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Questão de Português — Partícula "Se" — FUNDATEC 2025

PortuguêsPartícula "Se"
Código
qa674936
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Estação
Ano
2025
Cargo
ASoc ( )

O valor do tédio: como o tempo livre ajuda crianças a serem mais criativas, seguras e concentradas

 

Por Leonardo Martins

 

Vivemos uma época em que o silêncio virou incômodo, e o tédio, quase proibido. Entre vídeos curtos, notificações incessantes e uma rotina que não dá trégua, o tempo livre perdeu espaço, principalmente na infância. Para especialistas, porém, é justamente nesse vazio que mora um dos segredos para o desenvolvimento: o tédio como ferramenta de criatividade, autonomia e equilíbrio emocional. A psicóloga Mônica Rezende, do Grupo Mantevida, explica que o ócio não é sinônimo de preguiça ou desinteresse, mas um estado mental necessário: “O tédio na infância é uma experiência subjetiva, uma sensação de falta de estímulo que acontece quando a criança não encontra algo imediato para fazer. Do ponto de vista científico, ele não é apenas ausência de atividade, mas um estado mental que pode abrir espaço para a imaginação, a autorreflexão e a criatividade” — afirma.  

 

Segundo ela, é justamente nesse vazio que a criança aprende a criar. “O tédio funciona como um gatilho para que a criança crie, explore e invente. É nesse espaço que ela aprende a lidar com a frustração, desenvolve autonomia e descobre novas formas de se relacionar com o mundo” — explica Mônica.

 

Sem esses momentos de pausa, a infância pode se tornar dependente de estímulos externos constantes, o que impacta não apenas o presente, mas também o futuro. A era digital multiplicou os estímulos a que as crianças são expostas e reduziu o tempo de atenção. Do YouTube aos vídeos de poucos segundos no TikTok, a lógica é manter o interesse a qualquer custo. Porém, segundo a pedagoga e doutora em psicologia evolutiva, Bettina Steren dos Santos, o resultado é preocupante. Ela observa que o uso prolongado das telas interfere diretamente na aprendizagem e nas relações sociais. “Pesquisas no mundo todo já mostram como o uso intenso das redes digitais afeta a capacidade de aprendizagem, o relacionamento com as pessoas e a autonomia das crianças. São elementos fundamentais para o desenvolvimento humano que acabam não se formando adequadamente” — analisa Bettina. A especialista lembra que a recente proibição do uso de celulares em escolas foi necessária, mas insuficiente. “Foi uma medida importante, mas não resolve sozinha. Não adianta a escola proibir se, em casa, os pais estão no celular o tempo inteiro. A mudança precisa envolver escola, família e professores, que devem pensar juntos em estratégias para que as crianças tenham mais oportunidades de brincar e interagir no pátio e menos tempo de tela” — avalia Bettina.

 

A dificuldade dos pais em lidar com o próprio ócio se reflete diretamente nas crianças. Bettina observa que vivemos em uma sociedade que valoriza a produtividade desde cedo, o que tem levado famílias a preencherem cada minuto da rotina infantil com tarefas e cursos. Em um movimento contrário, as especialistas deixam algumas dicas para os pais: resista à pressa de preencher o tempo livre dos filhos, evite oferecer telas como solução imediata, valorize o brincar livre e incentive brincadeiras ao ar livre, mostre que o tédio não é castigo, inclua pausas na rotina, acompanhe as brincadeiras sem interferir e celebre a criatividade dos filhos.

 

(Disponível em: //gauchazh.clicrbs.com.br/comportamento/noticia/2025/10/o-valor-do-tedio-como-o-tempo- livre-ajuda-criancas-a-serem-mais-criativas-seguras-e-concentradas-cmgkxmruo01yb015e4mn5i5ng.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

No trecho retirado do texto “a infância pode se tornar dependente de estímulos externos constantes”, o termo “se” é um(a):
  1. AÍndice de indeterminação do sujeito.
  2. BConjunção subordinativa.
  3. CPartícula apassivadora.
  4. DPronome reflexivo.
  5. EPartícula expletiva.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Pronome reflexivo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função da partícula “se” em “a infância pode se tornar dependente” — Gabarito: letra D.

Gabarito: letra D. No trecho “a infância pode se tornar dependente de estímulos externos constantes”, o “se” é pronome reflexivo, pois integra o verbo pronominal “tornar-se”, indicando que a ação recai sobre o próprio sujeito (“a infância”). A banca cobra a distinção clássica entre as funções do “se”, e a chave está em reconhecer que “tornar-se” é um verbo essencialmente pronominal, no qual o “se” não pode ser retirado sem prejuízo do sentido.

O comando da questão

A questão pede a classificação morfológica da partícula “se” no contexto específico do texto. Não se trata de interpretação de texto, mas de gramática aplicada: é preciso analisar a função do vocábulo na oração em que aparece. O comando é direto — “o termo ‘se’ é um(a)” — e exige que você identifique, entre as cinco funções clássicas, qual se aplica ao trecho.

O texto e o trecho analisado

O texto discute o valor do tédio na infância e, no trecho destacado, afirma que, sem momentos de pausa, “a infância pode se tornar dependente de estímulos externos constantes”. A análise se concentra exclusivamente nessa passagem. O verbo é “tornar-se”, um verbo pronominal: ele exige o pronome “se” para manter seu sentido de “transformar-se em”, “passar a ser”.

A técnica que decide a questão

Para classificar o “se”, o método é testar cada função:

  • Índice de indeterminação do sujeito (IIS): ocorre com verbo transitivo indireto, intransitivo ou de ligação, sempre no singular, sem sujeito explícito. Ex.: “Precisa-se de funcionários.” No trecho, há sujeito claro (“a infância”) e o verbo é transitivo direto pronominal. Descartado.

  • Conjunção subordinativa: introduz oração subordinada (integrante, condicional, causal). Ex.: “Não sei se ele virá.” No trecho, o “se” não liga orações. Descartado.

  • Partícula apassivadora (PA): ocorre com verbo transitivo direto, equivalendo a “foi/foram + particípio”. Ex.: “Vendem-se casas” = “Casas são vendidas.” No trecho, “tornar-se” não admite essa conversão: “a infância é tornada dependente” não é uma passiva válida. Descartado.

  • Pronome reflexivo: indica que o sujeito pratica e sofre a ação, ou integra verbo pronominal. Ex.: “Ele se feriu” (reflexivo) / “Ela se tornou médica” (verbo pronominal). No trecho, “tornar-se” é verbo pronominal: o “se” é parte integrante do verbo, mas a banca o classifica como pronome reflexivo, pois a ação de “tornar” recai sobre o próprio sujeito. Correto.

  • Partícula expletiva: pode ser retirada sem alterar o sentido. Ex.: “E lá se foram os anos.” No trecho, retirar o “se” (“a infância pode tornar dependente”) altera o sentido e a gramática. Descartado.

Análise das alternativas

1Índice de indeterminação do sujeito
VTI, VI ou VL
Sem sujeito explícito
2Conjunção subordinativa
Liga orações
3Partícula apassivadora
VTD + passiva analítica
4Pronome reflexivo
Ação recai no sujeito
Verbo pronominal (tornar-se)
5Partícula expletiva
Pode ser retirada
Partícula "se"
LEVELsoulevel.com.br
Partícula "se": Índice de indeterminação do sujeito (VTI, VI ou VL, Sem sujeito explícito); Conjunção subordinativa (Liga orações); Partícula apassivadora (VTD + passiva analítica); Pronome reflexivo (Ação recai no sujeito, Verbo pronominal (tornar-se)); Partícula expletiva (Pode ser retirada)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Índice de indeterminação do sujeito. O IIS ocorre com verbos que não admitem objeto direto (VTI, VI, VL), sempre no singular, sem sujeito explícito. No trecho, há sujeito determinado (“a infância”) e o verbo é transitivo direto. A alternativa extrapola uma função que não se aplica ao contexto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Conjunção subordinativa. A conjunção “se” introduz orações subordinadas (integrante, condicional, causal). No trecho, o “se” não conecta orações; ele integra o verbo “tornar-se”. A alternativa troca o conceito: confunde a função de conectivo com a de pronome.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Partícula apassivadora. A PA ocorre com verbo transitivo direto e equivale a uma passiva analítica. Ex.: “Construíram-se casas” = “Casas foram construídas.” No trecho, “tornar-se” não admite essa conversão: “a infância é tornada dependente” não é uma construção válida. A alternativa contradiz a natureza do verbo pronominal.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Pronome reflexivo. O “se” em “tornar-se” indica que a ação recai sobre o próprio sujeito: a infância se torna (a si mesma) dependente. É a função clássica do pronome reflexivo, que pode aparecer como objeto direto/indireto reflexivo ou como parte integrante de verbo pronominal. No trecho, o “se” é indispensável ao sentido do verbo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Partícula expletiva. A partícula expletiva (ou de realce) pode ser retirada sem alterar o sentido. Ex.: “Vão-se os anéis.” No trecho, retirar o “se” (“a infância pode tornar dependente”) quebra a construção pronominal e altera o sentido. A alternativa restringe indevidamente o papel do “se”, tratando-o como dispensável.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre “pronome reflexivo” e “parte integrante do verbo”. Em “tornar-se”, o “se” é parte do verbo pronominal, mas a classificação mais ampla e aceita é a de pronome reflexivo, pois a ação recai sobre o sujeito. Não confunda com PA ou IIS, que exigem verbos transitivos diretos ou indiretos, respectivamente.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar PA de reflexivo, tente converter para a passiva analítica. Se a conversão for possível (“Vendem-se casas” → “Casas são vendidas”), é PA. Se não for, e o verbo for pronominal, é reflexivo. No caso de “tornar-se”, a conversão não é possível.

Conclusão: a única alternativa inteiramente sustentada pela análise do trecho é a letra D. O “se” em “tornar-se” é pronome reflexivo, pois integra verbo pronominal e indica ação que recai sobre o sujeito. As demais alternativas ou exigem verbos com outras transitividades (A, C) ou atribuem funções que não se aplicam ao contexto (B, E).

Gabarito: letra D.

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