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Questão de Português — Conjunção — Quadrix 2025

PortuguêsConjunção
Código
qa676427
Banca
Quadrix
Órgão
CRMV PA
Ano
2025
Cargo
Ag Fisc ( )

Instruções para cantar


Comece por quebrar os espelhos de sua casa, deixe cair os braços, olhe vagamente a parede, esqueça. Cante uma nota só, escute por dentro. Se ouvir (mas isto acontecerá muito depois) algo como uma paisagem afundada no medo, com fogueiras entre as pedras, com silhuetas seminuas de cócoras, acho que estará bem encaminhado, e do mesmo modo se ouvir um rio por onde descem barcos pintados de amarelo e preto, se ouvir um gosto de pão, um tato de dedos, uma sombra de cavalo.


Depois compre cadernos de solfejo e uma casaca, e por favor não cante pelo nariz e deixe Schumann em paz.

 

CORTÁZAR, Júlio. Instruções para cantar. In: Histórias de

Cronópios e de famas. São Paulo: Editora Civilização Brasileira, 1994, p. 16‑17 (com adaptações).

Texto para o item.

 

Com base na leitura do texto, julgue o item a seguir.

 

A palavra “depois”, no início do segundo parágrafo, é uma conjunção de valor atemporal, como em “Depois que eu passar no concurso, vou comemorar”.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A palavra "depois" no texto: advérbio, não conjunção

Gabarito: E (Errado). A assertiva está incorreta porque, no texto de Cortázar, "depois" é um advérbio de tempo — indica o momento em que se deve realizar a próxima ação — e não uma conjunção. A conjunção só ocorre na locução "depois que", como no exemplo dado pela banca, que não aparece no texto. A passagem que comprova isso é o início do segundo parágrafo:

"Depois compre cadernos de solfejo e uma casaca..."

Aqui, "depois" liga o segundo parágrafo ao primeiro apenas semanticamente (sequência temporal), mas não conecta duas orações sintaticamente; ele funciona como adjunto adverbial de tempo, podendo ser deslocado ou substituído por "em seguida", "posteriormente".

O comando: julgar a classificação morfológica

A questão pede que você julgue (certo/errado) uma afirmação sobre a classe gramatical de "depois" no texto. Isso é uma questão de morfologia aplicada ao contexto: você precisa identificar se a palavra, naquele uso específico, é conjunção ou advérbio. Não basta saber a definição teórica; é preciso observar a função sintática que ela exerce na frase.

O texto: instruções em sequência

O texto "Instruções para cantar" é um texto injuntivo (dá ordens/instruções). No primeiro parágrafo, o autor dá uma série de comandos: "quebre os espelhos", "deixe cair os braços", "olhe vagamente a parede", "esqueça", "cante uma nota só". No segundo parágrafo, ele inicia com "Depois compre cadernos de solfejo...".

A palavra "depois" aqui não liga orações — ela apenas indica que a ação de comprar cadernos deve ocorrer após as ações anteriores. Se você retirar "depois", a frase continua gramatical: "Compre cadernos de solfejo e uma casaca". Isso prova que ela não é um conectivo obrigatório, mas um adjunto adverbial de tempo.

A técnica: advérbio × conjunção

A distinção fundamental:

  • Advérbio: modifica o verbo, o adjetivo ou outro advérbio, indicando circunstância (tempo, modo, lugar etc.). É um termo acessório da oração — pode ser retirado sem prejuízo sintático.

  • Conjunção: liga orações ou termos de mesma função, estabelecendo relação de coordenação ou subordinação. É um conectivo — sua presença é estrutural.

No texto, "depois" modifica o verbo "compre", indicando quando comprar. Ele não introduz uma oração subordinada. Compare com o exemplo da banca:

"Depois que eu passar no concurso, vou comemorar."

Aqui, "depois que" é uma locução conjuntiva temporal — introduz a oração subordinada "eu passar no concurso", que depende da principal "vou comemorar". A conjunção é a palavra "que", e "depois" faz parte da locução. No texto, não há "que" após "depois"; logo, não há locução conjuntiva.

1Classe: advérbio de tempo
Modifica o verbo "compre"
Adjunto adverbial
Pode ser retirado sem prejuízo
2Não é conjunção
Não liga orações
Não há "que" após "depois"
3"Depois que" (locução conjuntiva)
Introduz oração subordinada
Valor temporal (futuro)
"Depois" no texto
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"Depois" no texto: Classe: advérbio de tempo (Modifica o verbo "compre", Adjunto adverbial, Pode ser retirado sem prejuízo); Não é conjunção (Não liga orações, Não há "que" após "depois"); "Depois que" (locução conjuntiva) (Introduz oração subordinada, Valor temporal (futuro))

Análise da assertiva

A assertiva afirma que "depois" é "uma conjunção de valor atemporal". Há dois erros:

  1. Não é conjunção — é advérbio de tempo.

  2. Não tem valor atemporal — tem valor temporal (sequência: depois = após).

O exemplo dado pela banca, "Depois que eu passar no concurso", usa "depois que" como locução conjuntiva temporal (indica tempo futuro), não atemporal. Portanto, a assertiva está errada em ambos os pontos.

Conclusão

A palavra "depois" no texto é um advérbio de tempo, funcionando como adjunto adverbial. A banca tentou confundir com a locução conjuntiva "depois que", que não ocorre no texto. Gabarito: E (Errado).

PEGA ESSA DICA!

Para distinguir advérbio de conjunção, pergunte: "essa palavra liga duas orações?" Se sim, é conjunção; se apenas modifica o verbo, é advérbio. E desconfie de "valor atemporal" — tempo é tempo, não atemporalidade.

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