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Questão de Português — Conjunção — FUNDATEC 2025

PortuguêsConjunção
Código
qa676084
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Soledade (RS)
Ano
2025
Cargo
Of Adm ( )

O Censo revelou um Brasil que nem todos conhecem

 

Por Gabriel Sant’ana Wainer

 

O IBGE divulgou a lista de nomes do Brasil e o resultado é uma espécie de retrato coletivo de um país inteiro. Por mais que as modas tentem nos convencer do contrário, ainda somos, no fundo, um povo de Marias, Josés e Silvas.

 

Só de Marias e Josés são mais de 17 milhões, mais do que toda a população do Rio Grande do Sul. Entre os sobrenomes, a família Silva domina o país com 34 milhões de brasileiros que carregam no RG o eco de uma floresta e o peso de uma história.

 

Silva vem do latim, significa “mata, floresta”. Era o nome dos portugueses que viviam perto do mato e também o sobrenome imposto a escravizados quando batizados, sem direito ao seu nome original. Era uma forma de apagamento: perder o nome para ganhar uma nova identidade que começava onde a outra terminava.

 

Santos veio da devoção ou da tentativa de purificação. Era dado a quem nascia no Dia de Todos os Santos ou a quem precisava apagar o passado aos olhos da Igreja. Oliveira, por sua vez, é a árvore bíblica da paz que virou nome de famílias católicas e tradicionais. Pereira é o mais literal: vem do pé de pera e foi adotado por muitos cristãos-novos de origem judaica perseguidos em Portugal. O Brasil foi o lugar onde a árvore virou abrigo.

 

Cada um desses nomes carrega séculos de deslocamento e adaptação. É curioso pensar que a nossa árvore genealógica nasceu de uma floresta de Silvas, que o país inteiro se espraia entre Santos e Souzas, e que o sangue de tanta mistura ainda responde, no cartório, por apenas alguns sobrenomes.

 

E, no entanto, o mesmo censo que confirma nossa tradição revela também nossa invenção. Há Xandersons, Queidsons, Karmilenes — nomes que parecem brincadeira de corretor automático, mas são verdadeiros. Também existem 28 pessoas de nome Senna e 77 de sobrenome Pastel.

 

No Distrito Federal, são 80 Lulas registrados. Entre o sagrado e o profano, entre o altar e a gozação, o brasileiro continua batizando os filhos como se estivesse escrevendo uma crônica sobre si mesmo. Mas talvez o dado mais bonito seja o menos visível. Mesmo repetindo os mesmos nomes, somos todos diferentes. Cada Maria reinventa seu modo de ser Maria. Cada José tem a própria história. Cada Silva carrega um Brasil distinto no CPF.

 

Os nomes mais comuns não falam de falta de criatividade, falam de continuidade. De memória. De resistência. Eles contam como o Brasil, apesar das modas, das importações e dos modismos, ainda se reconhece em algo ancestral. É uma forma de fé e de pertencimento. Talvez o país não saiba exatamente aonde vai. Mas, olhando o Censo, dá pra dizer, com alguma certeza, que o Brasil sabe exatamente como se chama.

 

(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/gabriel-wainer/noticia/2025/11/o-censo-revelou-um-brasilque- nem-todos-conhecem-cmhp9ck3802eo0154ib8uoo1u.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Leia o texto.

 

Relacione a Coluna 1 à Coluna 2, associando as palavras sublinhadas nos trechos a seguir aos respectivos sinônimos.

 

Coluna 1

1. “Por mais que as modas tentem nos convencer do contrário, ainda somos, no fundo, um povo de Marias, Josés e Silvas”.

2. “E, no entanto, o mesmo censo que confirma nossa tradição revela também nossa invenção”.

3. “Eles contam como o Brasil, apesar das modas, das importações e dos modismos, ainda se reconhece em algo an...estral”.

 

Coluna 2

( ) De que modo.

( ) Mesmo que.

( ) Todavia.

 

A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

  1. A1 – 3 – 2.
  2. B2 – 1 – 3.
  3. C2 – 3 – 1.
  4. D3 – 1 – 2.
  5. E3 – 2 – 1.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — 3 – 1 – 2.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Conectivos e seus valores semânticos: concessão, adversidade e modo

Gabarito: letra D. A associação correta é 3 – 1 – 2: o trecho 3 (“apesar das modas...”) equivale a “Mesmo que” (concessão); o trecho 1 (“Por mais que as modas tentem...”) equivale a “De que modo”? Não — na verdade, “por mais que” é concessivo, mas a banca pede o sinônimo de “como” no trecho 1, que tem valor de modo; e o trecho 2 (“no entanto”) equivale a “Todavia” (adversidade). A ordem correta, de cima para baixo, é: 3 (Mesmo que), 1 (De que modo), 2 (Todavia).

Vamos entender o comando: a questão pede para relacionar as palavras sublinhadas (na verdade, expressões) aos seus sinônimos na Coluna 2. Isso é uma questão de semântica dos conectivos: você precisa identificar o valor relacional que cada expressão estabelece no texto e encontrar a palavra que preserva esse sentido.

O texto-base é uma crônica sobre os nomes mais comuns do Brasil. O autor argumenta que, apesar das modas, o povo brasileiro mantém nomes tradicionais (Marias, Josés, Silvas), mas também inventa nomes novos (Xandersons, Queidsons). Os trechos destacados usam conectivos que expressam concessão (quebra de expectativa), adversidade (oposição) e modo (maneira).

A técnica central é: substitua mentalmente o conectivo pelo sinônimo proposto e veja se o sentido da frase permanece. Se mudar o sentido, a associação está errada. Vamos aplicar isso a cada trecho.

Trecho 1 — “Por mais que as modas tentem nos convencer do contrário...”

A expressão “por mais que” é uma locução conjuntiva concessiva: indica que algo acontece apesar de uma circunstância contrária. O sinônimo clássico é “mesmo que” ou “embora”. Veja: “Mesmo que as modas tentem nos convencer do contrário, ainda somos...”. O sentido é de concessão. Portanto, o trecho 1 corresponde a “Mesmo que” (segundo item da Coluna 2).

Trecho 2 — “E, no entanto, o mesmo censo que confirma nossa tradição revela também nossa invenção”

A locução “no entanto” é uma conjunção adversativa: expressa oposição entre duas ideias. O sinônimo direto é “todavia” (terceiro item da Coluna 2). Veja: “E, todavia, o mesmo censo...”. O sentido de contraste é mantido. Portanto, o trecho 2 corresponde a “Todavia”.

Trecho 3 — “Eles contam como o Brasil, apesar das modas, das importações e dos modismos, ainda se reconhece em algo ancestral”

Aqui há duas expressões: “como” e “apesar de”. A banca sublinhou “como” (a palavra que aparece no trecho). O “como” neste contexto tem valor de modo: indica a maneira como o Brasil se reconhece. O sinônimo é “de que modo” (primeiro item da Coluna 2). Veja: “Eles contam de que modo o Brasil...”. Portanto, o trecho 3 corresponde a “De que modo”.

Agora, montando a ordem: o primeiro parêntese (de cima para baixo) recebe o trecho 3 (De que modo), o segundo recebe o trecho 1 (Mesmo que), o terceiro recebe o trecho 2 (Todavia). Isso corresponde à alternativa D) 3 – 1 – 2.

Trecho

Expressão sublinhada

Valor semântico

Sinônimo (Coluna 2)

1

“Por mais que”

Concessão

Mesmo que

2

“No entanto”

Adversidade

Todavia

3

“Como”

Modo

De que modo

1Concessão
Por mais que
Mesmo que
Apesar de
2Adversidade
No entanto
Todavia
3Modo
Como
De que modo
Conectivos
LEVELsoulevel.com.br
Conectivos: Concessão (Por mais que, Mesmo que, Apesar de); Adversidade (No entanto, Todavia); Modo (Como, De que modo)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A ordem 1 – 3 – 2 coloca o trecho 1 como “De que modo”, o que está errado: “por mais que” é concessivo, não modal. O trecho 3 é que tem valor de modo. Erro: troca de valor semântico (concessão por modo).

Alternativa B — ❌ Incorreta

A ordem 2 – 1 – 3 coloca o trecho 2 como “De que modo”, o que é absurdo: “no entanto” é adversativo. E coloca o trecho 1 como “Mesmo que” (correto), mas o trecho 3 como “Todavia”, o que também é errado. Erro: múltiplas trocas de valor.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A ordem 2 – 3 – 1 coloca o trecho 2 como “De que modo” (errado) e o trecho 3 como “Mesmo que” (errado, pois “como” é modo). Erro: troca de valor semântico.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A ordem 3 – 1 – 2 é a única que associa corretamente: trecho 3 (como = de que modo), trecho 1 (por mais que = mesmo que), trecho 2 (no entanto = todavia).

Alternativa E — ❌ Incorreta

A ordem 3 – 2 – 1 coloca o trecho 2 como “Mesmo que” (errado, é adversativo) e o trecho 1 como “Todavia” (errado, é concessivo). Erro: troca de valor semântico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre concessão (“por mais que”, “apesar de”) e adversidade (“no entanto”, “todavia”). São parecidas, mas a concessão admite a quebra de expectativa dentro da mesma frase, enquanto a adversidade liga duas orações independentes. Além disso, o “como” pode ter vários valores; aqui, é modo.

PEGA ESSA DICA!

Ao relacionar conectivos, substitua mentalmente o conectivo pelo sinônimo proposto e veja se a frase continua com o mesmo sentido. Se mudar, descarte.

Conclusão: a questão testa a semântica dos conectivos — saber que “por mais que” = “mesmo que” (concessão), “no entanto” = “todavia” (adversidade) e “como” = “de que modo” (modo). A ordem correta é 3 – 1 – 2, letra D.

Gabarito: letra D

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