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Questão de Português — Outras Questões de Semântica — Quadrix 2025

PortuguêsOutras Questões de Semântica
Código
qa675464
Banca
Quadrix
Órgão
FUABC
Ano
2025
Cargo
Aux ( )

Imagine um time de futebol atacado por um surto enlouquecedor, em que os jogadores saem marcando gol desvairadamente contra a própria equipe. É isso o que o corpo faz quando acometido por doenças autoimunes. O sistema de defesa do organismo (sistema imunológico) deixa de reconhecer o próprio corpo e, em vez de combater apenas inimigos, como certos vírus e bactérias, passa a atacar células ou tecidos saudáveis do organismo. Não é à toa que as doenças autoimunes tanto assustam. De início, o paciente tem dificuldade para compreender que, além de vítima, é “autor” desse mecanismo de agressão. Já os médicos também não compreendem por que as células de defesa do corpo perdem o controle. As doenças autoimunes não têm cura, mas há remédio para os sintomas, e os novos tratamentos têm dado esperança aos pacientes.

 

A incidência de doenças autoimunes tem aumentado. Duplicou nos últimos 40 anos – também não se sabe por que, mas há quem credite esse fato ao aprimoramento nos diagnósticos e à precisão dos testes laboratoriais. O fato é que, só nos Estados Unidos, são 50 milhões de pessoas por ano diagnosticadas com uma doença desse tipo. Em todo o mundo, médicos e pesquisadores presumem que 15% a 20% da população seja atingida, e a maior parte das vítimas são mulheres.

 

Uma das hipóteses para a causa das doenças, segundo o imunologista Momtchilo Russo, presidente da Sociedade Brasileira de Imunologia, é a da higiene. “Como hoje as pessoas não desenvolvem tantas infecções, que talvez regularizassem a ação do sistema imunológico, nossas células de defesa poderiam estar superativadas”. Por outro lado, alguns estudos revelam que as doenças infecciosas é que afetariam o funcionamento do sistema imunológico.

 

“Na febre reumática, sabe‑se que o organismo ataca células do coração, pois as confunde com um aminoácido presente na bactéria estreptococo”, diz a imunologista Myrthes Toledo Barros, do Serviço de Imunologia Clínica e Alergia do Hospital das Clínicas (SP).

 

Hipóteses à parte, sabe‑se que, para desenvolver uma doença autoimune, são necessárias três condições, explica Scheinberg. A primeira é ter predisposição genética para a doença. A segunda é o problema ser desencadeado por um fator do ambiente externo, como exposição ao sol, no caso do lúpus, ou situação estressante, no caso da psoríase. Já a terceira, mais óbvia, é haver desequilíbrio das células do sistema imunológico.

 

Internet: <desenbahia.ba.gov.br> (com adaptações).

Texto para a questão.     Na frase “As doenças autoimunes não têm cura, mas há remédio para os sintomas, e os novos tratamentos têm dado esperança aos pacientes.”, a conjunção “mas” indica uma circunstância de
  1. Amodo.
  2. Bconclusão.
  3. Cexplicação.
  4. Dalternativa.
  5. Eadversidade.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — adversidade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Conjunção "mas": valor adversativo

Gabarito: letra E. A conjunção "mas" é uma conjunção coordenativa adversativa, pois introduz uma oposição/contraste entre a ideia de não haver cura e a existência de remédios para os sintomas. No trecho, "mas" contrapõe a impossibilidade de cura à possibilidade de tratamento, estabelecendo uma relação de adversidade.

O comando

A questão pede que se identifique a circunstância (relação de sentido) que a conjunção "mas" estabelece na frase. Isso é uma questão de semântica das conjunções coordenativas: não se trata de interpretar o texto, mas de reconhecer o valor lógico do conectivo. O comando é direto: "indica uma circunstância de". Portanto, o foco está na classificação da conjunção.

O texto

No trecho: "As doenças autoimunes não têm cura, mas há remédio para os sintomas, e os novos tratamentos têm dado esperança aos pacientes." A primeira oração afirma uma limitação (não há cura); a segunda, introduzida por "mas", apresenta uma informação que contrasta com essa limitação (há remédio). Esse contraste é típico das adversativas, que expressam oposição, quebra de expectativa ou ressalva.

A técnica

As conjunções coordenativas dividem-se em cinco grupos: aditivas (e, nem), adversativas (mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto), alternativas (ou, ora...ora), conclusivas (logo, portanto, pois deslocado) e explicativas (porque, pois no início). O "mas" é o protótipo das adversativas: ele liga duas orações independentes, mas a segunda contraria ou restringe a expectativa criada pela primeira. No contexto, a expectativa seria: "não há cura, logo nada se pode fazer"; o "mas" quebra essa expectativa ao acrescentar que há remédio. Essa quebra de expectativa é a marca da adversidade.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar o valor de uma conjunção, pergunte: a segunda oração contraria a primeira? Se sim, é adversativa. Se soma, é aditiva. Se conclui, é conclusiva. Se explica, é explicativa. Se alterna, é alternativa.

1Aditivas
e, nem
2Adversativas
mas, porém, contudo
oposição / quebra de expectativa
3Alternativas
ou, ora...ora
4Conclusivas
logo, portanto
5Explicativas
porque, pois
Conjunções coordenativas
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Conjunções coordenativas: Aditivas (e, nem); Adversativas (mas, porém, contudo, oposição / quebra de expectativa); Alternativas (ou, ora...ora); Conclusivas (logo, portanto); Explicativas (porque, pois)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Modo é uma circunstância que responde a "como?" (ex.: "correu rapidamente"). A conjunção "mas" não expressa modo; ela liga orações estabelecendo contraste. A alternativa tangencia o tema, pois "modo" é uma circunstância do advérbio, não da conjunção.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Conclusão seria expressa por "logo", "portanto", "pois" (deslocado). No trecho, "mas" não conclui nada; ele opõe duas ideias. A alternativa confunde o valor adversativo com o conclusivo, que é outra classe de conjunção coordenativa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Explicação seria expressa por "porque", "pois" (no início), "porquanto". O "mas" não justifica a oração anterior; ele contrapõe uma informação. A alternativa troca o valor adversativo pelo explicativo, que é outra classe.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Alternativa seria expressa por "ou", "ora...ora", "quer...quer". O "mas" não indica escolha ou alternância; ele indica oposição. A alternativa confunde adversidade com alternância, que são classes distintas.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Adversidade é exatamente o valor de "mas": expressa oposição, contraste, quebra de expectativa. No trecho, "não têm cura" (ideia negativa) é contraposta a "há remédio para os sintomas" (ideia positiva). Essa relação de contraste é a definição de conjunção adversativa. A alternativa está correta e é a única que nomeia o valor semântico do conectivo.

Conclusão: A questão cobra o reconhecimento do valor semântico das conjunções coordenativas. O "mas" é o protótipo das adversativas, pois introduz oposição. As demais alternativas apresentam valores de outras classes (modo, conclusão, explicação, alternativa), que não se aplicam ao contexto. Gabarito: letra E.

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