O porquê é fácil: para socializar. Papagaios e outros pássaros com essa habilidade imitam quaisquer sons típicos de seu habitat (um exemplar de pássaro-lira australiano muito acostumado a ser fotografado faz até o clique de uma câmera). Na natureza, isso significa copiar outras aves selvagens para criar laços. Em cativeiro, nós somos a família do bichinho, e ele quer aprender o código de comunicação da casa. Assim, uma expressão como “tudo bem?” acaba associada ao momento em que uma pessoa entra pela porta. O “como” é mais difícil. Nós articulamos fonemas usando dentes, língua, lábios... Os pássaros não têm lábios ou dentes, mas compensam com a siringe: um complexo sistema de membranas localizado no ponto onde o sistema respiratório se bifurca para dar acesso aos pulmões. A siringe é mais sofisticada que nossas pregas vocais: permite articular dois sons simultâneos, usando separadamente o ar exalado por cada pulmão.
No trecho retirado do texto “A siringe é mais sofisticada que nossas pregas vocais”, os termos sublinhados formam uma conjunção:
AConcessiva.
BConformativa.
CComparativa.
DCondicional.
ECausal.
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GabaritoC — Comparativa.
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Conjunção comparativa: “mais sofisticada que” — Gabarito: letra C.
Gabarito: letra C. No trecho “A siringe é mais sofisticada que nossas pregas vocais”, a locução “mais... que” estabelece uma comparação entre a siringe e as pregas vocais humanas — exatamente o valor semântico das conjunções subordinativas adverbiais comparativas. A pista decisiva é o “mais” (advérbio de intensidade) que exige o “que” como segundo termo da comparação, estrutura típica do comparativo de superioridade.
O comando
A questão pede que você classifique a conjunção presente no trecho destacado. Isso é uma tarefa de gramática aplicada ao texto: não basta decorar listas de conjunções; é preciso ler o contexto e identificar a relação de sentido que o conectivo estabelece entre as orações. Aqui, o comando é direto: “os termos sublinhados formam uma conjunção” — e as alternativas listam os cinco valores adverbiais mais cobrados (concessiva, conformativa, comparativa, condicional, causal).
O texto e a estrutura da frase
No texto, o autor explica por que os pássaros conseguem falar: eles não têm lábios ou dentes, mas compensam com a siringe. A frase-chave é:
“A siringe é mais sofisticada que nossas pregas vocais”
Aqui, o autor compara dois elementos: a siringe (das aves) e as pregas vocais (humanas). O “mais” indica que a siringe possui uma qualidade em grau superior; o “que” introduz o segundo termo da comparação (o elemento com o qual se compara). Essa estrutura — mais + adjetivo + que — é a marca registrada da comparação de superioridade.
A técnica que decide
Para classificar uma conjunção, pergunte: que relação ela estabelece entre as ideias?
Comparativa: compara dois elementos, geralmente com mais/menos/tão/tanto + que/como.
Concessiva: indica uma ressalva, uma quebra de expectativa (embora, ainda que, mesmo que).
Conformativa: indica conformidade, ou seja, “de acordo com” (conforme, segundo, como).
Condicional: indica uma condição para que algo ocorra (se, caso, desde que).
Causal: indica causa, motivo (porque, pois, já que).
No trecho, não há ressalva, nem conformidade, nem condição, nem causa. Há comparação: a siringe é mais sofisticada do que as pregas vocais. Portanto, a conjunção é comparativa.
Análise das alternativas
Conjunções subordinativas adverbiais: Comparativa (mais/menos/tão + que/como, compara dois elementos); Concessiva (embora, ainda que, mesmo que, ressalva/oposição); Conformativa (conforme, segundo, como, de acordo com); Condicional (se, caso, desde que, condição para algo); Causal (porque, pois, já que, causa/motivo)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Concessiva. As conjunções concessivas (embora, ainda que, mesmo que) expressam oposição ou ressalva: “Embora seja mais sofisticada, a siringe não é perfeita”. No trecho, não há ideia de concessão; há comparação. Erro: troca de valor semântico — a banca tenta confundir com a ideia de “apesar de”, que não está presente.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Conformativa. As conformativas (conforme, segundo, como) indicam conformidade: “Conforme o texto, a siringe é sofisticada”. No trecho, o “que” não introduz uma oração que expressa conformidade; ele é o segundo termo da comparação. Erro: troca de valor semântico — a banca apela para o “como” que também pode ser comparativo, mas aqui não há conformidade.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Comparativa. A locução “mais... que” é a estrutura clássica do comparativo de superioridade. O texto compara a siringe com as pregas vocais, afirmando que a primeira é mais sofisticada do que a segunda. A passagem que prova:
“A siringe é mais sofisticada que nossas pregas vocais”
O “mais” exige o “que” para completar a comparação. Sem o “que”, a frase ficaria incompleta: “A siringe é mais sofisticada” — mais do quê? O “que” introduz o termo com o qual se compara. É a única alternativa que nomeia corretamente a relação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Condicional. As condicionais (se, caso, desde que) expressam condição: “Se a siringe for mais sofisticada, as aves falam melhor”. No trecho, não há hipótese nem condição; há uma afirmação comparativa. Erro: troca de valor semântico — a banca tenta confundir com a ideia de “se”, que não aparece.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Causal. As causais (porque, pois, já que) expressam causa: “A siringe é mais sofisticada porque tem duas membranas”. No trecho, o “que” não introduz uma causa; ele é o segundo termo da comparação. Erro: troca de valor semântico — a banca apela para o “que” que também pode ser causal em outros contextos, mas aqui não há relação de causa.
Fechamento
A regra de ouro: não decore listas de conjunções isoladas — sempre analise o contexto. A mesma palavra “que” pode ser comparativa, causal, concessiva etc., dependendo da relação que estabelece. Aqui, o “mais” é a pista infalível: ele anuncia uma comparação. Portanto, Gabarito: letra C.