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Questão de Português — Tipologia e Gênero Textual — FUNDATEC 2025

PortuguêsTipologia e Gênero Textual
Código
qa676011
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Venâncio Aires
Ano
2025
Cargo
Moto (Venâncio A)

Existe algum truque para diferenciar cobra-coral verdadeira e falsa?

 

Por Bruno Carbinatto

 

Não – pelo menos para leigos. Supostas técnicas dizem que dá para distingui-las por meio das cores, dos padrões de manchas ou de outras características. Mas isso não passa de balela.

 

Existem mais de 30 espécies de corais-verdadeiras, e cerca de 60 espécies de corais-falsas – que imitam as verdadeiras, mas cuja peçonha não é tóxica para humanos. Especialistas conseguem diferenciá-las pelo formato da cabeça, tamanho dos olhos e dentição, mas não recomendamos que você abra a boca do bicho para verificar. De todas as cobras peçonhentas do Brasil, as corais são as que têm a toxina mais potente. Felizmente, elas não são agressivas nem dão bote: segundo o Ministério da Saúde, menos de 1% das picadas de cobra são delas.

 

Os poucos acidentes costumam ocorrer justamente com pessoas que as pegam na mão.

 

Na dúvida, fique longe.

 

(Disponível em: https://goread.com.br/viewer/superinteressante/por-que-e-

tao-dificil-salvar-o-clima/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Qual é a principal intenção comunicativa do texto?
  1. AInformar o leitor sobre a vida das cobras do Brasil.
  2. BComparar tipos de cobras de diferentes regiões.
  3. CConvencer o leitor a não tentar diferenciar a cobra-coral verdadeira da falsa, devido aos riscos.
  4. DEnsinar o leitor a manusear uma cobra-coral para identificar se é a verdadeira ou a falsa.
  5. EMostrar que nenhum tipo de cobra-coral representa risco à população.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Convencer o leitor a não tentar diferenciar a cobra-coral verdadeira da falsa, devido aos riscos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Intenção comunicativa do texto sobre cobras-corais — Gabarito: letra C.

A principal intenção comunicativa do texto é convencer o leitor a não tentar diferenciar a cobra-coral verdadeira da falsa, devido aos riscos — exatamente o que afirma a alternativa C. O texto parte da pergunta-título, responde que não há truque para leigos e, ao longo dos parágrafos, reforça o perigo (toxina potente, acidentes com quem pega na mão) até concluir com a ordem direta: "Na dúvida, fique longe." Essa estrutura — apresentar um problema, mostrar os riscos e encerrar com uma recomendação — é típica do texto dissertativo-argumentativo, cuja finalidade é persuadir, não apenas informar.

O comando: o que a questão pede

O enunciado pergunta pela "principal intenção comunicativa" — ou seja, qual é o propósito central do autor ao escrever. Isso não é o mesmo que perguntar "qual é o tema" ou "o que o texto informa". A intenção comunicativa é a finalidade que orienta a escolha do conteúdo e da forma: informar? convencer? instruir? emocionar? Para responder, você deve identificar a tese (o que o autor defende) e o movimento argumentativo (como ele sustenta essa defesa).

O texto: tema, tese e argumentos

  • Tema: a dificuldade de diferenciar cobra-coral verdadeira de falsa.

  • Tese: não há truque seguro para leigos; o melhor é evitar o contato.

  • Argumentos:

    • As supostas técnicas "não passam de balela" (1º parágrafo).

    • As corais verdadeiras têm a toxina mais potente entre as cobras peçonhentas do Brasil (2º parágrafo).

    • Os acidentes ocorrem com quem as pega na mão (3º parágrafo).

    • Conclusão imperativa: "Na dúvida, fique longe." (4º parágrafo).

O autor não se limita a expor fatos: ele defende uma posição (não tente diferenciar) e convence o leitor a adotar um comportamento de segurança. Isso caracteriza a dissertação argumentativa, cuja finalidade é persuadir.

A técnica que decide: informar × convencer

A pegadinha central desta questão é a confusão entre texto expositivo e texto argumentativo. O texto traz informações (número de espécies, potência da toxina, estatística de picadas), mas essas informações servem de argumento para a tese. A presença de dados não torna o texto meramente informativo; o que importa é a intenção com que eles são usados. Como o autor conclui com uma recomendação ("fique longe"), fica claro que o objetivo é influenciar o comportamento do leitor.

"Na dúvida, fique longe."

Essa frase final é a chave: é um conselho, uma orientação direta ao leitor. Textos que apenas informam não terminam com ordens ou conselhos; textos que convencem sim.

Análise das alternativas

Intenção comunicativa
  • 1Texto dissertativo-argumentativo
    • Tese: não há truque seguro para leigos
    • Argumentos
      • Técnicas são "balela"
      • Toxina mais potente do Brasil
      • Acidentes com quem pega na mão
    • Conclusão imperativa
      • "Na dúvida, fique longe"
  • 2Finalidade
    • Persuadir / convencer
    • Não é apenas informar
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: tangenciar (fuga ao tema). O texto não fala sobre "a vida das cobras do Brasil" em geral. Ele trata especificamente das cobras-corais e do risco de diferenciá-las. A alternativa amplia indevidamente o escopo: o texto não aborda hábitos, alimentação, reprodução ou outras espécies. Além disso, mesmo que houvesse informações sobre corais, a intenção não seria meramente informar, mas alertar.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: extrapolar. O texto não compara tipos de cobras de diferentes regiões. Ele menciona que existem corais verdadeiras e falsas, mas não faz comparação geográfica (ex.: corais da Amazônia vs. do Cerrado). A comparação que existe é entre verdadeiras e falsas, e mesmo essa comparação é usada para argumentar sobre o risco, não como fim em si mesma. A alternativa inventa um conteúdo que não está no texto.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

É a única inteiramente sustentada pelo texto. O autor:

  • Responde que não há truque para leigos (1º parágrafo);

  • Alerta que as corais têm a toxina mais potente (2º parágrafo);

  • Informa que os acidentes ocorrem com quem pega na mão (3º parágrafo);

  • Conclui: "Na dúvida, fique longe." (4º parágrafo).

Todo o texto converge para desaconselhar a tentativa de diferenciação e recomendar distância. A intenção é persuasiva: convencer o leitor a não se arriscar.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: contradizer o texto. O texto explicitamente diz que não se deve tentar diferenciar as corais, e muito menos manusear o animal. Veja:

"Especialistas conseguem diferenciá-las pelo formato da cabeça, tamanho dos olhos e dentição, mas não recomendamos que você abra a boca do bicho para verificar."

A alternativa D afirma que o texto ensina a manusear a cobra para identificar — exatamente o oposto. É uma inversão total da mensagem.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: contradizer o texto. O texto afirma que as corais verdadeiras têm a toxina mais potente entre as cobras peçonhentas do Brasil e que os acidentes, embora raros, ocorrem. A alternativa E diz que "nenhum tipo de cobra-coral representa risco" — o que é falso segundo o texto. O autor até reconhece que "menos de 1% das picadas" são de corais, mas isso não significa ausência de risco; pelo contrário, o risco existe e é por isso que ele recomenda cautela.

Conclusão

Para questões de intenção comunicativa, pergunte-se: o autor quer apenas informar ou quer influenciar minha atitude? Se há uma tese e argumentos que a sustentam, com uma conclusão que orienta o leitor, o texto é argumentativo e a intenção é convencer. Aqui, a ordem final "fique longe" é a prova definitiva.

PEGA ESSA DICA!

Grife o comando — "intenção comunicativa" pede a finalidade do texto, não o tema. Desconfie de alternativas que apenas descrevem o assunto (A, B) ou que contradizem a recomendação central (D, E).

Gabarito: letra C.

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