe, uma informação específica ou uma inferência. Aqui, o candidato deve identificar a intenção central do autor: o que ele quer, no fim das contas, ao escrever esse texto? É uma questão de compreensão global, que exige enxergar o texto como um todo, e não se apegar a trechos isolados.

O texto: tema, tese e movimento argumentativo

O texto é um artigo de opinião (dissertativo-argumentativo) que defende a tese de que o tédio é benéfico para as crianças. O autor parte da constatação de que vivemos numa época em que o tédio é quase proibido, e então apresenta argumentos de especialistas (psicóloga, pedagoga) para mostrar que o ócio é um estado mental necessário para a criatividade, autonomia e equilíbrio emocional. Em seguida, contrapõe a isso o impacto negativo da era digital, que multiplica estímulos e reduz o tempo de atenção. Por fim, oferece dicas aos pais para resgatar o valor do tédio.

O movimento argumentativo é claro: valorizar o tédio (tese) e criticar a interferência da era digital (antítese). A alternativa C capta exatamente essa dualidade.

A técnica: como identificar o objetivo principal

Para achar o objetivo principal, pergunte-se: sobre o que o texto fala do começo ao fim? O título já entrega: “O valor do tédio”. O primeiro parágrafo introduz o tema: “o tédio como ferramenta de criatividade, autonomia e equilíbrio emocional”. Os parágrafos seguintes desenvolvem essa ideia com exemplos e opiniões de especialistas. O último parágrafo traz dicas práticas para os pais, sempre no sentido de valorizar o tédio e reduzir o tempo de tela. Portanto, o objetivo é destacar a importância do tédio e mostrar como a era digital atrapalha esse processo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca coloca alternativas que mencionam partes do texto (proibição de celulares, papel dos pais, uso de tecnologia) mas que não representam o objetivo central. Elas são tangenciais — falam de assuntos correlatos, mas não do eixo principal.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O texto não diz que a tecnologia traz mais benefícios que malefícios; pelo contrário, critica o uso excessivo de telas. Veja o trecho:

“o uso prolongado das telas interfere diretamente na aprendizagem e nas relações sociais”

A alternativa inverte a posição do autor.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: tangencia o tema. O texto menciona a proibição de celulares nas escolas, mas apenas como um exemplo dentro da discussão maior sobre o tédio. Não há defesa de que a proibição seja estendida a outras esferas. O trecho:

“a recente proibição do uso de celulares em escolas foi necessária, mas insuficiente”

mostra que o autor acha a medida insuficiente, mas não propõe estendê-la. É uma fuga ao objetivo central.

Alternativa C — ✅ Correta

É a única que sintetiza o objetivo do texto. O título já anuncia: “O valor do tédio”. O primeiro parágrafo afirma:

“o tédio como ferramenta de criatividade, autonomia e equilíbrio emocional”

E o texto todo desenvolve essa ideia, contrapondo a era digital. A alternativa C é uma paráfrase fiel da tese central.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: restringe o alcance. O texto diz que a mudança precisa envolver escola, família e professores, não apenas os pais. Veja:

“A mudança precisa envolver escola, família e professores”

A alternativa D limita a responsabilidade aos pais, o que contradiz o texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O texto não diz que o uso constante de telas deve fazer parte da rotina; pelo contrário, critica esse uso. O trecho:

“o uso intenso das redes digitais afeta a capacidade de aprendizagem”

mostra a posição contrária do autor. A alternativa E inverte completamente o sentido.

Conclusão

Para acertar questões de objetivo do texto, foque no título e na tese (geralmente no primeiro e último parágrafos). Desconfie de alternativas que mencionam detalhes ou exemplos, mas não o eixo central. Aqui, a alternativa C é a única que abrange o tema principal: o valor do tédio e a interferência da era digital.

PEGA ESSA DICA!

Ao ler o texto, sublinhe a frase que resume a ideia central. No caso, o título já é a chave. Se uma alternativa não conversa com o título, provavelmente está errada.

Gabarito: letra C.

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