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Questão de Português — Sinônimos e Antônimos — FUNDATEC 2025

PortuguêsSinônimos e Antônimos
Código
qa676083
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Soledade (RS)
Ano
2025
Cargo
Of Adm ( )

O Censo revelou um Brasil que nem todos conhecem

 

Por Gabriel Sant’ana Wainer

 

O IBGE divulgou a lista de nomes do Brasil e o resultado é uma espécie de retrato coletivo de um país inteiro. Por mais que as modas tentem nos convencer do contrário, ainda somos, no fundo, um povo de Marias, Josés e Silvas.

 

Só de Marias e Josés são mais de 17 milhões, mais do que toda a população do Rio Grande do Sul. Entre os sobrenomes, a família Silva domina o país com 34 milhões de brasileiros que carregam no RG o eco de uma floresta e o peso de uma história.

 

Silva vem do latim, significa “mata, floresta”. Era o nome dos portugueses que viviam perto do mato e também o sobrenome imposto a escravizados quando batizados, sem direito ao seu nome original. Era uma forma de apagamento: perder o nome para ganhar uma nova identidade que começava onde a outra terminava.

 

Santos veio da devoção ou da tentativa de purificação. Era dado a quem nascia no Dia de Todos os Santos ou a quem precisava apagar o passado aos olhos da Igreja. Oliveira, por sua vez, é a árvore bíblica da paz que virou nome de famílias católicas e tradicionais. Pereira é o mais literal: vem do pé de pera e foi adotado por muitos cristãos-novos de origem judaica perseguidos em Portugal. O Brasil foi o lugar onde a árvore virou abrigo.

 

Cada um desses nomes carrega séculos de deslocamento e adaptação. É curioso pensar que a nossa árvore genealógica nasceu de uma floresta de Silvas, que o país inteiro se espraia entre Santos e Souzas, e que o sangue de tanta mistura ainda responde, no cartório, por apenas alguns sobrenomes.

 

E, no entanto, o mesmo censo que confirma nossa tradição revela também nossa invenção. Há Xandersons, Queidsons, Karmilenes — nomes que parecem brincadeira de corretor automático, mas são verdadeiros. Também existem 28 pessoas de nome Senna e 77 de sobrenome Pastel.

 

No Distrito Federal, são 80 Lulas registrados. Entre o sagrado e o profano, entre o altar e a gozação, o brasileiro continua batizando os filhos como se estivesse escrevendo uma crônica sobre si mesmo. Mas talvez o dado mais bonito seja o menos visível. Mesmo repetindo os mesmos nomes, somos todos diferentes. Cada Maria reinventa seu modo de ser Maria. Cada José tem a própria história. Cada Silva carrega um Brasil distinto no CPF.

 

Os nomes mais comuns não falam de falta de criatividade, falam de continuidade. De memória. De resistência. Eles contam como o Brasil, apesar das modas, das importações e dos modismos, ainda se reconhece em algo ancestral. É uma forma de fé e de pertencimento. Talvez o país não saiba exatamente aonde vai. Mas, olhando o Censo, dá pra dizer, com alguma certeza, que o Brasil sabe exatamente como se chama.

 

(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/gabriel-wainer/noticia/2025/11/o-censo-revelou-um-brasilque- nem-todos-conhecem-cmhp9ck3802eo0154ib8uoo1u.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Leia o texto.

 

Analise as assertivas abaixo sobre a ocorrência das palavras “sagrado” e “profano” no trecho a seguir:

 

“Entre o sagrado e o profano”.

 

I. As duas palavras ocorrem como substantivos e são antônimas entre si.

II. Um sinônimo possível de “sagrado” é “divino” e de “profano” é “mundano”.

III. Os verbos relacionados às palavras são respectivamente “sacralizar” e “profanar” e ambos apresentam o mesmo radical que elas.

 

Quais estão corretas?

  1. AApenas I.
  2. BApenas I e II.
  3. CApenas I e III.
  4. DApenas II e III.
  5. EI, II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Apenas I e II.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substantivação, sinonímia e antonímia no trecho “Entre o sagrado e o profano”

Gabarito: letra B. As assertivas I e II estão corretas; a III está incorreta. No trecho, “sagrado” e “profano” são substantivos (vêm precedidos do artigo “o”) e são antônimos entre si; “divino” e “mundano” são sinônimos possíveis. A assertiva III erra ao afirmar que “sacralizar” e “profanar” apresentam o mesmo radical que “sagrado” e “profano” — na verdade, os radicais são diferentes (sacr- e profan-), embora haja relação etimológica.

O comando

A questão pede que você analise três assertivas sobre a classe e o sentido das palavras “sagrado” e “profano” no contexto do trecho. É uma questão de semântica e morfologia: você precisa reconhecer a substantivação (adjetivo usado como substantivo), a relação de antonímia e a relação de derivação entre palavras. Não é uma questão de interpretação de texto propriamente dita, mas de conhecimento gramatical aplicado ao trecho.

O texto

O trecho citado é: “Entre o sagrado e o profano”. No texto original, essa expressão aparece em:

“Entre o sagrado e o profano, entre o altar e a gozação, o brasileiro continua batizando os filhos como se estivesse escrevendo uma crônica sobre si mesmo.”

O autor usa a oposição entre o que é religioso (sagrado) e o que é mundano, comum, até irreverente (profano) para caracterizar a mistura típica dos nomes brasileiros. Essa oposição é a chave para entender a antonímia.

A técnica que decide

Substantivação é o processo pelo qual uma palavra de outra classe (geralmente adjetivo) passa a funcionar como substantivo, muitas vezes pelo acréscimo de um artigo. No trecho, “o sagrado” e “o profano” são precedidos pelo artigo definido “o”, o que os torna substantivos. Antonímia é a relação de oposição de sentido entre palavras; “sagrado” (religioso, santo) e “profano” (mundano, não religioso) são antônimos clássicos. Sinonímia é a relação de semelhança de sentido; “divino” é sinônimo de “sagrado” e “mundano” é sinônimo de “profano”.

A assertiva III, porém, contém um erro sutil: afirma que “sacralizar” e “profanar” apresentam o mesmo radical que “sagrado” e “profano”. Isso não é verdade. O radical de “sagrado” é sagr- (ou sacr-, em formas eruditas), enquanto o radical de “sacralizar” é sacral-. Já “profano” tem radical profan-, e “profanar” também tem radical profan-. Portanto, “sacralizar” e “profanar” não compartilham o mesmo radical com “sagrado” e “profano”, respectivamente. A relação é etimológica (vêm do latim sacer e profanus), mas não de radical idêntico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre radical (a parte invariável da palavra que carrega o sentido básico) e relação etimológica (a origem histórica comum). “Sacralizar” e “sagrado” vêm do mesmo étimo latino, mas têm radicais diferentes — a assertiva III troca “mesma origem” por “mesmo radical”.

PEGA ESSA DICA!

Para testar se duas palavras têm o mesmo radical, flexione-as ou derive-as e veja se a parte invariável se mantém. Ex.: “sagrado” → “sagradíssimo” (radical sagrad-); “sacralizar” → “sacralização” (radical sacral-). Radicais diferentes, origem comum.

"Sagrado" e "profano"
  • 1Substantivação
    • Precedidos do artigo "o"
    • Adjetivos → substantivos
  • 2Antonímia
    • Sagrado = religioso, santo
    • Profano = mundano, não religioso
  • 3Sinonímia
    • Sagrado → divino
    • Profano → mundano
  • 4Derivação (assertiva III)
    • Mesmo radical? Não
    • Sacralizar (radical sacral-)
    • Sagrado (radical sagr-/sacr-)
    • Profanar (radical profan-)
    • Profano (radical profan-)
    • Origem comum ≠ mesmo radical
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que apenas I está correta. A assertiva I é verdadeira, mas a II também é. A alternativa A restringe o conjunto correto, deixando de fora uma assertiva igualmente válida. O erro é de incompletude: a II é correta porque “divino” e “mundano” são, de fato, sinônimos possíveis de “sagrado” e “profano” no contexto.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que apenas I e II estão corretas. É exatamente o que o texto e a gramática sustentam:

  • I — “sagrado” e “profano” são substantivos (precedidos do artigo “o”) e antônimos (oposição de sentido).

  • II — “divino” é sinônimo de “sagrado”; “mundano” é sinônimo de “profano”.

  • III — é falsa, pois “sacralizar” e “profanar” não têm o mesmo radical que “sagrado” e “profano”.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que apenas I e III estão corretas. A assertiva III é falsa, como demonstrado: os radicais de “sacralizar” (sacral-) e “sagrado” (sagr-/sacr-) são diferentes, assim como os de “profanar” (profan-) e “profano” (profan-) — embora estes últimos coincidam, a assertiva trata do par inteiro e generaliza. A alternativa C contradiz a análise morfológica correta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que apenas II e III estão corretas. A assertiva I é verdadeira e deveria estar incluída; a III é falsa. A alternativa D exclui uma assertiva correta e inclui uma incorreta, invertendo o julgamento.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que I, II e III estão corretas. A assertiva III é falsa, como provado. A alternativa E generaliza indevidamente, aceitando como verdadeira uma afirmação que a morfologia refuta.

Conclusão: a resposta é a letra B, pois apenas as assertivas I e II são verdadeiras. A chave da questão está em distinguir radical de origem etimológica: palavras podem vir da mesma raiz latina sem compartilhar o mesmo radical em português. Gabarito: letra B.

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