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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FUNDATEC 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa676315
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Gravataí
Ano
2025
Cargo
Prof ( )

O pedido urgente dos cientistas aos negociadores da COP30

 

Por Maria Clara Rossini

 

Cientistas de várias regiões do Brasil e do mundo viajaram a Belém para participar da COP30 e atuar no Pavilhão de Ciências Planetárias, o primeiro espaço oficial da conferência dedicado exclusivamente à ciência. Presidido por Johan Rockström e Carlos Nobre, o pavilhão reuniu pesquisadores que, nos dias 14 e 17 de novembro, sintetizaram as conclusões científicas da semana inicial e defenderam que elas orientem as negociações da segunda semana do evento.

 

Um dos tópicos mais citados é o “orçamento de carbono”, uma forma de quantificar o CO2 lançado na atmosfera. Essas emissões se traduzem em aumento da temperatura global. Para mantermos o termômetro abaixo de 1,5 °C, limite estabelecido no Acordo de Paris, podemos emitir, no máximo, 170 bilhões de toneladas de CO2. Esse é o “orçamento” restante se quisermos ficar abaixo de 1,5 °C.

 

O problema é que o planeta emitiu 38,1 bilhões de toneladas de CO2 só em 2025. Nesse ritmo, atingiremos o aumento de 1,5 °C em quatro anos, descumprindo o Acordo de Paris. O relatório Global Carbon Budget, apresentado na primeira semana da COP30, aponta um aumento de 1,1% das emissões de CO2 em 2025.

 

“A maior parte do orçamento de CO2 que impulsiona o aquecimento a 1,5 °C já foi emitido, majoritariamente pelas maiores economias globais”, declaram os pesquisadores. “Agora, na metade da década, quando as emissões globais já deveriam estar caindo, elas continuam a crescer. É inaceitável”. Se ultrapassarmos o limite de 1,5 °C, como é provável que aconteça, o risco de cruzar os “pontos de não retorno” aumenta. Esses são pontos em que os ecossistemas perdem a capacidade de se regenerar, quebrando a harmonia da coisa.

 

Os cientistas pedem atenção especial aos recifes de corais tropicais e ao bioma amazônico.

 

É muito provável que os corais, que abrigam um terço de toda a vida marinha, já tenham atingido o ponto de não retorno. Isso é consequência do aquecimento e acidificação do oceano, impulsionado pelas emissões de combustíveis fósseis. Estima-se que o mundo já tenha perdido entre 30% e 50% de todos os recifes de corais. Mais de 80% dos corais restantes sofreram branqueamento severo nos últimos três anos.

 

Já a Amazônia sofreu uma das piores secas já registradas nos últimos dois anos. Devido às mudanças climáticas, secas severas já são 30 vezes mais prováveis. Essas condições, por sua vez, favorecem as queimadas, que resultaram em 140 mil incêndios florestais nas últimas duas décadas. “Cada aumento de 0,1 °C na temperatura global resulta em impactos e riscos substancialmente maiores, incluindo ondas de calor mais letais, incêndios florestais mais frequentes e intensos, tempestades e precipitações extremas, com dano ainda maior a comunidades vulneráveis, economias frágeis e populações indígenas”, relatam os pesquisadores do Pavilhão.

 

Para se manter na trilha do Acordo de Paris, precisaríamos reduzir nossas emissões em 5% por ano. No atual cenário, no entanto, caminhamos para uma redução cumulativa de 5% ao longo dos próximos 10 anos. Os países que assinaram o Acordo de Paris, em 2015, se comprometem a manter o aquecimento do planeta abaixo de 1,5 °C em relação aos níveis pré-industriais. Só que não está claro como fazer isso. Faz apenas dois anos, na COP28, que os países concordaram em transicionar para longe do uso de combustíveis fósseis.

 

Por esse motivo, os pesquisadores do Pavilhão de Ciências Planetárias pedem aos Chefes de Delegação dos países um roteiro claro (roadmap) para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis e preservação das florestas tropicais, de forma a zerar o desmatamento. “À medida que os negociadores se encontram nos próximos dias, o desenvolvimento de caminhos para a eliminação dos combustíveis fósseis deve ser a maior prioridade. É a única opção para evitar uma crise planetária”, escrevem os cientistas. “É impossível impedir o aumento de temperaturas sem a eliminação rápida dos combustíveis fósseis. Isso é física”.

 

(Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/o-pedido-urgente-dos-cientistas

-aos-negociadores-dacop30/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

De acordo com o texto, é correto afirmar que:
  1. AOs compromissos assumidos em 2015 já foram totalmente cumpridos pelos países signatários.
  2. BA diminuição anual das emissões está acima do previsto pelos cientistas.
  3. CO aquecimento global está estabilizado, embora ainda seja preocupante.
  4. DAs emissões globais já foram reduzidas em 5% ao ano conforme o planejamento.
  5. EA velocidade das emissões atuais é incompatível com as metas de Acordo de Paris.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — A velocidade das emissões atuais é incompatível com as metas de Acordo de Paris.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Compreensão do texto sobre a COP30 — Gabarito: letra E.

A alternativa E é a correta porque o texto afirma, em vários trechos, que as emissões atuais de CO2 estão crescendo e que, nesse ritmo, o limite de 1,5 °C será atingido em quatro anos, o que descumpre o Acordo de Paris. Ou seja, a velocidade das emissões é incompatível com as metas do acordo. Isso está explícito no trecho: “Nesse ritmo, atingiremos o aumento de 1,5 °C em quatro anos, descumprindo o Acordo de Paris”.

O comando pede uma compreensão (recorrência): a resposta deve ser uma paráfrase fiel do que está escrito, sem deduções ou acréscimos. A banca testa se você consegue reconhecer a ideia central do texto reescrita com outras palavras. As alternativas A, B, C e D contradizem o texto, pois afirmam o oposto do que ele diz: que os compromissos foram cumpridos, que as emissões diminuíram, que o aquecimento estabilizou, etc.

Para resolver, leia o texto com propósito: identifique o tema (emissões de CO2 e Acordo de Paris), a tese (as emissões atuais são incompatíveis com as metas) e os argumentos (orçamento de carbono, crescimento das emissões, pontos de não retorno). A alternativa correta é a que reescreve essa tese com outras palavras, sem acrescentar ou inverter nada.

A técnica central é o teste da paráfrase: a alternativa correta deve ser uma reescritura fiel de uma passagem do texto. As incorretas, por sua vez, cometem o erro de contradizer o texto, afirmando o oposto do que está escrito. Fique atento a palavras como “totalmente”, “acima”, “estabilizado”, “reduzidas”, que invertem o sentido original.

NÃO CAIA NESSA!

A banca arma com contradição — as alternativas A, B, C e D são o espelho invertido do texto. Elas usam palavras do texto, mas trocam o verbo ou o quantificador, invertendo o sentido. Por exemplo, o texto diz que as emissões crescem; a alternativa B diz que diminuem.

PEGA ESSA DICA!

Grife o comando: “de acordo com o texto” pede compreensão (recorrência), não inferência. A resposta deve estar explícita no texto, apenas reescrita com outras palavras.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O texto afirma que os países não estão cumprindo o Acordo de Paris: “Nesse ritmo, atingiremos o aumento de 1,5 °C em quatro anos, descumprindo o Acordo de Paris”. A alternativa diz que os compromissos já foram totalmente cumpridos, o que é o oposto. Além disso, o texto diz que “não está claro como fazer isso” (cumprir o acordo), reforçando que não há cumprimento.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O texto afirma que as emissões continuam a crescer: “Agora, na metade da década, quando as emissões globais já deveriam estar caindo, elas continuam a crescer”. A alternativa diz que a diminuição anual está acima do previsto, o que é o oposto. O texto também diz que “caminhamos para uma redução cumulativa de 5% ao longo dos próximos 10 anos”, ou seja, a redução é muito menor do que a necessária (5% ao ano).

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O texto afirma que o aquecimento não está estabilizado, mas sim que as emissões crescem e que o limite de 1,5 °C será atingido em quatro anos: “Nesse ritmo, atingiremos o aumento de 1,5 °C em quatro anos”. A alternativa diz que o aquecimento está estabilizado, o que é o oposto. O texto também fala em “pontos de não retorno” e “crise planetária”, indicando que a situação é grave e não estabilizada.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O texto afirma que as emissões não foram reduzidas em 5% ao ano, mas que “caminhamos para uma redução cumulativa de 5% ao longo dos próximos 10 anos”. A alternativa diz que as emissões já foram reduzidas em 5% ao ano, o que é o oposto. O texto também diz que “as emissões globais já deveriam estar caindo, elas continuam a crescer”, reforçando que não houve redução.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta: paráfrase fiel do texto. O texto afirma que as emissões atuais são incompatíveis com as metas do Acordo de Paris: “Nesse ritmo, atingiremos o aumento de 1,5 °C em quatro anos, descumprindo o Acordo de Paris”. A alternativa diz que a velocidade das emissões atuais é incompatível com as metas, o que é uma reescritura fiel dessa ideia. O texto também diz que “É impossível impedir o aumento de temperaturas sem a eliminação rápida dos combustíveis fósseis”, reforçando a incompatibilidade.

Conclusão: a alternativa E é a única que parafraseia o texto sem contradizê-lo. As demais invertem o sentido, afirmando o oposto do que está escrito. Para acertar, teste cada alternativa perguntando: o texto autoriza isto, ou exige acrescentar algo de fora? A correta é a que está inteiramente sustentada pelo texto, nem mais, nem menos.

Gabarito: letra E

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