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Questão de Português — Figuras de Linguagem — FUNDATEC 2025

PortuguêsFiguras de Linguagem
Código
qa675731
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref St'a Livramento
Ano
2025
Cargo
GCM ( )

Anda raro a gente flagrar alguém se emocionando de verdade

 

Por Martha Medeiros

 

Ando sentimental. Quase fui às lágrimas ao assistir na TV um comercial do Enem chamando para inscrições: a propaganda mostrava cenas reais de estudantes no momento exato em que descobriam que haviam passado no vestibular. Uma sequência de vídeos caseiros, gravados por familiares. Jovens incrédulos, cercados por seus pais e amigos, debulhando-se. Nenhuma emoção ensaiada, apenas a explosão de alegria e alívio diante de uma vitória pessoal. Anda raro a gente flagrar alguém se emocionando de verdade sem que seja uma performance para impressionar nas redes sociais.

 

Eu tinha 17 anos quando fiz vestibular para Comunicação Social. Era um curso menos concorrido que Medicina, mas não era tão fácil passar, tanto que não passei na federal. Acabei tentando a PUC. Fiz cursinho e estudei, mas não me debrucei sobre os livros com a obsessão necessária, então havia, sim, a possibilidade de eu rodar pela segunda vez. Não seria o fim do mundo, mas eu fracassaria diante dos meus pais, que haviam investido na minha preparação, e fracassaria também diante dos meus amigos, alguns já aprovados em concursos anteriores. Acordei apavorada no dia do listão.

 

Naquela época, janeiro de 1980, alguns vestibulandos nem esperavam o sol nascer: amanheciam nas sedes dos cursinhos ou das próprias universidades, onde a lista impressa com os nomes dos aprovados era fixada nas paredes. Todo mundo se acotovelava, se amontoava uns sobre os outros, na sofreguidão de encontrar seu nome. De repente, do meio do grupo pulava alguém aos gritos de felicidade, enquanto outros saíam cabisbaixos, enxugando os olhos – câmeras de TV flagravam tudo. Já os candidatos menos ansiosos esperavam para escutar seu nome pelo rádio, que transmitia a lista inteira, curso por curso, bixo por bixo, em ordem alfabética. Foi como eu aguardei o final dessa história.

 

Já transcorria metade da manhã quando o locutor entrou no ar anunciando os aprovados em Análise de Sistemas, Arquitetura e outros cursos que começavam com “A”. Eu estava em casa com a família em volta. Quando chegou a vez dos aprovados em Comunicação, não segurei a pressão, abandonei a sala onde estávamos reunidos. Não quis que testemunhassem meu fracasso. Fui para o quarto, sozinha, e liguei o radinho de pilha. Começou. Escutei o nome da Angélica, uma conhecida. Escutei o nome da Katia, minha melhor amiga.

 

Me arrependi de não ter estudado mais. Começaram as Marias, várias. Meu coração parado. Então ouvi meu nome e, em êxtase, gritei para o rádio: repete! Acreditava e não acreditava. Mas o locutor já estava dando a boa notícia à Nancy. Alguém devia ter filmado a minha emoção vertendo. Não era medo de fracassar, hoje sei. Eu tinha era pudor de ser feliz na frente dos outros. Não tenho mais.

 

(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/donna/colunistas/martha-medeiros/noticia/2025/06/anda-raro-a-gente-flagrar-alguem-se-emocionando-de-verdade-cmc4rpsxv003w016rn0t4nfvl.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

No trecho “meu coração parado” (5º parágrafo), observa-se o uso do(a)                                 , figura de linguagem que exagera uma ideia para criar um efeito dramático, cômico ou para dar ênfase a uma situação, sentimento ou ação.

 

Assinale a alternativa que preenche corretamente a lacuna do trecho acima.

  1. Ametáfora
  2. Bironia
  3. Cmetonímia
  4. Deufemismo
  5. Ehipérbole
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — hipérbole

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hipérbole em “meu coração parado” — Gabarito: letra E.

Gabarito: letra E. No trecho “meu coração parado” (5º parágrafo), a figura de linguagem é a hipérbole, pois há um exagero intencional: o coração não para literalmente, mas a expressão amplifica a intensidade da emoção da narradora ao ouvir seu nome na lista de aprovados. O próprio enunciado define a figura como aquela que “exagera uma ideia para criar um efeito dramático”, e é exatamente isso que ocorre no texto.

O comando e o que ele pede

A questão é de identificação de figura de linguagem em um trecho específico. O comando já fornece a definição da figura procurada: “exagera uma ideia para criar um efeito dramático, cômico ou para dar ênfase”. Portanto, não se trata de interpretar o texto, mas de reconhecer qual figura corresponde a essa definição e aplicá-la ao trecho. A palavra-chave é exagero — é ela que aponta diretamente para a hipérbole.

O texto e o contexto da expressão

No 5º parágrafo, a narradora descreve o momento em que ouve seu nome no rádio: “Meu coração parado. Então ouvi meu nome e, em êxtase, gritei para o rádio: repete!”. O coração não para de fato; a expressão é uma amplificação dramática da ansiedade e da emoção. O exagero serve para transmitir a intensidade do momento — é uma hipérbole clássica, como “morrer de rir” ou “chorar rios de lágrimas”.

A técnica: como distinguir as figuras

A hipérbole é uma figura de pensamento que consiste no exagero intencional de uma ideia, com finalidade expressiva. Veja as diferenças essenciais:

  • Metáfora: comparação implícita, sem conectivo, entre seres de universos distintos (ex.: “Ele é um leão”).

  • Ironia: dizer o contrário do que se quer comunicar, com tom crítico ou humorístico.

  • Metonímia: substituição de um termo por outro com relação de proximidade (ex.: “Li Machado de Assis” = obra pelo autor).

  • Eufemismo: suavização de uma ideia desagradável (ex.: “Ele partiu” = morreu).

  • Hipérbole: exagero intencional (ex.: “Estou morto de cansado”).

No trecho, não há comparação implícita (metáfora), nem oposição ou crítica (ironia), nem substituição por proximidade (metonímia), nem suavização (eufemismo). Há, sim, um exagero — o coração não para, mas a expressão intensifica a emoção. Portanto, a única figura que se encaixa é a hipérbole.

Análise das alternativas

1Hipérbole
Exagero intencional
Efeito dramático, cômico ou enfático
Ex.: "coração parado"
2Metáfora
Comparação implícita
Ex.: "coração de pedra"
3Ironia
Dizer o contrário
Tom crítico/humorístico
4Metonímia
Substituição por proximidade
Ex.: "Li Machado de Assis"
5Eufemismo
Suavização
Ex.: "Ele partiu"
Figuras de linguagem
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Figuras de linguagem: Hipérbole (Exagero intencional, Efeito dramático, cômico ou enfático, Ex.: "coração parado"); Metáfora (Comparação implícita, Ex.: "coração de pedra"); Ironia (Dizer o contrário, Tom crítico/humorístico); Metonímia (Substituição por proximidade, Ex.: "Li Machado de Assis"); Eufemismo (Suavização, Ex.: "Ele partiu")

Alternativa A — ❌ Incorreta

Metáfora é uma comparação implícita entre dois elementos de universos diferentes, sem conectivo. Em “meu coração parado”, não há comparação entre coração e outra coisa; há um exagero da reação emocional. A metáfora exigiria uma transferência de sentido por semelhança (ex.: “coração de pedra”), o que não ocorre. Erro: troca de conceito — confunde exagero com comparação implícita.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Ironia consiste em dizer o contrário do que se quer comunicar, geralmente com tom crítico ou humorístico. No trecho, a narradora está sendo sincera ao descrever sua emoção; não há intenção de zombar ou inverter o sentido. Erro: troca de conceito — a ironia exige um tom de oposição que não existe no contexto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Metonímia é a substituição de um termo por outro com relação de proximidade (parte pelo todo, autor pela obra, etc.). Em “meu coração parado”, não há substituição de termos; o coração é mencionado diretamente, e a expressão é um exagero, não uma relação de contiguidade. Erro: troca de conceito — confunde exagero com substituição por proximidade.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Eufemismo é o emprego de uma expressão mais suave para comunicar algo desagradável. No trecho, não há nada desagradável sendo suavizado; a emoção é positiva (êxtase). O eufemismo não se aplica. Erro: troca de conceito — confunde exagero com suavização.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Hipérbole é o exagero intencional de uma ideia para criar efeito dramático, cômico ou enfático. Em “meu coração parado”, o coração não para literalmente; a expressão amplifica a intensidade da emoção da narradora. O próprio enunciado define a figura como aquela que “exagera uma ideia”, e é exatamente isso que ocorre. Correta — a única que corresponde à definição e ao contexto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre hipérbole e metáfora, pois “coração parado” pode sugerir uma imagem metafórica, mas o efeito predominante é o exagero da emoção. Fique atento à palavra “exagera” no enunciado — ela é a chave.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar figuras de linguagem, pergunte: há exagero? (hipérbole), há comparação implícita? (metáfora), há oposição? (ironia), há substituição por proximidade? (metonímia), há suavização? (eufemismo). A resposta certa é a que melhor se encaixa no efeito do trecho.

Gabarito: letra E.

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