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Questão de Português — Orações Subordinadas Adverbiais — Quadrix 2025

PortuguêsOrações Subordinadas Adverbiais
Código
qa676143
Banca
Quadrix
Órgão
CRB 5
Ano
2025
Cargo
Ass Adm ( )

Tico‑tico no limoeiro


Um tico‑tico (Zonotrichia capensis), muito confundido com o pardal (Passer domesticus), subiu no limoeiro do meu quintal. Com impressionante destreza, começou a comer pequenos insetos e larvas, movimentando o pescoço para isso e para observar o entorno e saber se estava seguro. Olhou‑me diretamente nos olhos, ameaçou voar e, como visse que eu não era lá uma ameaça, continuou alimentando‑se. Soube que era uma fêmea quando um macho da espécie a cortejou, deu‑lhe como que um beijo após meter o bico em um limão suculento e montou nela. Toda a cena do acasalamento não durou cinco segundos.


A fêmea voou. O macho ficou batendo as asas e cantando (felicidade?). Eu observei o verde do limão chupado contra o azul do céu de outubro. Um azul vivo e quente como a vida que insiste em pulsar, apesar das agruras lá fora.


Internet: <folhadabaixada.com.br> (com adaptações).

Texto para o item.

 

Quanto aos aspectos gramaticais do texto, julgue o item seguinte.


Nesse trecho, “Olhou‑me diretamente nos olhos,ameaçou voar e, como visse que eu não era lá uma ameaça, continuou alimentando‑se”, a oração “como visse que eu não era lá uma ameaça” poderia ser reescrita da seguinte maneira, sem prejuízo à correção gramatical nem ao sentido, “como viu que eu não era lá uma ameaça”.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita de oração subordinada adverbial causal: 'visse' → 'viu'

Gabarito: C (Certo). A reescrita proposta mantém tanto a correção gramatical quanto o sentido do trecho original, pois a oração "como visse que eu não era lá uma ameaça" é uma subordinada adverbial causal — o "como" é conjunção causal, equivalendo a "porque" — e a troca do verbo "visse" (pretérito imperfeito do subjuntivo) por "viu" (pretérito perfeito do indicativo) não altera essa relação de causa, apenas muda o tempo verbal, o que é perfeitamente aceitável no contexto. A passagem que sustenta isso está no próprio texto: "Olhou-me diretamente nos olhos, ameaçou voar e, como visse que eu não era lá uma ameaça, continuou alimentando-se".

O comando da questão

O enunciado pede que se julgue se a reescrita "como viu que eu não era lá uma ameaça" poderia substituir "como visse que eu não era lá uma ameaça" sem prejuízo à correção gramatical nem ao sentido. Isso é uma típica questão de reescritura de frases: o candidato deve verificar se a troca de uma forma verbal por outra mantém a função sintática da oração e o valor semântico do conectivo. Não se trata de interpretação de texto, mas de análise gramatical aplicada ao texto.

A oração em questão: valor causal

No trecho, a oração "como visse que eu não era lá uma ameaça" expressa a causa de o tico-tico ter continuado a se alimentar: ele continuou porque viu que o observador não era uma ameaça. O "como" aqui é uma conjunção subordinativa causal, e não temporal ou comparativa. Isso é confirmado pelo contexto: a ação de "continuar alimentando-se" é consequência de "ver que não era ameaça".

"Olhou-me diretamente nos olhos, ameaçou voar e, como visse que eu não era lá uma ameaça, continuou alimentando-se"

A oração destacada poderia ser reescrita como "porque viu que eu não era lá uma ameaça" — o que prova seu valor causal. A troca de "visse" por "viu" não muda essa relação: o "como" continua sendo conjunção causal, e o verbo, agora no pretérito perfeito do indicativo, indica um fato concluído no passado, o que é compatível com a narrativa.

A troca de tempo verbal: subjuntivo → indicativo

O verbo "visse" está no pretérito imperfeito do subjuntivo, que, em orações causais com "como", é usado para expressar uma hipótese ou um fato não totalmente confirmado, mas que, no contexto, funciona como causa real. Já "viu" está no pretérito perfeito do indicativo, que expressa um fato concluído, certo. A mudança de tempo não altera o sentido de causa: tanto "visse" quanto "viu" indicam que o tico-tico percebeu a não ameaça, e essa percepção é a causa de sua ação.

Gramaticalmente, a reescrita é correta: "como viu" é uma oração subordinada adverbial causal, com verbo no pretérito perfeito, e a estrutura sintática permanece íntegra. Não há erro de concordância, regência ou colocação. O sentido também é preservado: a relação de causa entre "ver que não era ameaça" e "continuar alimentando-se" permanece intacta.

Por que a alternativa E (Errado) é incorreta

A alternativa E afirma que a reescrita não poderia ser feita sem prejuízo. Isso estaria correto se a troca de "visse" por "viu" alterasse o valor da oração (por exemplo, se "como" deixasse de ser causal) ou se houvesse algum erro gramatical. Nenhuma dessas coisas ocorre. A banca, ao colocar a alternativa E, tenta confundir o candidato que acha que a mudança de tempo verbal (subjuntivo → indicativo) muda o sentido ou que "como" poderia ser temporal. Mas, no contexto, "como" é claramente causal, e a troca é perfeitamente válida.

  1. 1Identificar o conectivo
  2. 2Valor causal do 'como'
  3. 3Troca de tempo verbal
  4. 4Preserva sentido e gramática
LEVEL · soulevel.com.br
NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a possível confusão entre o valor causal e o temporal do "como". Se o candidato pensar que "como" aqui é temporal (equivalente a "quando"), poderia achar que a troca de tempo verbal alteraria o sentido. Mas o contexto mostra que é causa: o tico-tico continuou se alimentando porque viu que não havia ameaça.

Conclusão

A reescrita "como viu que eu não era lá uma ameaça" é gramaticalmente correta e preserva o sentido de causa do original. Portanto, o item está Certo.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de reescrita, identifique primeiro o valor semântico do conectivo (causa, tempo, condição etc.) e depois verifique se a troca de tempo verbal ou de palavra mantém esse valor. Aqui, "como" é causal, e a troca de "visse" por "viu" não muda isso.

Gabarito: letra C (Certo).

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