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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FUNDATEC 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa676389
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Gravataí
Ano
2025
Cargo
Prof ( )

A evolução da língua portuguesa e a resistência purista de parte da sociedade

 

Por E-docente Educação

 

Vivenciamos, tanto na mídia quanto no nosso entorno familiar e escolar, uma enxurrada de críticas quanto ao que se chama de mau uso da língua. “Professores corretores” fazem sucesso nas redes sociais, corrigindo os chamados “erros comuns”, que, segundo eles, ferem a nossa última Flor do Lácio. O problema é que, nesses casos, fala-se sobre o “correto” como se não existissem outras formas de comunicação, igualmente válidas, que variam conforme a situação. Ou seja, querem cobrir “nossas vergonhas” desde o descobrimento.

 

Pensemos, então, em uma situação hipotética. Um desses cultos e intocáveis donos do saber, jogando futebol (situação bastante hipotética, mesmo…), pede que um de seus companheiros de time lhe dê um passe:

 

– Por favor, companheiro, passa-me esse objeto esférico que conduzes com os pés!

 

Obviamente, o jogador não lhe passaria a bola e a sumidade em língua portuguesa logo desistiria do jogo e voltaria para sua cátedra, indignado com aqueles “ignaros praticantes do esporte bretão”.

 

Seriam tais expressões adequadas para aquela situação de uso da língua? Situações formais exigem linguagem formal; situações informais, linguagem informal. Pode parecer óbvio, mas não é. Ao não deixar claro para os leigos que existem diversas possibilidades de nos comunicarmos, esses professores corretores descartam qualquer forma da língua que não seja a formal, como se milhares de falantes (e escritores) fossem pessoas sem qualificação que nem sequer devem ser levadas em consideração, por isso precisam ser silenciadas.

 

(Disponível em: https://www.edocente.com.br/blog-evolucao-da-lingua-portuguesa/ –

texto adaptado especialmente para esta prova)

Para responder à questão, considere o texto abaixo:     Na construção textual, os trechos “ferem a nossa última Flor do Lácio” e “querem cobrir ‘nossas vergonhas’ desde o descobrimento” fazem referência a dois textos clássicos da Literatura Brasileira, o soneto “Língua Portuguesa”, de Olavo Bilac, e a “Carta do Descobrimento”, de Pero Vaz de Caminha.   A essa relação entre textos dá-se o nome de:
  1. AIntertextualidade estrutural.
  2. BParáfrase.
  3. CCitação.
  4. DAlusão.
  5. EIntertextualidade temática.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Alusão.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Intertextualidade: alusão, citação e paráfrase

Gabarito: letra D. Os trechos “ferem a nossa última Flor do Lácio” e “querem cobrir ‘nossas vergonhas’ desde o descobrimento” retomam, de forma indireta e sem reprodução literal, o soneto “Língua Portuguesa”, de Olavo Bilac, e a “Carta do Descobrimento”, de Pero Vaz de Caminha. Essa referência implícita a obras anteriores, sem citá-las textualmente, é o que se chama de alusão — e é exatamente o que o enunciado descreve ao dizer que os trechos “fazem referência a dois textos clássicos”.

O comando pede que você nomeie o fenômeno que ocorre quando um texto dialoga com outro de forma não literal. Não se trata de compreender o conteúdo do texto-base, mas de reconhecer o conceito de intertextualidade e suas modalidades. A banca quer que você distinga alusão (referência indireta) de citação (reprodução literal) e de paráfrase (reescritura com outras palavras).

No texto, o autor não transcreve nenhum verso de Bilac nem trecho da carta de Caminha. Ele apenas menciona expressões consagradas — “última Flor do Lácio” (do soneto) e “nossas vergonhas” (da carta) — que o leitor reconhece como pertencentes a essas obras. Essa retomada sem cópia é a marca da alusão: o leitor precisa ativar seu conhecimento de mundo para perceber a referência.

A intertextualidade é o diálogo entre textos, e pode ocorrer de forma explícita (citação, epígrafe) ou implícita (alusão, paródia). A alusão é a referência indireta, que não reproduz o texto-fonte, apenas o evoca. Já a citação é a reprodução literal, geralmente entre aspas e com indicação de autoria. A paráfrase é a reescritura de uma ideia com outras palavras, mantendo o sentido. A intertextualidade estrutural ocorre quando a estrutura do texto é copiada, e a temática, quando há diálogo de temas.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre alusão (referência indireta) e citação (reprodução literal). Como os trechos não são cópias exatas, a resposta correta é alusão, não citação.

Intertextualidade
  • 1Explícita
    • Citação (reprodução literal)
    • Epígrafe
  • 2Implícita
    • Alusão (referência indireta)
    • Paródia
  • 3Outras formas
    • Paráfrase (reescritura com outras palavras)
    • Estrutural (imita a estrutura)
    • Temática (diálogo de temas)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Intertextualidade estrutural ocorre quando um texto imita a estrutura de outro (por exemplo, a forma de um soneto, a organização de um conto). No texto, não há cópia de estrutura; há apenas menção a expressões de outras obras. A alternativa extrapola o conceito, atribuindo uma relação estrutural que não existe.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Paráfrase é a reescritura de uma ideia com outras palavras, mantendo o sentido. No texto, os trechos não reescrevem o soneto nem a carta; apenas fazem referência a eles. A alternativa confunde o conceito de paráfrase com o de alusão.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Citação é a reprodução literal do discurso alheio, geralmente entre aspas e com indicação de autoria. No texto, os trechos não são cópias de Bilac nem de Caminha; são expressões próprias que remetem a essas obras. A alternativa troca o conceito: citação exige transcrição, o que não ocorre.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Alusão é a referência indireta a um texto, pessoa ou fato, sem reproduzi-lo literalmente. No texto, os trechos “ferem a nossa última Flor do Lácio” e “querem cobrir ‘nossas vergonhas’ desde o descobrimento” evocam o soneto de Bilac e a carta de Caminha, mas não os citam. O leitor precisa reconhecer a referência para entender o sentido. É exatamente o que o enunciado descreve: “fazem referência a dois textos clássicos”.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Intertextualidade temática ocorre quando um texto dialoga com o tema de outro, sem necessariamente fazer referência a ele. No texto, a relação é pontual — os trechos mencionam obras específicas —, não uma abordagem temática ampla. A alternativa generaliza o conceito, tornando-o vago demais para o caso.

Conclusão: a questão cobra a distinção entre as formas de intertextualidade. A alusão é a referência indireta, e é o que ocorre no texto. As demais alternativas ou exigem reprodução literal (citação), ou reescritura (paráfrase), ou imitação estrutural/temática — nenhuma se aplica. Gabarito: letra D.

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