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Questão de Português — Vozes (Voz Passiva e Voz Ativa) — INSTITUTO AOCP 2025

PortuguêsVozes (Voz Passiva e Voz Ativa)
Código
qa675442
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
UFABC
Ano
2025
Cargo
Ass Soc ( )

Literatura é essencial na compreensão da realidade e na projeção de novos futuros

 

Professores explicam papel da leitura na formação do pensamento crítico e como ferramenta de resistência na era do imediatismo

 

A literatura não é apenas arte: é uma forma de pensar o mundo e de intervir nele. Sempre engajada com seu tempo, ela se atualiza a cada leitura e se torna condição para a reflexão crítica e para a vida democrática. Assim, é comum que obras do passado retornem para iluminar dilemas do presente. Quem começa explicando a importância da literatura para a formação crítica do sujeito é o professor Mário Lugarinho, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.

 

Para o professor, não há obra que exista fora do diálogo com a realidade que a produziu. “Eu não imagino que não tenha havido literatura que não estivesse, de alguma maneira, engajada com a própria realidade de onde ela surge. Por mais fantasiosa que possa ser, ela surge num meio que demanda aquele texto. Todo texto literário é fruto desse diálogo com a realidade. Mesmo quando ele nega, está dizendo: existe, mas eu não quero tratar desse assunto.”

 

Ele reforça, também, que a literatura se reinventa cada vez que é retomada pelo leitor. “Há um momento em que o texto é recuperado, é lido novamente e, de alguma maneira, ao ser relido, ele se atualiza. A obra de arte tem esse poder de se atualizar quando é relida, quando o interesse por ela ressurge. E esse interesse aparece porque, de alguma forma, o leitor demanda respostas que talvez aquele texto possa trazer para o seu tempo.”

 

Essa atualização pode atravessar séculos. Lugarinho lembra que a literatura medieval, mesmo distante, foi recuperada em diferentes momentos, de acordo com o que demandava a conjuntura social e política. “De repente, reaparece o interesse pelo rei Arthur, pelas narrativas do romance de cavalaria do ciclo arturiano. Essas narrativas floresceram no fim do século 9 e, séculos depois, deram origem ao romance moderno. Algumas de suas características permaneceram, como a figura do herói. Mesmo em um romance como O Guarani, do José de Alencar, vemos Peri inspirado no cavaleiro medieval. É uma forma de atualizar o imaginário e, ao mesmo tempo, responder à demanda de um país em formação, que precisava construir um herói nacional.”

 

O professor Francisco Camêlo, também da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, aponta a leitura como maneira de resistência aos novos modos de consumo e processamento de informação da atualidade. “Nesses tempos acelerados em que vivemos, em que nós não podemos brincar, nem dormir como deveríamos, a literatura funciona como uma espécie de bolsão de resistência, que instala uma pausa, uma pequena pausa nessa aceleração. É nesse intervalo que conseguimos percorrer outras regiões da experiência humana, que as redes sociais ou outras formas de informação não nos permitem enxergar. Lendo literatura, a gente pode perder tempo. E perder tempo conhecendo outras experiências, outros modos de vida, outros discursos, que a ficção ajuda a reconhecer e a escutar.” Entre crítica e invenção, a literatura se afirma, portanto, como espaço de resistência, diversidade e futuro: uma pausa diante da velocidade da vida contemporânea, capaz de devolver ao leitor a capacidade de sonhar, questionar e reinventar o mundo.

 

Adaptado de: https://jornal.usp.br/radio-usp/literatura-e-essencial-na-compreensao-da-realidade-e-na-projecao-de-novos-futuros/. Acesso em: 06 de out. 2025.

Assinale a alternativa que apresenta a reescrita correta, na voz passiva, do trecho “O professor Francisco Camêlo, também da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, aponta a leitura como maneira de resistência aos novos modos de consumo e processamento de informação da atualidade.”de modo que o sentido construído, originalmente, não seja alterado de maneira significativa.
  1. AO professor Francisco Camêlo, também da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, foi apontado como defensor da não resistência aos novos modos de consumo e processamento de informação da atualidade.
  2. BA leitura é apontada, pelo professor Francisco Camêlo, também da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, como maneira de resistência aos novos modos de consumo e processamento de informação da atualidade.
  3. CA leitura aponta o professor Francisco Camêlo, também da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, como maneira de resistência aos novos modos de consumo e processamento de informação da atualidade.
  4. DApontar a leitura como maneira de resistência aos novos modos de consumo e processamento de informação da atualidade é trabalho do professor Francisco Camêlo, também da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas.
  5. EA leitura aponta para o professor Francisco Camêlo, também da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, e expressa a maneira de resistência aos novos modos de consumo e processamento de informação da atualidade.
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GabaritoB — A leitura é apontada, pelo professor Francisco Camêlo, também da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, como maneira de resistência aos novos modos de consumo e processamento de informação da atualidade.

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Reescrita na voz passiva: como transpor sem alterar o sentido

Gabarito: letra B. A alternativa B é a única que converte corretamente a voz ativa em passiva analítica, transformando o objeto direto "a leitura" em sujeito paciente e o sujeito da ativa ("O professor Francisco Camêlo") em agente da passiva, sem alterar o sentido original. Como se lê no trecho do texto: "O professor Francisco Camêlo, também da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, aponta a leitura como maneira de resistência aos novos modos de consumo e processamento de informação da atualidade." — a reescrita correta mantém exatamente essa relação: quem aponta é o professor, e o que é apontado é a leitura.

O comando pede uma reescrita na voz passiva que não altere significativamente o sentido. Isso exige dominar a mecânica da transposição: na voz ativa, o sujeito pratica a ação sobre um objeto direto; na passiva analítica, o objeto direto vira sujeito paciente, o verbo ganha a forma "ser + particípio" e o sujeito da ativa vira agente da passiva (introduzido por "por"). O tempo verbal deve ser preservado: "aponta" (presente do indicativo) vira "é apontada" (presente do indicativo na passiva).

Vamos entender a estrutura da oração original:

  • Sujeito da ativa: "O professor Francisco Camêlo" (quem pratica a ação de apontar).

  • Verbo transitivo direto: "aponta" (quem aponta, aponta algo).

  • Objeto direto: "a leitura" (o que é apontado).

  • Predicativo do objeto: "como maneira de resistência..." (complementa o objeto, atribuindo-lhe uma característica).

Na transposição para a passiva analítica, o objeto direto "a leitura" passa a ser o sujeito paciente, o verbo "aponta" vira a locução "é apontada" (ser + particípio), e o sujeito da ativa "O professor Francisco Camêlo" vira o agente da passiva, introduzido pela preposição "por". O predicativo do objeto permanece ligado ao sujeito paciente, mantendo o sentido.

A alternativa B faz exatamente isso: "A leitura é apontada, pelo professor Francisco Camêlo, também da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, como maneira de resistência aos novos modos de consumo e processamento de informação da atualidade." — Observe que a ordem dos termos mudou, mas a relação semântica é idêntica: o professor aponta a leitura como resistência.

PEGA ESSA DICA!

Para transpor para a passiva, identifique primeiro o objeto direto da ativa — ele será o sujeito da passiva. Depois, transforme o verbo em "ser + particípio" no mesmo tempo verbal. Por fim, coloque o sujeito da ativa como agente da passiva, precedido de "por". Se a reescrita inverter quem pratica a ação, o sentido muda — e a alternativa estará errada.

1Sujeito da ativa
Vira agente da passiva (por)
2Verbo
Vira ser + particípio (mesmo tempo)
3Objeto direto
Vira sujeito paciente
4Predicativo do objeto
Permanece ligado ao sujeito paciente
Voz ativa → passiva analítica
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Voz ativa → passiva analítica: Sujeito da ativa (Vira agente da passiva (por)); Verbo (Vira ser + particípio (mesmo tempo)); Objeto direto (Vira sujeito paciente); Predicativo do objeto (Permanece ligado ao sujeito paciente)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa A diz: "O professor Francisco Camêlo, também da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, foi apontado como defensor da não resistência aos novos modos de consumo e processamento de informação da atualidade."

Aqui, o sujeito da passiva é o professor, mas no texto original quem é apontado é a leitura, não o professor. Além disso, a expressão "defensor da não resistência" inverte completamente o sentido: o texto afirma que a leitura é uma forma de resistência, não de não resistência. A alternativa contradiz o texto e ainda extrapola ao acrescentar a ideia de "defensor", que não existe no original.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Como explicado, a alternativa B transpõe corretamente a voz ativa para a passiva analítica, preservando o sentido. O objeto direto "a leitura" vira sujeito paciente, o verbo "aponta" vira "é apontada", e o sujeito da ativa vira agente da passiva. A estrutura "A leitura é apontada, pelo professor..., como maneira de resistência..." mantém exatamente a relação original: o professor aponta a leitura como resistência. Não há alteração de sentido, apenas de voz verbal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C diz: "A leitura aponta o professor Francisco Camêlo, também da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, como maneira de resistência aos novos modos de consumo e processamento de informação da atualidade."

Aqui, a relação se inverte: agora a leitura é o sujeito que aponta, e o professor é o objeto. No texto original, é o professor que aponta a leitura. Essa inversão contradiz o texto e altera completamente o sentido. Além disso, a expressão "como maneira de resistência" agora se refere ao professor, não à leitura, o que é um absurdo semântico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D diz: "Apontar a leitura como maneira de resistência aos novos modos de consumo e processamento de informação da atualidade é trabalho do professor Francisco Camêlo, também da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas."

Essa reescrita não está na voz passiva — está na voz ativa, com o verbo "apontar" no infinitivo. Além disso, a expressão "é trabalho do professor" acrescenta uma ideia de função ou dever que não existe no original. O texto apenas afirma que o professor aponta a leitura como resistência, não que isso seja um "trabalho" dele. A alternativa extrapola ao introduzir essa noção e não realiza a transposição pedida.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E diz: "A leitura aponta para o professor Francisco Camêlo, também da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, e expressa a maneira de resistência aos novos modos de consumo e processamento de informação da atualidade."

Aqui, novamente a relação se inverte: a leitura aponta para o professor, quando o correto é o professor apontar a leitura. Além disso, o verbo "expressa" substitui "aponta", alterando o sentido. A alternativa contradiz o texto e ainda troca o verbo, mudando a ação descrita.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a inversão dos papéis sintáticos: em C e E, a leitura vira sujeito que aponta, quando na verdade ela é o objeto apontado. Em A, há uma negação que contradiz o texto. Fique atento: na voz passiva, o sujeito recebe a ação, não a pratica.

Conclusão: A única alternativa que transpõe corretamente para a voz passiva, preservando o sentido, é a letra B. As demais ou invertem a relação entre os termos, ou acrescentam informações, ou não realizam a transposição. Lembre-se: na passiva, o objeto direto vira sujeito paciente, e o sujeito da ativa vira agente da passiva. Se a reescrita mudar quem pratica a ação, está errada.

Gabarito: letra B

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