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Questão de Português — Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática) — FURB 2025

PortuguêsOutras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)
Código
qa676633
Banca
FURB
Órgão
Pref Blumenau
Ano
2025
Cargo
Prof ( )

Como o equilíbrio nutricional influencia nossas emoções?

 

O que colocamos no prato tem impacto direto sobre nosso bem-estar. Entenda como a falta de nutrientes pode gerar ansiedade, irritação e o que fazer para recuperar a harmonia entre corpo e mente

 

Mariana Suzuki

 

Acordar cansado mesmo depois de uma boa noite de sono, sentir irritação sem motivo aparente ou perceber que a concentração simplesmente desapareceu no meio do dia. Talvez a resposta esteja no que você colocou no prato. Descobrir como o equilíbrio nutricional influencia no emocional mostra que a alimentação vai muito além da saciedade: ela impacta diretamente o humor, a disposição e a clareza mental. Pequenas escolhas − o que comer, como comer e até em que ritmo − podem transformar a maneira como sentimos e encaramos cada momento do dia.

 

O corpo e a mente em desequilíbrio

 

Quando a alimentação está desregulada, o emocional também sofre. "Quando o corpo não recebe os nutrientes de que precisa, entra em 'modo de economia', afetando diretamente a produção de energia e de substâncias relacionadas ao bem-estar, como serotonina e dopamina. O resultado é mais irritabilidade, cansaço e dificuldade de concentração", explica Brenda Arita, nutricionista da Fundação Conecta ABA.

 

Segundo a psicóloga clínica Eliana Gonçalves, da INSELF Neuropsicologia Avançada, é comum que carências nutricionais intensifiquem sintomas de ansiedade, irritabilidade ou tristeza. "A deficiência desses nutrientes pode levar à diminuição na produção de serotonina e dopamina, resultando em mau humor, tristeza, ansiedade e irritabilidade."

 

Entre os nutrientes essenciais estão vitaminas do complexo B, ômega-3, magnésio, zinco e aminoácidos provenientes das proteínas, como o triptofano, que participam da produção de serotonina, o chamado "hormônio do bem-estar", segundo Brenda.

 

A nutricionista também ressalta a importância do intestino nesse equilíbrio entre corpo-mente. "O intestino e o cérebro se comunicam constantemente por meio do chamado eixo intestino-cérebro. Mais de 90% da serotonina é produzida no intestino. Quando a microbiota intestinal está equilibrada, o emocional tende a estar mais estável. Por outro lado, o desequilíbrio intestinal − causado por estresse ou alimentação pobre em fibras − pode gerar sintomas como ansiedade, irritabilidade e digestão difícil."

 

(Disponível em: https://vidasimples.co/saude-do-corpo/como-o-equilibrio-nutricional-influ encia-nossas-emocoes/. Acesso em: 21 out. 2025. Adaptado.)

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

   

A respeito da introdução do texto, analise as sentenças:

 

I.A introdução é encabeçada por uma enumeração de fatos articulados entre si por meio da coordenação de orações.

 

II. No primeiro período da introdução, a conjunção ou não exerce exatamente a relação de alternância, como se o sintoma do desequilíbrio nutricional fosse um ou outro dos elencados, mas podendo ocorrer mais de um ao mesmo tempo. É possível inferir isso a partir da mobilização de conhecimentos prévios do leitor em seu processo de interpretação, assim como pela construção, na sequência textual, do período "ela impacta diretamente o humor, a disposição e a clareza mental".

 

III.O trecho "Talvez a resposta esteja no que você colocou no prato" tem a função de problematizar os sintomas indicados no início do parágrafo e delimitar o enfoque temático, que está relacionado à alimentação.

 

Dessa forma, a autora direciona o texto para aquilo se propõe a discutir.

 

É correto o que se afirma em:

  1. AIII, apenas.
  2. BII e III, apenas.
  3. CI, apenas.
  4. DI, II e III.
  5. EI e II, apenas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — I, II e III.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise da Introdução: Coordenação, Alternância e Delimitação Temática

Gabarito: letra D. As três sentenças estão corretas: a introdução abre com uma enumeração de sintomas articulados por coordenação (I); o "ou" do primeiro período não marca alternância excludente, pois os sintomas podem ocorrer simultaneamente, como confirma o trecho "ela impacta diretamente o humor, a disposição e a clareza mental" (II); e o trecho "Talvez a resposta esteja no que você colocou no prato" problematiza os sintomas e delimita o tema da alimentação (III). A resposta está ancorada na leitura atenta do primeiro parágrafo do texto.

O comando pede uma análise das sentenças sobre a introdução do texto — ou seja, exige compreensão (o que está escrito) combinada com inferência (o que se deduz legitimamente das pistas textuais). Não se trata de gramática isolada, mas de interpretação de texto aplicada à estrutura do parágrafo inicial. Para resolver, é preciso ler o primeiro parágrafo com atenção e testar cada afirmação contra o que ele efetivamente diz.

O primeiro parágrafo apresenta três sintomas (acordar cansado, sentir irritação, perder a concentração) e, em seguida, levanta a hipótese de que a resposta esteja na alimentação. A tese do texto — de que a alimentação impacta o emocional — já aparece delineada no trecho final do parágrafo: "ela impacta diretamente o humor, a disposição e a clareza mental". Esse movimento de problematizar sintomas e apontar uma causa provável é o que a sentença III descreve com precisão.

A técnica central aqui é distinguir coordenação de orações (relação de independência sintática entre orações ligadas por conjunção) da alternância excludente (ou um, ou outro). No primeiro período, o "ou" liga três orações coordenadas alternativas, mas o sentido não é de exclusão — os sintomas podem coexistir. A prova está na sequência textual, que lista os impactos de forma cumulativa ("humor, a disposição e a clareza mental"), e no conhecimento de mundo do leitor, que sabe que cansaço, irritação e falta de concentração frequentemente aparecem juntos. A banca explora exatamente essa diferença entre a forma gramatical (alternância) e o efeito de sentido (simultaneidade possível).

NÃO CAIA NESSA!

A banca arma a sentença II para o candidato apressado, que vê o "ou" e conclui que há alternância excludente. A chave é perceber que a conjunção não exerce exatamente a relação de alternância — o texto autoriza a leitura de que os sintomas podem ocorrer ao mesmo tempo, como confirma a enumeração cumulativa do período seguinte.

Item I — ✅ Correto

A sentença I afirma que a introdução é encabeçada por uma enumeração de fatos articulados por coordenação de orações. Confira o trecho:

"Acordar cansado mesmo depois de uma boa noite de sono, sentir irritação sem motivo aparente ou perceber que a concentração simplesmente desapareceu no meio do dia."

As três orações — "acordar cansado", "sentir irritação", "perceber que a concentração desapareceu" — são coordenadas entre si, ligadas pelas conjunções "e" (implícita antes de "sentir") e "ou". Nenhuma delas depende sintaticamente da outra; todas têm o mesmo status na enumeração. A afirmação está correta.

Item II — ✅ Correto

A sentença II afirma que o "ou" não exerce exatamente a relação de alternância, pois os sintomas podem ocorrer simultaneamente. O texto confirma:

"ela impacta diretamente o humor, a disposição e a clareza mental"

A conjunção "e" (aditiva) na sequência textual mostra que os efeitos são cumulativos, não excludentes. Se o autor quisesse marcar exclusão, usaria "ou" também na segunda lista. Além disso, a sentença II menciona a mobilização de conhecimentos prévios do leitor — e isso é legítimo: a inferência se apoia na pista textual (a enumeração aditiva) e no saber compartilhado de que cansaço, irritação e falta de concentração costumam andar juntos. A afirmação está correta.

Item III — ✅ Correto

A sentença III afirma que o trecho "Talvez a resposta esteja no que você colocou no prato" problematiza os sintomas e delimita o enfoque temático. O texto confirma:

"Talvez a resposta esteja no que você colocou no prato. Descobrir como o equilíbrio nutricional influencia no emocional mostra que a alimentação vai muito além da saciedade"

O advérbio "talvez" marca a hipótese — é isso que "problematizar" significa: levantar uma questão, não afirmar categoricamente. E a expressão "no que você colocou no prato" aponta diretamente para o tema central do texto (a alimentação), delimitando o enfoque. A afirmação está correta.

Conclusão: os três itens são verdadeiros, portanto a alternativa que os reúne é a letra D. A lição desta questão: ao analisar a introdução, observe como o autor problematiza (levanta hipóteses) e delimita (aponta o tema) — e desconfie de leituras automáticas de conectivos como o "ou", que nem sempre marcam exclusão.

Gabarito: letra D

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