Comece por quebrar os espelhos de sua casa, deixe cair os braços, olhe vagamente a parede, esqueça. Cante uma nota só, escute por dentro. Se ouvir (mas isto acontecerá muito depois) algo como uma paisagem afundada no medo, com fogueiras entre as pedras, com silhuetas seminuas de cócoras, acho que estará bem encaminhado, e do mesmo modo se ouvir um rio por onde descem barcos pintados de amarelo e preto, se ouvir um gosto de pão, um tato de dedos, uma sombra de cavalo.
Depois compre cadernos de solfejo e uma casaca, e por favor não cante pelo nariz e deixe Schumann em paz.
CORTÁZAR, Júlio. Instruções para cantar. In: Histórias de
Cronópios e de famas. São Paulo: Editora Civilização Brasileira, 1994, p. 16‑17 (com adaptações).
Texto para o item.
Com base na leitura do texto, julgue o item a seguir.
No trecho “Comece por quebrar os espelhos de sua casa, deixe cair os braços, olhe vagamente a parede, esqueça”, as formas verbais “comece” e “esqueça” concordam com o sujeito “você”.
CCerto
EErrado
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GabaritoC — Certo
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Concordância verbal com sujeito oculto no imperativo
Gabarito: C (Certo). As formas verbais "comece" e "esqueça" estão no modo imperativo e concordam com o sujeito oculto (desinencial) "você", que não está explícito no trecho, mas é facilmente recuperável pela desinência verbal e pelo contexto de instrução. A assertiva está correta.
O comando pede um julgamento (Certo/Errado) sobre uma afirmação gramatical. Não se trata de interpretação de sentido, mas de análise sintática: identificar o sujeito das formas verbais e verificar a concordância. A resposta não depende de inferência, mas da aplicação direta da regra de concordância verbal.
No trecho, o autor dá instruções ao leitor, usando o imperativo (modo que expressa ordem, pedido, conselho). As formas "comece", "deixe", "olhe", "esqueça" estão todas na 3ª pessoa do singular do imperativo. Quando o verbo está no imperativo, o sujeito é sempre a pessoa a quem se dirige a ordem: "tu" ou "você". Como o texto usa "você" (implícito), o sujeito é oculto/elíptico/desinencial, pois é indicado pela desinência verbal "-e".
"Comece por quebrar os espelhos de sua casa, deixe cair os braços, olhe vagamente a parede, esqueça."
Aqui, "comece" e "esqueça" são verbos no imperativo afirmativo, 3ª pessoa do singular, concordando com o sujeito "você". A concordância verbal é a relação de dependência entre o verbo e seu sujeito: o verbo flexiona em número e pessoa para concordar com o núcleo do sujeito. No caso, o sujeito é simples e oculto, mas a concordância é obrigatória e correta.
A banca adora cobrar o sujeito oculto em frases com verbos no imperativo, pois muitos candidatos acham que, por não haver sujeito explícito, a oração é sem sujeito. Não é! Oração sem sujeito é aquela em que não há sujeito (fenômenos da natureza, verbo haver com sentido de existir, etc.). Aqui, há sujeito, apenas não está escrito.
PEGA ESSA DICA!
Para identificar o sujeito oculto, pergunte ao verbo: "quem?" — "Quem deve começar?" → "você". Se a resposta for uma pessoa do discurso (eu, tu, ele, nós, vós, eles), o sujeito é oculto/desinencial.
1Localizar o verbo
2Perguntar: quem?
3Resposta = pessoa do discurso
4Sujeito oculto/desinencial
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Item — ✅ CERTO
A afirmação está correta. As formas verbais "comece" e "esqueça" estão no imperativo, 3ª pessoa do singular, e concordam com o sujeito oculto "você". A concordância verbal está perfeita.
Conclusão: A assertiva é verdadeira, pois o sujeito das formas verbais é o pronome "você", que, embora não esteja explícito, é o sujeito oculto (desinencial) do período. Portanto, Gabarito: C (Certo).