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Questão de Português — Orações Subordinadas Adjetivas — FUNDATEC 2025

PortuguêsOrações Subordinadas Adjetivas
Código
qa675940
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Soledade (RS)
Ano
2025
Cargo
ACI ( )

Rituais

 

Por Cláudia Laitano

Venho de uma família que nunca caprichou muito nos rituais. Natal, Páscoa e mesmo os aniversários eram celebrados sem grandes extremos de inventividade. Nada de tio fantasiado de Papai Noel, patinhas de coelho feitas de talco ou produções muito elaboradas nas festas. Pessoal lá em casa era adepto do pacote BBB: bolo, balão, brigadeiro.

 

A suspeita de que eu, talvez, estivesse perdendo alguma coisa surgiu mais tarde. Já adolescente, fui passar o fim de semana da Páscoa na casa de uma amiga e, para minha surpresa, o almoço caprichado e os ovinhos escondidos embaixo do sofá eram apenas o aperitivo da festa. Havia toda uma operação logística para transformar o domingo inteiro em um dia especial para as crianças. Fiquei maravilhada com toda aquela dedicação à criação de memórias e me lembro de ter feito uma anotação mental para o futuro. Quando eu tivesse filhos, todas as Páscoas seriam assim: divertidas, monumentais, memoráveis.

 

Falhei miseravelmente.

 

Talvez o talento para ritualizar o cotidiano seja hereditário e eu não tive muita sorte nessa loteria genética. Talvez o problema seja geracional, e eu tenha crescido acreditando que o espontâneo, o não planejado, valia mais do que a tradição. De qualquer forma, acho bonitas as raras ocasiões em que um ritual tradicional é acompanhado pelo sentimento genuíno que deveria estar lá desde o início. O casamento que nos faz pensar mais na felicidade dos noivos do que na qualidade do bufê, o velório em que o compartilhamento do luto é mais importante do que uma bênção apressada e protocolar. O mais comum, no entanto, é que os rituais sacrifiquem o sentimento em nome da mera repetição de uma tradição esvaziada – ou que tudo acabe se transformando em espetáculo.

 

Um exemplo. Aqui nos Estados Unidos, o pedido de casamento sempre envolveu certo protocolo. O noivo tem que “surpreender” a noiva com um pedido criativo, e ela tem que ser “surpreendida” pelo sujeito que se ajoelha à frente dela com um anel. Durante anos vi isso em filmes, e achava que não era possível que a coisa acontecesse assim mesmo, de verdade. Por incrível que pareça (pra mim, pelo menos), versões superproduzidas desse modelo de pedido de casamento tão notavelmente anacrônico são hoje mais comuns do que Papai Noel de shopping – no Brasil inclusive.

 

Fazemos as coisas de certo modo porque elas nos indicam de onde viemos, da mesma forma que abrimos mão de algumas tradições exatamente para marcar uma diferença, uma mudança de costumes, uma transformação social. No caso dos pedidos de casamento ultrarromânticos, o curioso é ver a tradição indo para um lado, enquanto as pessoas de verdade parecem estar indo, quase todas, para o outro.

 

(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/claudia-laitano/noticia/2025/10/rituaiscmh9apwui0055010drru95zic. html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Leia o texto abaixo.   Assinale a alternativa que apresenta palavra ou expressão que possa substituir corretamente “em que” no trecho a seguir:   “o velório em que o compartilhamento do luto é mais importante”.
  1. ACuja.
  2. BEm cujo.
  3. CAonde.
  4. DOnde.
  5. EEm qual.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Onde.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de “em que” por “onde” — Gabarito: letra D.

Gabarito: letra D. A alternativa D é a correta porque, no trecho “o velório em que o compartilhamento do luto é mais importante”, o pronome relativo “em que” retoma o substantivo “velório”, que indica lugar físico; nesse caso, a gramática normativa permite substituí-lo por “onde”, que também é pronome relativo com valor de lugar. Como se lê no texto: “o velório em que o compartilhamento do luto é mais importante do que uma bênção apressada e protocolar”.

O comando pede uma substituição correta — ou seja, uma palavra ou expressão que possa ocupar o lugar de “em que” sem alterar o sentido e respeitando a regência. Isso é uma questão de pronome relativo e de oração subordinada adjetiva: “em que” introduz uma oração que caracteriza o antecedente “velório”, funcionando como adjunto adnominal. A troca só é válida se o substituto também for pronome relativo e se adequar ao antecedente.

No trecho, o antecedente é “velório” — um lugar físico (o local onde ocorre a cerimônia fúnebre). Para retomar lugar, a norma culta oferece duas possibilidades principais: “onde” (equivalente a “em que”, com ideia de permanência/estaticidade) e “aonde” (equivalente a “para onde”, com ideia de movimento). Como o verbo da oração adjetiva é “é” (verbo de ligação, sem ideia de movimento), o correto é “onde”, e não “aonde”.

A banca explora exatamente essa distinção: “onde” = lugar estático; “aonde” = movimento/direção. Além disso, testa se o candidato sabe que “cujo” e “em cujo” indicam posse e não podem ser usados aqui, e que “em qual” não é pronome relativo (é interrogativo ou indefinido, e não inicia oração adjetiva).

PEGA ESSA DICA!

Para resolver questões de substituição de pronome relativo, identifique o antecedente e a função sintática que o pronome exerce na oração adjetiva. Se o antecedente for lugar e não houver movimento, use “onde”; se houver movimento, use “aonde”.

1Onde
Lugar estático (equivale a "em que")
Verbo de ligação ("é")
2Aonde
Só com movimento (direção)
3Cujo / Em cujo
Indica posse (exige substantivo)
4Em qual
Não é pronome relativo
Pronome relativo (retoma "velório" = lugar)
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Pronome relativo (retoma "velório" = lugar): Onde (Lugar estático (equivale a "em que"), Verbo de ligação ("é")); Aonde (Só com movimento (direção)); Cujo / Em cujo (Indica posse (exige substantivo)); Em qual (Não é pronome relativo)

Alternativa A — ❌ Incorreta

“Cuja” é pronome relativo que indica posse e exige um substantivo depois (sem artigo). No trecho, não há relação de posse entre “velório” e “compartilhamento do luto”; além disso, “cuja” não pode ser seguido de artigo (“cuja o” é erro). A substituição por “cuja” quebraria a estrutura e o sentido.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“Em cujo” também indica posse e exige substantivo após, sem artigo. Não há posse no trecho, e a preposição “em” já está contemplada no “em que” original, mas “cujo” não se aplica a lugar. A troca por “em cujo” alteraria completamente a relação sintática.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“Aonde” é usado com verbos que indicam movimento (ex.: “Vou aonde você estiver”). No trecho, o verbo é “é” (estático), e o antecedente “velório” não pede movimento. Usar “aonde” aqui seria um erro clássico de regência.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“Onde” é pronome relativo que retoma lugar físico e equivale a “em que”. No trecho, “velório” é lugar, e a oração “onde o compartilhamento do luto é mais importante” caracteriza esse lugar. A substituição mantém o sentido e a correção gramatical. Como o verbo é de ligação, não há movimento, então “onde” é a escolha certa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

“Em qual” não é pronome relativo; é usado em perguntas indiretas ou como pronome indefinido/interrogativo (ex.: “Não sei em qual sala ele está”). Não pode introduzir oração subordinada adjetiva. A troca por “em qual” tornaria o período agramatical.

Conclusão: a única substituição que preserva o sentido e a norma culta é “onde”, pois o antecedente “velório” é lugar e não há movimento. Gabarito: letra D.

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