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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FUNDATEC 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa676387
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Gravataí
Ano
2025
Cargo
Prof ( )

Fogos de artifício

 

Por Adriana Antunes

 

O ser humano tem um jeito egoísta de comemorar suas conquistas. Geralmente centrado em si mesmo, pouco importa se os outros, sejam eles pessoas ou animais, farão parte coletivamente do feito. A ideia, ou melhor, o desejo misturado a certa dose de ingenuidade utópica, era de que fosse possível que todos pudessem comemorar suas alegrias e que isso não prejudicasse ninguém. Mas não é isso que percebemos, pelo menos não na maioria das vezes. Arrisco dizer que este tipo de alegria é individual e narcísica. Daí fico me perguntando: o que é a alegria? Que tipo de uso fazemos dela? É interessante nos darmos conta de que a alegria em excesso pode ser prejudicial. E se pararmos para refletir um pouco mais, podemos nos dar conta de que a alegria em demasia pode ser, inclusive, cruel. Isso porque, em determinadas condições, a alegria se opõe à ideia de empatia. Ela pode ser tão autocentrada que perdemos a referência dos outros, do ao redor e do mundo. Tem um velho ditado japonês que talvez se aplique a esta digressão de pensamento que faço aqui: “o infortúnio dos outros tem gosto de mel”.

 

Vamos pensar num exemplo disso, juntos. Fogos de artifício. Acabamos de entrar em dezembro e já já eles ficarão cada vez mais frequentes. Os fogos têm uma relação direta com a alegria. Seja porque o ano está acabando ou porque se está comemorando a esperança de dias melhores, ou as alegrias do que quer que seja. Uma alegria egoísta e histriônica que precisa que todos ao redor fiquem sabendo dela. Fogos de artifício não são nada empáticos. E a alegria transformada em explosão no céu polui o meio ambiente, atinge as aves, cria pânico nos animais domésticos cujos ouvidos são sensíveis demais para o barulho, assusta crianças, autistas, perturba nossos velhos, pessoas em hospitais e incomoda gente comum como eu e tu que me lês e não gostas disso. Que alegria estranha esta que causa desconforto no entorno.

 

(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/adriana-antunes

/noticia/2025/12/fogos-de-artificio-cmioycqbp00n5011nm9k9uv0c.

html – texto adaptado especialmente para esta prova)

Para responder à questão, considere o texto abaixo:     São recursos de argumentação empregados no texto, EXCETO:
  1. AEmprego de perguntas retóricas que visam engajar o leitor no processo cognitivo de leitura.
  2. BA fim de referendar sua opinião, a autora lança mão da estratégia de exemplificação.
  3. CEmprego de citação que dá sustentação às opiniões expressas pela autora.
  4. DA autora apresenta ideias, explorando sua relação de causa e consequência para fundamentar seus argumentos.
  5. EApresentação de dados e sua comparação, a fim de colocar duas situações em oposição para respaldar os argumentos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Apresentação de dados e sua comparação, a fim de colocar duas situações em oposição para respaldar os argumentos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Recursos de argumentação no texto "Fogos de artifício"

Gabarito: letra E. A alternativa E é a única que não corresponde a um recurso de argumentação empregado no texto, pois afirma que a autora apresenta "dados e sua comparação" para "colocar duas situações em oposição", mas o texto não traz dados objetivos nem estabelece uma comparação explícita entre duas situações — ele apenas exemplifica com os fogos de artifício e descreve seus efeitos. Como se lê no 2º parágrafo, a autora usa o exemplo dos fogos para ilustrar a tese da alegria egoísta, sem apresentar estatísticas ou confrontar cenários.

O comando pede que se identifique o recurso de argumentação que não foi empregado. Isso exige reconhecer as estratégias presentes no texto e, por eliminação, apontar a que está ausente. As alternativas A, B, C e D descrevem recursos claramente identificáveis; a E descreve um recurso que não existe no texto — a apresentação de dados e sua comparação. A banca explora a confusão entre "exemplificação" (presente) e "comparação de dados" (ausente).

O texto é dissertativo-argumentativo: a autora defende a tese de que a alegria pode ser egoísta e cruel, e usa estratégias para convencer o leitor. No 1º parágrafo, ela faz perguntas retóricas ("o que é a alegria? Que tipo de uso fazemos dela?"), cita um ditado japonês ("o infortúnio dos outros tem gosto de mel") e explora relações de causa e consequência ("a alegria em excesso pode ser prejudicial... Isso porque, em determinadas condições, a alegria se opõe à ideia de empatia"). No 2º parágrafo, ela exemplifica com os fogos de artifício, descrevendo seus efeitos negativos sobre aves, animais domésticos, crianças, autistas, idosos e pessoas em hospitais.

A técnica para resolver esta questão é mapear cada recurso citado nas alternativas com uma passagem do texto. Se a alternativa descreve um recurso que não encontra correspondência em nenhuma passagem, ela é a incorreta. A alternativa E fala em "apresentação de dados e sua comparação", mas o texto não traz nenhum dado numérico, estatístico ou factual que seja comparado. Há apenas a descrição de efeitos e a exemplificação, o que configura exemplificação, não comparação de dados.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir "exemplificação" (presente) com "comparação de dados" (ausente). O texto exemplifica com os fogos, mas não apresenta dados objetivos nem os compara. Fique atento: "dados" e "comparação" são termos que exigem elementos concretos e confronto explícito, o que não ocorre.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar recursos de argumentação, procure a passagem exata que comprova cada um. Se a alternativa menciona "dados", procure números, estatísticas ou fatos objetivos; se menciona "comparação", procure conectivos como "mais que", "tanto quanto" ou estruturas que oponham dois elementos. Ausência de evidência = alternativa incorreta.

Recursos de argumentação
  • 1Presentes no texto
    • Perguntas retóricas
    • Exemplificação
    • Citação
    • Causa e consequência
  • 2Ausente no texto
    • Apresentação de dados e comparação
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Alternativa A — ✅ Correta

A alternativa A afirma que há perguntas retóricas que visam engajar o leitor. Isso está explícito no texto: no 1º parágrafo, a autora pergunta: "o que é a alegria? Que tipo de uso fazemos dela?". Essas perguntas não esperam resposta literal, mas convidam o leitor a refletir, engajando-o no processo cognitivo. Portanto, a alternativa está correta.

Alternativa B — ✅ Correta

A alternativa B afirma que a autora usa a exemplificação para referendar sua opinião. Isso está explícito no 2º parágrafo: "Vamos pensar num exemplo disso, juntos. Fogos de artifício.". A autora usa os fogos como exemplo concreto para ilustrar a tese da alegria egoísta. Portanto, a alternativa está correta.

Alternativa C — ✅ Correta

A alternativa C afirma que há citação que dá sustentação às opiniões. Isso está explícito no 1º parágrafo: "Tem um velho ditado japonês que talvez se aplique a esta digressão de pensamento que faço aqui: 'o infortúnio dos outros tem gosto de mel'.". A citação do ditado reforça a ideia de que a alegria pode ser cruel. Portanto, a alternativa está correta.

Alternativa D — ✅ Correta

A alternativa D afirma que a autora explora relações de causa e consequência. Isso está explícito no 1º parágrafo: "a alegria em excesso pode ser prejudicial. E se pararmos para refletir um pouco mais, podemos nos dar conta de que a alegria em demasia pode ser, inclusive, cruel. Isso porque, em determinadas condições, a alegria se opõe à ideia de empatia.". A autora estabelece uma relação causal: a alegria em excesso (causa) leva à crueldade (consequência). Portanto, a alternativa está correta.

Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

A alternativa E afirma que há apresentação de dados e sua comparação para colocar duas situações em oposição. Isso não ocorre no texto. Não há dados objetivos, estatísticas ou fatos numéricos. Tampouco há comparação explícita entre duas situações. O que há é exemplificação (fogos de artifício) e descrição de efeitos, mas não comparação de dados. Portanto, a alternativa está incorreta.

Conclusão: como a banca pediu o recurso não empregado, o gabarito é a letra E — a única que o texto não sustenta. As demais alternativas (A, B, C e D) estão ancoradas em passagens específicas do texto. A regra de ouro: toda alternativa correta deve ter uma passagem que a comprove; se não há passagem, a alternativa é incorreta.

Gabarito: letra E

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