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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FUNDATEC 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa676087
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Soledade (RS)
Ano
2025
Cargo
Moto ( )

Capricho do propósito

 

Por Fabrício Carpinejar

 

— Ninguém está olhando. Foi assim que minha mãe me ensinou a escrever em casa, aos 6 anos, depois que recebi um diagnóstico de retardo mental. A escola já tinha jogado a toalha para a minha alfabetização.

 

Éramos ela e eu, formávamos uma ilha nessa tarefa. Ela tirou licença do trabalho para me atender nos dois turnos. Acreditava tranquilamente no meu talento, eu percebia pelos seus olhos doces e amendoados sobre as folhas.

 

— Não tenha pressa, ninguém está olhando, siga seu instinto — ela me orientava.

 

A mãe aliviou os meus ombros da pressão, da competição da turma, do medo de não corresponder às expectativas.

 

Ela contava com a certeza do meu potencial, antevia que o processo apenas aconteceria com um ritmo e estímulos diferentes do padrão.

 

Eu errava na sala de aula não porque não compreendia, mas porque me desesperava com as respostas dos outros – rápidas e automáticas. A facilidade dos colegas se transformava na minha dificuldade.

 

Durante dois meses, a figura materna criou jogos educativos para me dar prazer na hora de decifrar as sílabas. A alegria da descoberta não deveria ser imposta ou invasiva. Não poderia ser abolida pela obrigação de saber.

 

Se eu rastejava, de repente, passei a voar. Fui do inferno ao céu sem escalas. Nem engatinhei, nem andei, tamanha a absorção do processo pedagógico. Engolia alturas de parágrafo em parágrafo.

 

Em vez de soletrar ou gaguejar, comecei a ler de um golpe, num único fôlego. A mãe se espantou com o meu clique. É como se ela tivesse apertado algum botão dentro de mim, ajudando-me a emergir devoto da língua portuguesa.

 

Para quem estava fadado ao analfabetismo por limitações cerebrais, ter se tornado escritor é, mais do que uma ironia do destino, o capricho do propósito, a prova maior de nossa capacidade de superação.

 

Não nascemos nos amando. É alguém que nos serve de espelho. É alguém que nos inspira a nos amar. Para nascer o amor-próprio, basta que uma só pessoa confie em nós.

 

Por mais que eu me ame, nunca chegarei aos pés do amor que minha mãe sente por mim.

 

(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/carpinejar/noticia/2025/11/capricho-do-proposito-cmhov3ks50233013bh5tkssrm.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Leia o texto abaixo.

 

Considerando o exposto pelo texto, analise as assertivas abaixo, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.

 

( ) A frase “— Ninguém está olhando” foi dita pela mãe do autor enquanto lhe ensinava a ler e a escrever.

( ) Na sala de aula, o autor não conseguia compreender o que a professora dizia e, por isso, se desesperava.

( ) O autor aprendeu a ler de repente, espantando sua mãe com a evolução súbita, sem nem mesmo gaguejar.

 

A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

  1. AV – F – V.
  2. BV – F – F.
  3. CF – F – V.
  4. DF – V – F.
  5. EF – V – V.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — V – F – V.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Compreensão do texto "Capricho do propósito"

Gabarito: letra A (V – F – V). A primeira assertiva é verdadeira porque o texto mostra a mãe dizendo "— Ninguém está olhando" enquanto ensinava o filho a ler e escrever em casa; a segunda é falsa porque o autor não diz que não compreendia a professora, mas que se desesperava com a rapidez das respostas dos colegas; a terceira é verdadeira, pois o texto afirma que ele "comecei a ler de um golpe" e que a mãe "se espantou com o meu clique". A resposta está ancorada em passagens explícitas do texto, como se verá a seguir.

O comando pede que você julgue cada assertiva como verdadeira (V) ou falsa (F) com base no que está escrito no texto. Isso é uma questão de compreensão (recorrência): a resposta está literal, apenas reescrita com outras palavras. Não há inferência nem dedução — você deve localizar a informação e comparar com o que a assertiva afirma. Se a assertiva disser algo que o texto não diz, ou disser o contrário, é falsa.

O texto é uma crônica de Fabrício Carpinejar sobre sua alfabetização. A tese central é a importância da confiança materna: a mãe, acreditando no potencial do filho, criou um ambiente sem pressão, e isso permitiu que ele aprendesse a ler de forma súbita e surpreendente. Os parágrafos iniciais descrevem o método da mãe ("— Ninguém está olhando"), o meio do texto narra a virada ("Se eu rastejava, de repente, passei a voar"), e o final reflete sobre o amor-próprio e a superação.

A técnica para resolver é simples: confronte cada assertiva com o trecho correspondente do texto. A assertiva I exige localizar quem disse a frase e em que contexto. A assertiva II exige verificar a causa do desespero do autor na sala de aula. A assertiva III exige confirmar a rapidez da aprendizagem e a reação da mãe. Vamos a cada uma.

  1. 1Localizar trecho no texto
  2. 2Comparar com a assertiva
  3. 3Julgar V ou F
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Assertiva I — ✅ Verdadeira

A assertiva afirma que a frase "— Ninguém está olhando" foi dita pela mãe enquanto ensinava o filho a ler e escrever. O texto confirma isso no primeiro parágrafo:

"— Ninguém está olhando. Foi assim que minha mãe me ensinou a escrever em casa, aos 6 anos"

Aqui, o autor narra que a mãe usou essa frase enquanto o ensinava a escrever em casa. A assertiva é uma paráfrase fiel: troca "escrever" por "ler e escrever" (o texto menciona alfabetização, que envolve ambos) e mantém o contexto. Portanto, verdadeira.

Assertiva II — ❌ Falsa

A assertiva afirma que o autor não conseguia compreender o que a professora dizia e, por isso, se desesperava. O texto diz exatamente o contrário:

"Eu errava na sala de aula não porque não compreendia, mas porque me desesperava com as respostas dos outros – rápidas e automáticas."

O autor compreendia; o problema era o desespero causado pela rapidez dos colegas. A assertiva inverte a causa: troca "não compreendia" por "não compreendia" (que é negado no texto) e atribui o desespero a isso. Isso é um erro de contradição com o texto. Portanto, falsa.

Assertiva III — ✅ Verdadeira

A assertiva afirma que o autor aprendeu a ler de repente, espantando a mãe com a evolução súbita, sem nem mesmo gaguejar. O texto confirma:

"Em vez de soletrar ou gaguejar, comecei a ler de um golpe, num único fôlego. A mãe se espantou com o meu clique."

A assertiva é uma paráfrase fiel: "de repente" corresponde a "de um golpe", "espantando a mãe" corresponde a "A mãe se espantou", e "sem nem mesmo gaguejar" corresponde a "Em vez de soletrar ou gaguejar". Portanto, verdadeira.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A apresenta a sequência V – F – V, que corresponde exatamente ao julgamento das três assertivas: I verdadeira, II falsa, III verdadeira. É a única alternativa que reflete fielmente o que o texto afirma.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B apresenta V – F – F, marcando a assertiva III como falsa. Isso contradiz o texto, que afirma explicitamente que o autor "comecei a ler de um golpe" e que a mãe "se espantou com o meu clique". A assertiva III é verdadeira, portanto a alternativa está errada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C apresenta F – F – V, marcando a assertiva I como falsa. Isso contradiz o texto, que mostra a mãe dizendo "— Ninguém está olhando" enquanto ensinava o filho a escrever em casa. A assertiva I é verdadeira, portanto a alternativa está errada.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D apresenta F – V – F, marcando a assertiva I como falsa e a II como verdadeira. Ambas contradizem o texto: a I é verdadeira (a mãe disse a frase) e a II é falsa (o autor compreendia, mas se desesperava com a rapidez dos colegas). Portanto, a alternativa está errada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E apresenta F – V – V, marcando a assertiva I como falsa e a II como verdadeira. Assim como a D, contradiz o texto nos dois pontos. A assertiva I é verdadeira e a II é falsa, portanto a alternativa está errada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "não compreender" e "desesperar-se com a rapidez dos colegas" na assertiva II, além de exigir atenção ao contexto da fala da mãe na assertiva I. A armadilha é trocar a causa do desespero.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, sublinhe no texto a passagem que corresponde a cada assertiva antes de marcar. Se a assertiva disser algo que o texto não diz, ou inverter uma relação de causa, é falsa.

Conclusão: a sequência correta é V – F – V, portanto o gabarito é a letra A. Lembre-se: compreensão é localizar a informação explícita; qualquer acréscimo ou inversão torna a assertiva falsa.

Gabarito: letra A

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