Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — Quadrix 2025
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa675477
Banca
Quadrix
Órgão
FUABC
Ano
2025
Cargo
Aux ( )
A mentira existe desde o começo da civilização. O uso político da maledicência também não é novidade dos nossos tempos. Na Roma Antiga, por volta de 33 a.C., Otaviano empreendeu uma campanha difamatória contra Marco Antônio, colocando sua lealdade à Roma em dúvida por causa do amor dele por Cleópatra. O casal, por sua vez, contra‑atacou questionando as origens de Otaviano, porque ele era parente de Júlio César apenas por parte de mãe. Até moedas foram cunhadas por Otaviano e Marco Antônio, cada uma com imagens que os favoreciam nesse esforço de propaganda.
O que mudou nos últimos anos, depois da explosão das redes sociais, foi a escala e o meio de difusão de mentiras, que passaram a ser chamadas de fake news (notícias falsas) e desinformação. Usados popularmente como sinônimos, os dois termos têm diferenças conceituais, de acordo com os estudiosos do assunto e as instituições que os utilizam.
Segundo Eugênio Bucci, professor titular da Escola de Comunicações e Artes da USP, “fake news é a falsificação da forma notícia. Parece ser uma notícia jornalística, mas não é”. O professor defende que não se deve usar a expressão como sinônimo de mentira. “Fake news são um tipo historicamente datado de mentira. São uma criação do século XXI, que frauda a forma notícia a partir das plataformas sociais e das tecnologias digitais que favorecem a difusão massiva de enunciados”, explica. “As fake news não existem desde sempre.”
Já a palavra “desinformação” tem um sentido mais amplo, que abarca as diferentes formas de difusão de informações mentirosas pela internet. Em inglês, há três palavras para o fenômeno: disinformation, para informações falsas criadas com a intenção de causar dano; misinformation, para informações erradas divulgadas sem o objetivo de causar dano; e malinformation, para informações corretas, mas divulgadas de forma descontextualizada com o propósito de causar dano.
Internet: <tre‑go.jus.br> (com adaptações).
Texto para a questão O principal tema do texto
Asão as fake news e a desinformação.
Bsão as redes sociais.
Csão os hábitos da Roma Antiga.
Dé a conceituação da palavra “mentira”.
Eé o estudo do professor Eugênio Bucci.
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GabaritoA — são as fake news e a desinformação.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
O tema central: fake news e desinformação
Gabarito: letra A. O texto trata, em seu eixo central, das fake news e da desinformação — desde a contextualização histórica da mentira na política até a distinção conceitual entre os dois termos, como se lê no segundo parágrafo: “O que mudou nos últimos anos, depois da explosão das redes sociais, foi a escala e o meio de difusão de mentiras, que passaram a ser chamadas de fake news (notícias falsas) e desinformação.” As demais alternativas citam elementos que aparecem no texto, mas como detalhes ou meios para desenvolver esse tema, não como o assunto principal.
O comando: identificar o tema
A questão pede o principal tema do texto — ou seja, a ideia central que organiza todos os parágrafos. Isso é diferente de pedir uma informação específica (compreensão pontual) ou uma conclusão (inferência). Aqui, basta ler o texto globalmente e perceber sobre o quê ele fala do início ao fim. O tema é o assunto geral; a tese seria a opinião do autor sobre esse assunto; os detalhes são exemplos, dados e citações que sustentam o desenvolvimento.
O texto: do histórico à conceituação
O texto começa com um exemplo histórico (Roma Antiga) para mostrar que a mentira e a maledicência política não são novidade. Em seguida, afirma que o que mudou foi a escala e o meio de difusão com as redes sociais, e que os termos fake news e desinformação passaram a ser usados. A partir daí, o autor se dedica a diferenciar os dois conceitos, citando o professor Eugênio Bucci e explicando as três palavras inglesas para o fenômeno. Todo esse percurso converge para o mesmo eixo: as fake news e a desinformação.
A técnica: tema × detalhe
A armadilha central desta questão é confundir tema com detalhe. O tema é o assunto geral que dá unidade ao texto; os detalhes são os elementos específicos usados para desenvolvê-lo. Veja:
Roma Antiga (alternativa C) é um exemplo histórico citado no primeiro parágrafo para ilustrar que a mentira política é antiga — não é o assunto do texto.
Redes sociais (alternativa B) são mencionadas como o meio que ampliou a difusão de mentiras — não são o foco.
Professor Eugênio Bucci (alternativa E) é uma fonte citada para explicar o conceito de fake news — não é o tema.
Conceituação da palavra “mentira” (alternativa D) é parcial: o texto fala de mentira, mas o foco é especificamente nas fake news e na desinformação, não na mentira em geral.
A alternativa A é a única que abrange todo o texto, pois os dois termos são o fio condutor que liga todos os parágrafos.
Análise das alternativas
Tema central
1Fake news e desinformação
Contexto histórico (Roma Antiga)
Meio de difusão (redes sociais)
Conceituação (Bucci)
2Distratores
Detalhe (exemplo, meio, fonte)
Restrição (mentira em geral)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O texto desenvolve exatamente esse tema. O segundo parágrafo introduz os termos e o restante do texto os define e diferencia. A passagem-chave é:
“O que mudou nos últimos anos, depois da explosão das redes sociais, foi a escala e o meio de difusão de mentiras, que passaram a ser chamadas de fake news (notícias falsas) e desinformação.”
A partir daí, o autor explica a diferença entre os dois conceitos, citando Bucci e as três palavras inglesas. Portanto, o tema central é, de fato, as fake news e a desinformação.
Alternativa B — ❌ Incorreta
As redes sociais são citadas como o meio que ampliou a difusão de mentiras, mas não são o assunto principal. O texto não discute as redes sociais em si; elas aparecem apenas como contexto para explicar o fenômeno das fake news. Erro: tangenciar o tema — fala de um elemento que aparece no texto, mas não é o foco.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A Roma Antiga é usada como exemplo histórico no primeiro parágrafo para mostrar que a mentira política é antiga. O texto não trata dos hábitos da Roma Antiga; esse é apenas um ponto de partida. Erro: tangenciar o tema — toma um detalhe pelo assunto central.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O texto menciona a mentira, mas o foco é especificamente nas fake news e na desinformação, que são tipos de mentira. A alternativa restringe o tema ao conceito genérico de “mentira”, quando o texto se aprofunda em um fenômeno específico. Erro: restringir o alcance — suprime a especificidade do tema.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O professor Eugênio Bucci é citado como fonte de autoridade para explicar o que é fake news, mas o texto não é um estudo sobre ele. Ele é um recurso argumentativo, não o tema. Erro: tangenciar o tema — confunde um elemento de apoio com o assunto central.
Fechamento
Para identificar o tema central, pergunte-se: sobre o quê o texto fala do início ao fim? Se uma alternativa menciona algo que aparece apenas como exemplo, meio ou fonte, ela não é o tema. A alternativa correta é a que abrange a totalidade do texto, sem restringir nem extrapolar.