Ele não simboliza a bolsa como um todo. Bull Market (“mercado do touro”) é um jargão para quando as ações estão em alta. Daí o bicho ser amuleto. Na bolsa alemã, há uma estátua diferente: um touro e um urso, que simboliza o contrário, ações em queda. Alguns investidores torcem para isso, porque eles operam de outro jeito: primeiro, vendem uma ação que não têm, e só depois compram a dita-cuja para entregar. Eles lucram quando o valor da ação cai nesse intervalo. Ou seja: apostam na queda. “Vender a pele do urso antes de caçá-lo” é um provérbio inglês, daí a associação entre o animal e quem faz isso. Primeiro, vieram os ursos. Só depois o touro foi adotado como antônimo, talvez porque ele ataca chifrando para cima (a verdade é que ninguém sabe ao certo).
-da-bolsa-de-valores/ – texto adaptado especialmente para esta prova).
TEXTO 01
No trecho retirado do texto “Alguns investidores torcem para isso, porque eles operam de outro jeito”, a oração sublinhada estabelece com a anterior uma relação de:
AConsequência.
BFinalidade.
CComparação.
DAdição.
ECausa.
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GabaritoE — Causa.
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Relação semântica da conjunção "porque" — Gabarito: letra E.
Gabarito: letra E. No trecho “Alguns investidores torcem para isso, porque eles operam de outro jeito”, a oração sublinhada estabelece com a anterior uma relação de causa: o “porque” introduz o motivo pelo qual os investidores torcem para a queda das ações. A passagem que ancora essa leitura está no próprio texto, quando explica o modo de operar desses investidores: “primeiro, vendem uma ação que não têm, e só depois compram a dita-cuja para entregar. Eles lucram quando o valor da ação cai nesse intervalo. Ou seja: apostam na queda.” É exatamente esse “operar de outro jeito” que causa a torcida pela queda — por isso a relação é de causa, e não de consequência, finalidade, comparação ou adição.
O comando: o que a banca pede
A questão é de gramática aplicada ao texto: não se pergunta o que o texto diz, mas que valor semântico a conjunção “porque” assume no trecho destacado. Isso muda a estratégia: você não precisa interpretar o texto inteiro, apenas isolar o par de orações e perguntar: a segunda oração explica o motivo da primeira, ou apresenta o resultado dela? Quando a oração introduzida por “porque” responde à pergunta “por quê?” sobre a oração anterior, a relação é de causa.
O texto: onde mora a resposta
O texto explica por que o touro é símbolo da bolsa: ele representa o bull market (ações em alta). Em seguida, apresenta o urso como símbolo do oposto — ações em queda — e explica que alguns investidores torcem para isso (a queda). A razão dessa torcida vem logo depois:
“Alguns investidores torcem para isso, porque eles operam de outro jeito: primeiro, vendem uma ação que não têm, e só depois compram a dita-cuja para entregar. Eles lucram quando o valor da ação cai nesse intervalo. Ou seja: apostam na queda.”
A oração “porque eles operam de outro jeito” justifica a torcida: é porque operam vendendo antes de comprar (apostando na queda) que eles torcem para a queda. A causa é o modo de operar; a consequência é a torcida. O “porque” é, portanto, uma conjunção subordinativa causal.
A técnica: causa × consequência (a pegadinha clássica)
A banca adora inverter a direção da relação. Veja o esquema mental que resolve:
Causa = o motivo, a razão, o “porquê” do fato. Responde à pergunta: por que isso acontece?
Consequência = o efeito, o resultado do fato. Responde à pergunta: o que isso provoca?
No trecho, a torcida é o efeito; o modo de operar é a causa. A conjunção “porque” liga a consequência (torcer) à sua causa (operar de outro jeito). Se a banca tivesse escrito “eles operam de outro jeito, portanto torcem para isso”, aí sim teríamos consequência — mas não é o caso.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca a direção da relação: apresenta “consequência” como se fosse a resposta, mas o “porque” introduz a causa. Confira sempre: o que o “porque” explica? Se explica o motivo, é causa.
Análise das alternativas
Conjunção "porque"
1Valor causal
Introduz o motivo
Responde "por quê?"
Ex.: torcem porque operam de outro jeito
2Confusões comuns
Consequência (inverte a direção)
Finalidade (objetivo, "para que")
Comparação (paralelo)
Adição (soma)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Consequência. A oração anterior (“Alguns investidores torcem para isso”) é que é a consequência; a oração sublinhada é a causa. A alternativa inverte a relação: atribui à oração sublinhada o papel de efeito, quando ela é o motivo. Erro típico de troca de direção (causa × consequência).
Alternativa B — ❌ Incorreta
Finalidade. Finalidade expressa objetivo, propósito (“para que”). No trecho, “porque” não indica intenção, e sim motivo. Se fosse finalidade, a oração responderia a “para quê?” — por exemplo: “torcem para que as ações caiam”. Não é o caso. A alternativa extrapola um sentido que o “porque” pode ter em outros contextos, mas não neste.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Comparação. Comparação estabelece paralelo entre dois elementos (“como”, “tal qual”, “mais que”). Não há nenhum termo comparativo no trecho; o “porque” não compara nada. A alternativa tangencia o tema, pois comparação é outra relação semântica comum, mas ausente aqui.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Adição. Adição soma ideias (“e”, “também”). O “porque” não acrescenta uma informação nova e independente; ele explica a anterior. A oração sublinhada é subordinada (dependente), não coordenada aditiva. A alternativa confunde o valor do conectivo: “porque” não é aditivo neste contexto.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Causa. O “porque” introduz a razão da torcida: “eles operam de outro jeito”. O texto confirma: “Eles lucram quando o valor da ação cai nesse intervalo. Ou seja: apostam na queda.” É porque apostam na queda que torcem para ela. Relação de causa perfeita.
PEGA ESSA DICA!
Para não errar, faça o teste da pergunta: “Por que os investidores torcem para isso?” → “Porque eles operam de outro jeito.” Se a oração com “porque” responde ao “por quê?”, é causa. Se respondesse a “o que acontece então?”, seria consequência.
Conclusão: a oração sublinhada estabelece relação de causa com a anterior, pois apresenta o motivo da torcida. Gabarito: letra E.