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Questão de Português — Sinônimos e Antônimos — INSTITUTO AOCP 2025

PortuguêsSinônimos e Antônimos
Código
qa675371
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
UFABC
Ano
2025
Cargo
Ass Adm ( )

IA e meio ambiente em Elias Canetti

 

José Roberto Castilho Piqueira

 

Quando chega o recesso de meio de ano das atividades didáticas, sou atraído para leituras que, preferencialmente, afastem-se do pensar profissional diário que aguçam meu gosto pela tentativa de posicionar a engenharia na vida do planeta, não como mera realizadora de obras, mas como agente colaborador na sua preservação. Fico folheando os jornais e olhando estantes de livrarias, hábitos considerados antiquados, em busca de possíveis leituras agradáveis. Sigo conselhos de amigos, desde que não indiquem livros de autoajuda, e gosto de ouvi-los comentando e debatendo as ideias.

 

Nessa lida, encontrei “A consciência das palavras”, coleção de escritos de Elias Canetti (1905-1994), romancista e ensaísta búlgaro-britânico, Prêmio Nobel de Literatura em 1981. Fui atraído pelo título, pois uma de minhas preocupações é sobre a influência da inteligência artificial (IA) na produção intelectual contemporânea. Não tenho dúvidas sobre a boa ajuda que esses métodos podem dar na produção de textos, aulas e planos de trabalho. Entretanto, acredito nisso como atividade auxiliar e colaborativa, uma vez que as palavras e ideias que provêm da atividade consciente carregam criatividade e sensibilidade, atributos aparentemente subjetivos, talvez não atingíveis in silico.

 

A obra, datada de 1974, traz no preâmbulo a ideia da interpenetração entre o público e o privado, com algumas consequências sociais preocupantes. Hoje, 50 anos depois, vivenciamos a proliferação de redes sociais, dotadas de algoritmos, com grande risco à integridade e à privacidade dos indivíduos. Os benefícios do grande desenvolvimento tecnológico e computacional são inegáveis. O lado ruim, como adverte Canetti, é a conquista rápida desses meios por inimigos do planeta com propagação de boatos e de ideias deletérias de grande alcance.

 

Ao longo do livro, Canetti apresenta uma sequência de ensaios sobre importantes figuras da história, entre elas Kafka, Confúcio, Tolstói e Büchner, começando pelo escritor austríaco Hermann Broch (1886-1951), considerado um dos principais modernistas de todos os tempos. Canetti identifica em Broch o que denomina memória respiratória, enaltecendo que a vida diária é feita de uma mistura de respirações em um ar que é nosso último bem comum, que cabe a todos indistintamente. Essa reflexão parece fundamental para a sociedade, convidando-a a uma importante discussão sobre os problemas ambientais que nos cercam. Até o momento, não havia me dado conta do fato de que quem polui invade e prejudica um bem público, isto é, aquilo que pertence a todos.

 

Em capítulo seguinte, o dramaturgo Karl Kraus (1874-1936), considerado satirista e panfletário, é evocado. Fundador e único redator da revista Die Fackel (A Tocha), Kraus era crítico ferrenho da moral burguesa da época. Canetti descreve uma palestra de Kraus realizada em Viena, em 1924, ressaltando o espírito arrebatador do orador, levando a audiência ao êxtase por meio de uma impiedosa perseguição aos desafetos expressa nos discursos. Considerado como o mago furioso, ao combinar literalidade e indignação, Kraus criava importante sinergia entre suas emoções e as da plateia. Fico imaginando como os algoritmos e redes sociais de hoje criaram e multiplicaram esse estilo de oratória, para o bem e para o mal.

 

Passando por uma análise bastante aguda e interessante da obra de Franz Kafka (1883-1924), chego ao capítulo sobre Confúcio (552 a.C.-489 a.C.) e aprendo que hesitação e reflexão precedem e acompanham boas respostas a questões relevantes, divergindo da busca por rapidez e de terceirização de raciocínio para as máquinas. Para Confúcio, a felicidade sem fim está na busca pelo conhecimento, não admitindo o ser humano como ferramenta, ressaltando a memória dos mortos para a consolidação de caminhos para o entendimento da natureza.

 

Em capítulo seguinte, Canetti apresenta aspectos da vida privada do autor de “Guerra e paz”, o consagrado escritor russo Leon Tolstói (1828-1910). Ressaltando que Tolstói jamais despreza um pensamento, uma experiência ou uma observação, Canetti relata ser ele proprietário de terras que, contra a vontade da família, divide-as para evitar conflitos e desejos que eventualmente pudessem causar.

 

Segue-se uma descrição dos diários do médico japonês Michihiko Hachiya (1903-1980), sobrevivente do bombardeio atômico de Hiroshima em agosto de 1945, publicados como “Diário de Hiroshima”, em 1955. Canetti escreve que não há nesse diário qualquer traço falso ou de vaidade e sim uma busca de explicar aquilo que, naquele momento, era inexplicável. Em meio aos mortos e feridos, Michihiko procura coletar peça por peça do ocorrido, transformando hipóteses em teorias a serem comprovadas.

 

Vou parar minha viagem por aqui. Pensando se nós, profissionais das áreas tecnológicas, estamos preocupados com a qualidade das palavras e dos pensamentos provenientes dos programas de IA e dos grupos hegemônicos que a manipulam. Além disso, se o ar respirável vai continuar a ser atacado e se a indústria da guerra continuará desprezando a vida, indiscriminadamente.

 

Disponível em: https://jornal.usp.br/articulistas/jose-roberto-castilho-piqueira/ia-e-meio-ambiente-em-elias-c anetti/. Acesso em: 03 out. de 2025.

Analise os seguintes excertos extraídos do texto:

 

\bullet “O lado ruim, como adverte Canetti, é a conquista rápida desses meios por inimigos do planeta com propagação de boatos e de ideias deletérias de grande alcance.”.

 

\bullet “Kraus criava importante sinergia entre suas emoções e as da plateia.”.

 

\bullet “Pensando se nós, profissionais das áreas tecnológicas, estamos preocupados com a qualidade das palavras e dos pensamentos provenientes dos programas de IA e dos grupos hegemônicos que a manipulam.”.

 

Os termos destacados podem ser substituídos, sem prejuízo de sentido, respectivamente, por:

  1. Aprejudiciais, execução, cardinais.
  2. Bdanosas, associação, preponderantes.
  3. Cnefastas, separação, heterogêneos.
  4. Dessenciais, junção, díspares.
  5. Esalutares, colaboração, inferiores.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — danosas, associação, preponderantes.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sinônimos contextuais: deletérias, sinergia e hegemônicos

Gabarito: letra B. Os termos destacados podem ser substituídos, respectivamente, por danosas, associação e preponderantes, pois são os que preservam o sentido original no contexto de cada excerto. A questão exige sinonímia contextual — não basta conhecer o significado isolado da palavra; é preciso verificar se a troca mantém o sentido no trecho específico. Como se lê no texto: "ideias deletérias de grande alcance" (prejudiciais/danosas), "criava importante sinergia entre suas emoções e as da plateia" (associação/ligação) e "grupos hegemônicos que a manipulam" (dominantes/preponderantes).

O comando: substituição sem prejuízo de sentido

O enunciado pede que você encontre sinônimos contextuais — palavras que possam substituir as destacadas sem alterar o sentido do trecho. Isso é diferente de pedir o significado isolado da palavra: aqui, o contexto é o juiz. A técnica é testar cada alternativa substituindo a palavra no trecho original e verificar se a frase continua com o mesmo sentido. Se a troca mudar o sentido, a alternativa está errada, ainda que a palavra seja um sinônimo em outro contexto.

O texto: onde mora a resposta

Os três excertos vêm de momentos diferentes do texto. No primeiro, o autor fala do "lado ruim" da tecnologia: a conquista dos meios por "inimigos do planeta" que propagam "ideias deletérias" — ou seja, ideias prejudiciais, danosas, nocivas. No segundo, descreve Karl Kraus, que "criava importante sinergia entre suas emoções e as da plateia" — uma associação, ligação, união de emoções. No terceiro, o autor se pergunta sobre a qualidade das palavras "provenientes dos programas de IA e dos grupos hegemônicos que a manipulam" — grupos dominantes, preponderantes, que exercem hegemonia.

A técnica: sinonímia contextual

A sinonímia não é uma relação de identidade perfeita, mas de proximidade semântica dentro de um contexto. Palavras como "deletérias" e "danosas" são sinônimas porque ambas expressam a ideia de algo que causa dano ou prejuízo. Já "sinergia" e "associação" se aproximam porque ambas indicam uma ação conjunta, uma ligação entre elementos. E "hegemônicos" e "preponderantes" são sinônimos porque ambos indicam supremacia, domínio, posição de destaque.

A pegadinha clássica dessa questão é oferecer palavras que são antônimas ou que mudam o sentido no contexto. Por exemplo, "salutares" é antônimo de "deletérias" (benéficas × prejudiciais), e "separação" é antônimo de "sinergia" (separação × união). O candidato que não lê com atenção pode marcar uma alternativa que parece plausível, mas que inverte o sentido do texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura sinônimos e antônimos na mesma alternativa. Em C, "nefastas" é sinônimo de "deletérias", mas "separação" é antônimo de "sinergia" e "heterogêneos" não é sinônimo de "hegemônicos". Em E, "salutares" é antônimo de "deletérias". A alternativa correta é a única em que todas as três palavras preservam o sentido.

Termo Original

Sinônimo Contextual (Gabarito B)

Sentido no Contexto

Deletérias

Danosas

Prejudiciais, nocivas

Sinergia

Associação

Ação conjunta, ligação

Hegemônicos

Preponderantes

Dominantes, que exercem supremacia

Alternativa A — ❌ Incorreta

prejudiciais, execução, cardinais — "prejudiciais" é sinônimo de "deletérias", mas "execução" não é sinônimo de "sinergia" (execução é ato de executar, não de associar) e "cardinais" não é sinônimo de "hegemônicos" (cardinal significa fundamental, principal, não dominante). A alternativa troca o conceito de "sinergia" e "hegemônicos" por palavras que não preservam o sentido.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

danosas, associação, preponderantes — "danosas" é sinônimo de "deletérias" (que causam dano), "associação" é sinônimo de "sinergia" (ação conjunta, ligação) e "preponderantes" é sinônimo de "hegemônicos" (que têm supremacia, que dominam). As três substituições preservam o sentido dos trechos originais.

Alternativa C — ❌ Incorreta

nefastas, separação, heterogêneos — "nefastas" é sinônimo de "deletérias", mas "separação" é antônimo de "sinergia" (sinergia é união, separação é divisão) e "heterogêneos" (diversos, variados) não é sinônimo de "hegemônicos" (dominantes). A alternativa contradiz o texto ao trocar "sinergia" por seu oposto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

essenciais, junção, díspares — "essenciais" não é sinônimo de "deletérias" (essencial é fundamental, não prejudicial), "junção" é próximo de "sinergia", mas "díspares" (diferentes, desiguais) não é sinônimo de "hegemônicos". A alternativa troca o conceito de "deletérias" e "hegemônicos".

Alternativa E — ❌ Incorreta

salutares, colaboração, inferiores — "salutares" é antônimo de "deletérias" (salutar é benéfico, deletério é prejudicial), "colaboração" é próximo de "sinergia", mas "inferiores" é antônimo de "hegemônicos" (inferior é subordinado, hegemônico é dominante). A alternativa contradiz o texto ao inverter o sentido de "deletérias" e "hegemônicos".

PEGA ESSA DICA!

Em questões de sinonímia, substitua a palavra no trecho e leia a frase em voz alta. Se o sentido mudar, descarte. Desconfie de palavras que são antônimas disfarçadas, como "salutares" (benéfico) para "deletérias" (prejudicial).

Gabarito: letra B — a única alternativa em que as três substituições preservam o sentido dos excertos, pois "danosas", "associação" e "preponderantes" são sinônimos contextuais de "deletérias", "sinergia" e "hegemônicos", respectivamente.

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