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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — FUNDATEC 2025

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
qa675939
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Soledade (RS)
Ano
2025
Cargo
ACI ( )

Rituais

 

Por Cláudia Laitano

Venho de uma família que nunca caprichou muito nos rituais. Natal, Páscoa e mesmo os aniversários eram celebrados sem grandes extremos de inventividade. Nada de tio fantasiado de Papai Noel, patinhas de coelho feitas de talco ou produções muito elaboradas nas festas. Pessoal lá em casa era adepto do pacote BBB: bolo, balão, brigadeiro.

 

A suspeita de que eu, talvez, estivesse perdendo alguma coisa surgiu mais tarde. Já adolescente, fui passar o fim de semana da Páscoa na casa de uma amiga e, para minha surpresa, o almoço caprichado e os ovinhos escondidos embaixo do sofá eram apenas o aperitivo da festa. Havia toda uma operação logística para transformar o domingo inteiro em um dia especial para as crianças. Fiquei maravilhada com toda aquela dedicação à criação de memórias e me lembro de ter feito uma anotação mental para o futuro. Quando eu tivesse filhos, todas as Páscoas seriam assim: divertidas, monumentais, memoráveis.

 

Falhei miseravelmente.

 

Talvez o talento para ritualizar o cotidiano seja hereditário e eu não tive muita sorte nessa loteria genética. Talvez o problema seja geracional, e eu tenha crescido acreditando que o espontâneo, o não planejado, valia mais do que a tradição. De qualquer forma, acho bonitas as raras ocasiões em que um ritual tradicional é acompanhado pelo sentimento genuíno que deveria estar lá desde o início. O casamento que nos faz pensar mais na felicidade dos noivos do que na qualidade do bufê, o velório em que o compartilhamento do luto é mais importante do que uma bênção apressada e protocolar. O mais comum, no entanto, é que os rituais sacrifiquem o sentimento em nome da mera repetição de uma tradição esvaziada – ou que tudo acabe se transformando em espetáculo.

 

Um exemplo. Aqui nos Estados Unidos, o pedido de casamento sempre envolveu certo protocolo. O noivo tem que “surpreender” a noiva com um pedido criativo, e ela tem que ser “surpreendida” pelo sujeito que se ajoelha à frente dela com um anel. Durante anos vi isso em filmes, e achava que não era possível que a coisa acontecesse assim mesmo, de verdade. Por incrível que pareça (pra mim, pelo menos), versões superproduzidas desse modelo de pedido de casamento tão notavelmente anacrônico são hoje mais comuns do que Papai Noel de shopping – no Brasil inclusive.

 

Fazemos as coisas de certo modo porque elas nos indicam de onde viemos, da mesma forma que abrimos mão de algumas tradições exatamente para marcar uma diferença, uma mudança de costumes, uma transformação social. No caso dos pedidos de casamento ultrarromânticos, o curioso é ver a tradição indo para um lado, enquanto as pessoas de verdade parecem estar indo, quase todas, para o outro.

 

(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/claudia-laitano/noticia/2025/10/rituaiscmh9apwui0055010drru95zic. html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Leia o texto abaixo.

 

São propostas de alteração que mantêm o sentido original dos trechos a seguir:

 

I. Substituição da palavra “mesmo” por “até” no trecho “Natal, Páscoa e mesmo os aniversários eram celebrados”.

II. Substituição de “o domingo inteiro” e “todo o domingo” no trecho “para transformar o domingo inteiro”.

III. Supressão da palavra “do”, em “do que uma”, no trecho “o compartilhamento do luto é mais importante do que uma bênção apressada”.

IV. Substituição da palavra “mera” por “simples” em “sacrifiquem o sentimento em nome da mera repetição”.

 

Quais estão corretas?

  1. AApenas I.
  2. BApenas I e IV.
  3. CApenas II e III.
  4. DApenas I, II e III.
  5. EI, II, III e IV.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — I, II, III e IV.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita de frases: substituições que preservam o sentido

Gabarito: letra E (I, II, III e IV). Todas as quatro propostas de alteração mantêm o sentido original dos trechos. A questão testa a capacidade de reconhecer sinônimos contextuais e variações de construção que não alteram o significado — e, em cada item, a troca proposta é semanticamente equivalente à expressão original, sem mudança de sentido ou prejuízo gramatical.

O comando e o método

O enunciado pede que se identifiquem as propostas de alteração que mantêm o sentido original. Isso é diferente de pedir "a reescrita correta" ou "a que melhora o texto": aqui, o critério é exclusivamente semântico — a troca não pode acrescentar, suprimir ou inverter ideias. Para cada item, o caminho é: (1) identificar o sentido da expressão original no contexto; (2) verificar se a palavra/construção proposta carrega o mesmo valor; (3) checar se a gramática da frase continua íntegra.

O texto e o ponto de ancoragem

O texto "Rituais", de Cláudia Laitano, discute a relação entre tradição e sentimento genuíno. Os trechos citados nos itens estão espalhados pelo texto, mas todos têm função argumentativa clara: descrever a simplicidade dos rituais familiares (item I), a dedicação à criação de memórias (item II), a crítica aos rituais esvaziados (itens III e IV). A resposta não depende de interpretação profunda — depende de análise lexical e sintática pontual de cada substituição.

A técnica que decide: equivalência semântica e gramatical

A regra de ouro para questões de substituição é: a troca preserva o sentido se (a) as palavras são sinônimas no contexto e (b) a estrutura sintática continua correta. Vamos aplicar isso item a item.

  • Item I: "mesmo" e "até" são sinônimos contextuais quando indicam inclusão — "Natal, Páscoa e até os aniversários" tem exatamente o mesmo valor de "Natal, Páscoa e mesmo os aniversários": ambos incluem os aniversários como mais um item da lista, com leve ênfase aditiva. A troca é perfeita.

  • Item II: "o domingo inteiro" e "todo o domingo" são expressões equivalentes — ambas indicam a totalidade do domingo. Não há mudança de sentido nem de registro.

  • Item III: a supressão do "do" em "mais importante do que" gera "mais importante que" — ambas as formas são corretas e equivalentes em comparações. A preposição "de" é facultativa nessa construção comparativa.

  • Item IV: "mera" e "simples" são sinônimos no contexto — ambas qualificam a repetição como algo de pouco valor, destituído de importância. A troca mantém o tom crítico do trecho.

Análise das alternativas

Item I — ✅ Correto

"Natal, Páscoa e mesmo os aniversários eram celebrados"

A palavra "mesmo" aqui tem valor de inclusão/adição: indica que até os aniversários — que poderiam ser considerados menos importantes — eram celebrados. "Até" cumpre exatamente essa função: "Natal, Páscoa e até os aniversários". A troca preserva o sentido de acréscimo com ênfase. Correto.

Item II — ✅ Correto

"para transformar o domingo inteiro em um dia especial"

"O domingo inteiro" e "todo o domingo" são expressões sinônimas — ambas denotam a totalidade do dia. Não há diferença semântica relevante: "inteiro" e "todo" funcionam como quantificadores de totalidade. A substituição é válida. Correto.

Item III — ✅ Correto

"o compartilhamento do luto é mais importante do que uma bênção apressada"

Na comparação de superioridade, a forma "mais importante do que" e "mais importante que" são igualmente corretas e equivalentes. A preposição "de" é facultativa nessa construção — sua supressão não altera o sentido nem prejudica a gramática. Correto.

Item IV — ✅ Correto

"sacrifiquem o sentimento em nome da mera repetição"

"Mera" e "simples" são sinônimos no contexto: ambas indicam algo de pouco valor, reduzido à sua essência mais básica. A troca mantém o tom crítico do trecho — a repetição é vista como algo vazio, sem sentimento. Correto.

Conclusão

Todas as quatro propostas preservam o sentido original. A banca testa a capacidade de reconhecer sinônimos contextuais (itens I e IV) e construções equivalentes (itens II e III). O erro mais comum seria marcar apenas I e IV (letra B), por achar que "do que" e "que" são diferentes, ou que "inteiro" e "todo" não são intercambiáveis — mas ambos os pares são perfeitamente equivalentes.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de substituição, pergunte-se: "a troca muda o sentido?" Se as palavras são sinônimas no contexto e a gramática continua correta, a substituição é válida. Desconfie apenas de trocas que alterem o tom, a ênfase ou a regência.

Gabarito: letra E

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