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Questão de Português — Vocábulo "Como" — FUNDATEC 2025

PortuguêsVocábulo "Como"
Código
qa677514
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Imbé
Ano
2025
Cargo
AFRM ( )

Recessão de relacionamentos

Por Mário Corso

 

O título acima provém de um artigo da revista The Economist (The relationship recession). Ele aborda o declínio global de relacionamentos românticos estáveis. Esta tendência remodela a sociedade, o padrão de consumo e, portanto, a economia.

 

Os motivos apontados são dificuldades financeiras e mudanças de prioridade. Os jovens preferem apostar na formação e na carreira, ou mesmo na busca de mais e melhores experiências amorosas, adiando casamento e filhos para um depois que nem sempre vem.

 

São parte da equação os aplicativos de namoro, que criam a cultura da conexão descartável; na qual a abundância de oferta, contraintuitivamente, atrapalha o compromisso.

 

A situação é dramática no Japão e na Coreia do Sul. Nos EUA o número de adultos americanos sem relacionamento estável subiu, em uma década, de 29% para 38%. Lá, considerando adultos jovens (até 35 anos), 50% não têm relacionamentos estáveis. No Brasil, o número de solteiros ultrapassa o de casados desde 2012.

 

A revista aponta entre as causas desse fenômeno a cultura do individualismo, que valoriza a autossuficiência e a liberdade social acima dos compromissos da família tradicional. Nesse caso, eu acrescentaria que o individualismo existe não é de hoje, porém, nós entramos numa fase de hiperindividualismo.

 

Para o sujeito contemporâneo, como tudo que lhe é próprio tem demasiado valor, suas idiossincrasias são seu ser. As falhas deixam de ser imaturidade para se converterem em estilo. Alguém que venha a conviver com outro alguém teria que aturar suas manias, chatices, dificuldades sociais. Funciona como se esse indivíduo estivesse pronto e ninguém pudesse macular seu precioso ego. Quanto maior o ego, menor a plasticidade social.

 

Nessa combinação não existe soma, enxerga-se apenas a suposta subtração de si quando se está num relacionamento. Todavia, amores advêm de experiências contínuas de compreender as diferenças, respeitá-las, e de negociações em que um acrescenta ao outro e se transforma pelo convívio; sem necessariamente produzir o apagamento ou a submissão de qualquer um dos envolvidos. O amor sobrevive daquilo em que ambos vão se transformando juntos. Amar é tornar-se o fruto de um destino vivido a dois. Há premissa mais incompatível com o individualismo do que essa?

 

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/mario-corso/noticia/2025/11/recessao-derelacionamentos- cmhtir1vh008u013jx873msoe.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Leia o texto para responder à questão abaixo:

 

No trecho retirado do texto “Para o sujeito contemporâneo, como tudo que lhe é próprio tem demasiado valor, suas idiossincrasias são seu ser”, a palavra sublinhada introduz a ideia de ______ e poderia ser substituída corretamente por ____, desde que ______ alterações no período.

 

Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho acima.

  1. Acomparação – desde que – se façam
  2. Bcomparação – desde que – não se façam
  3. Ccausa – desde que – se façam
  4. Dcausa – uma vez que – não se façam
  5. Ecausa – uma vez que – se façam
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GabaritoD — causa – uma vez que – não se façam

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Vocábulo "como" — valor causal e substituição sem alteração de sentido

Gabarito: letra D. No trecho “Para o sujeito contemporâneo, como tudo que lhe é próprio tem demasiado valor, suas idiossincrasias são seu ser”, o vocábulo “como” introduz ideia de causa (equivale a “porque”, “já que”, “uma vez que”) e poderia ser substituído por “uma vez que”, sem que se façam alterações no período — exatamente o que afirma a alternativa D.

A questão testa dois conhecimentos: (1) o valor semântico da conjunção subordinativa “como” no contexto — aqui, causal, e não comparativo ou conformativo; e (2) a equivalência de sentido entre conectivos causais, que permite a troca sem alterar a estrutura sintática do período. Vamos provar cada ponto com o texto.

O comando: o que a banca pede

O enunciado pede que você preencha três lacunas: a ideia introduzida por “como”, o conectivo substituto e a condição dessa substituição (se faz ou não alterações no período). É uma questão de semântica do conectivo + reescritura sem mudança de sentido — não de interpretação global do texto. O foco está na relação lógica que a conjunção estabelece entre a oração que ela inicia e a oração principal.

O texto: onde mora a resposta

No trecho citado, a oração iniciada por “como” é: “como tudo que lhe é próprio tem demasiado valor”. Ela explica por que “suas idiossincrasias são seu ser”: é porque tudo que é próprio do sujeito tem demasiado valor que suas idiossincrasias (suas manias, peculiaridades) são consideradas seu ser. A relação é de causa e consequência: a causa é o excesso de valor atribuído ao que é próprio; a consequência é a identificação das idiossincrasias com o ser.

“Para o sujeito contemporâneo, como tudo que lhe é próprio tem demasiado valor, suas idiossincrasias são seu ser”

A conjunção “como” aqui não compara (não há dois elementos sendo comparados), nem indica conformidade (não há “de acordo com”). Ela introduz uma justificativa, um motivo — exatamente o valor causal. Esse uso é clássico: “como” = “porque”, “já que”, “uma vez que”, e normalmente aparece no início do período, como neste caso.

A técnica: como reconhecer o valor de “como” e testar a substituição

Para identificar o valor de “como”, pergunte: a oração que ele introduz explica o porquê do fato principal? Se sim, é causal. Se estabelece uma comparação entre dois termos, é comparativa. Se indica conformidade (“conforme”), é conformativa. No trecho, a oração “como tudo que lhe é próprio tem demasiado valor” responde a “por que suas idiossincrasias são seu ser?” — logo, causal.

Ao substituir, o conectivo deve preservar a relação de causa e não exigir mudança na estrutura do período. “Uma vez que” é locução conjuntiva causal e pode substituir “como” sem alterar a sintaxe: a oração subordinada continua anteposta à principal, com o verbo no mesmo modo e tempo. Já “desde que” é condicional (ou temporal), o que mudaria o sentido — por isso as alternativas que usam “desde que” estão erradas.

A condição “não se façam alterações” é correta porque a troca de “como” por “uma vez que” não exige nenhuma adaptação: ambos são conectivos subordinativos que introduzem oração adverbial anteposta, sem mudança de pontuação ou de forma verbal.

Análise das alternativas

"Como" no período
  • 1Valor causal
    • equivale a "porque", "já que", "uma vez que"
    • oração responde a "por quê?"
  • 2Substituição
    • "uma vez que" (causal) — sem alterações
    • "desde que" (condicional) — altera o sentido
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: classifica “como” como comparação e usa “desde que” como substituto, além de afirmar que se fariam alterações. No texto, “como” é causal, não comparativo. “Desde que” é condicional, o que alteraria o sentido. A alternativa extrapola o valor do conectivo e contradiz o texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: também classifica como comparação e usa “desde que”, mas diz que não se fariam alterações. Mesmo que a condição estivesse correta, o valor semântico está errado. A alternativa troca o conceito de “como” (causal por comparativo) e usa conectivo inadequado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: acerta ao dizer que “como” é causa, mas usa “desde que” como substituto e afirma que se fariam alterações. “Desde que” é condicional, não causal — a substituição alteraria o sentido. A alternativa restringe o valor de “como” e contradiz a relação de causa.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta: classifica “como” como causa, substitui por “uma vez que” (locução causal) e afirma que não se fazem alterações. A substituição é perfeita: ambos os conectivos introduzem oração subordinada adverbial causal, sem mudança de estrutura. A alternativa está inteiramente sustentada pelo texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: acerta na classificação (causa) e no substituto (“uma vez que”), mas erra ao afirmar que se fariam alterações. A troca não exige nenhuma alteração no período. A alternativa acrescenta uma condição desnecessária e contradiz a equivalência sintática.

Conclusão

A questão exige reconhecer o valor causal de “como” e a equivalência com “uma vez que”, sem alterações. A alternativa D é a única que combina corretamente os três elementos. Gabarito: letra D.

PEGA ESSA DICA!

Ao encontrar “como” no início de período, teste se a oração responde a “por quê?” — se sim, é causal. E desconfie de “desde que” como substituto: ele é condicional, não causal.

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