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Questão de Português — Pronomes Indefinidos — FUNDATEC 2025

PortuguêsPronomes Indefinidos
Código
qa677530
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Imbé
Ano
2025
Cargo
Elet ( )

O perigo do cigarro com aditivos

 

Por Dráuzio Varella

 

Lidar com vendedores de drogas ilícitas é tarefa complexa, pois enquanto houver dependentes químicos dispostos a qualquer sacrifício para comprá-las, existirão traficantes decididos a correr riscos para vendê-las.

 

O mesmo acontece no comércio das drogas lícitas. O caso dos vendedores de nicotina, droga causadora de uma das dependências mais avassaladoras, é semelhante. A diferença é que os primeiros ficam sujeitos à repressão policial e podem ir para as masmorras que chamamos de presídios, em nosso país, enquanto os outros podem andar de terno e gravata e fazer propaganda com liberalidade, para viciar jovens.

 

Quando fiz 17 anos, acendi o primeiro cigarro e caí nas garras dos fornecedores, dependência química que me subjugou por 19 anos, no ritmo de um maço por dia. Por ridículo que possa parecer, naquele tempo, começávamos a fumar sem saber sequer que isso fazia mal.

Éramos estúpidos? Talvez, mas a indústria tabaqueira é quem dava as cartas nos meios de comunicação de massa.

 

Pobre do jornal, da revista, da estação de rádio ou de TV que ousasse publicar ou levar ao ar uma notícia ou entrevista que explicasse a relação causal entre fumo, câncer, ataques cardíacos, AVCs e outras doenças graves. A insubordinação era punida com o corte imediato das verbas publicitárias.

 

A peso de ouro, as propagandas exibiam mulheres encantadoras em poses sensuais, jovens praticando esportes e homens na maturidade em iates ou cavalgando corcéis fogosos. As marcas eram associadas ao sucesso, à liberdade, à força física e à saúde. Com essa estratégia perversa, viciaram em nicotina milhões de crianças e adolescentes em nosso país. Cerca de 90% dos usuários tinham menos de 18 anos (proporção que se mantém até hoje). Não é à toa que a Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o tabagismo como doença pediátrica.

 

Em combinação com essas armadilhas, os fabricantes implantaram a estratégia de acrescentar aditivos ao fumo, para disfarçar o sabor aversivo da fumaça. Misturar ao fumo produtos químicos com gosto de chocolate, sorvete de creme, framboesa e outros sabores ao gosto da criançada - além do mentol para trazer sensação de frescor à garganta irritada pela fumaça - é crueldade inominável.

 

Em 2012, com base numa infinidade de evidências científicas, a Anvisa proibiu o uso de saborizantes nos produtos de tabaco. Desde então, a aplicação dessa norma da agência tem sido adiada por conta de ações judiciais movidas pela indústria do fumo e seus asseclas. Atualmente, mais de 40 delas tramitam na Justiça, numa demonstração clara da participação dos fabricantes.

 

Duvido que haja uma só leitora ou leitor da coluna de hoje que aprove um crime desses, cometido contra nossas crianças e nossos jovens com a única finalidade de torná-los dependentes químicos de uma droga legalizada que lhes trará sofrimentos pelo resto da vida e morte precoce. Os estudos mostram que o cigarro encurta, em média, em 10 anos a vida de uma mulher, e em 12 a de um homem. Em 37 anos de convívio com usuários de crack nas cadeias de São Paulo, aprendi que é mais difícil largar do cigarro do que do crack.

 

A indústria do fumo comete crimes continuados contra a saúde pública há pelo menos um século. Caberá aos ministros do Supremo decidir se vão dar cobertura a mais este. 

 

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/drauzio-varella/noticia/2025/11/0-perigo-do-cigarro-com-aditivos-cmi927a21011g01jpeny1hic9.html

- texto adaptado especialmente para esta prova).

Leia o texto para responder a questão abaixo.

 

Assinale a alternativa que classifica corretamente o pronome sublinhado no trecho a seguir, retirado do texto.

 

“enquanto houver dependentes químicos dispostos a qualquer sacrifício”.

 

  1. APossessivo.
  2. BIndefinido.
  3. CRelativo.
  4. DPessoal.
  5. EDemonstrativo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Indefinido.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Classificação do pronome "qualquer" no trecho

Gabarito: letra B. O pronome sublinhado "qualquer" é classificado como indefinido, pois se refere a um substantivo de forma vaga e genérica, sem precisar qual dependente químico. No trecho, "qualquer sacrifício" indica um sacrifício indefinido, não específico. A classificação se confirma pela definição de pronome indefinido: aquele que se refere à 3ª pessoa do discurso de modo impreciso.

O comando da questão

A questão pede a classificação morfológica do pronome sublinhado. Isso é uma tarefa de conceito — não de interpretação de texto. Você precisa saber identificar a classe do pronome e, para isso, deve analisar o sentido que ele traz no contexto. Não basta decorar listas; é preciso entender a função: o pronome indefinido generaliza, o possessivo indica posse, o relativo retoma um antecedente, o pessoal indica pessoa do discurso e o demonstrativo situa no espaço/tempo/texto.

O trecho e a análise

"enquanto houver dependentes químicos dispostos a qualquer sacrifício"

A palavra "qualquer" acompanha o substantivo "sacrifício" e transmite a ideia de indefinição: não se fala de um sacrifício específico, mas de qualquer um, de forma genérica. Isso é exatamente o que faz um pronome indefinido. Veja a definição clássica: pronomes indefinidos referem-se à 3ª pessoa do discurso de forma vaga, imprecisa ou genérica. "Qualquer" é um dos pronomes indefinidos invariáveis (não varia em gênero e número, exceto em "quaisquer").

A técnica para não errar

Ao classificar um pronome, pergunte: qual é a função no contexto?

  • Se indica posse → possessivo (meu, teu, seu, nosso).

  • Se retoma um termo anterior e liga orações → relativo (que, o qual, cujo, onde).

  • Se indica pessoa do discurso (eu, tu, ele) → pessoal.

  • Se situa algo no espaço, tempo ou texto → demonstrativo (este, esse, aquele).

  • Se generaliza ou torna vago → indefinido (algum, nenhum, todo, qualquer, alguém, nada).

No trecho, "qualquer" não indica posse, não retoma nada, não é pessoa do discurso e não situa nada. Ele generaliza o sacrifício. Portanto, é indefinido.

Análise das alternativas

1Possessivo
meu, teu, seu, nosso
indica posse
2Indefinido
algum, nenhum, todo, qualquer
generaliza / torna vago
3Relativo
que, o qual, cujo, onde
retoma antecedente e liga orações
4Pessoal
eu, tu, ele, me, te, se
indica pessoa do discurso
5Demonstrativo
este, esse, aquele, isto
situa no espaço, tempo ou texto
Pronomes
LEVELsoulevel.com.br
Pronomes: Possessivo (meu, teu, seu, nosso, indica posse); Indefinido (algum, nenhum, todo, qualquer, generaliza / torna vago); Relativo (que, o qual, cujo, onde, retoma antecedente e liga orações); Pessoal (eu, tu, ele, me, te, se, indica pessoa do discurso); Demonstrativo (este, esse, aquele, isto, situa no espaço, tempo ou texto)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Possessivo. Os possessivos (meu, tua, seu, nosso) indicam relação de posse. "Qualquer" não expressa posse alguma. A banca pode tentar confundir porque "qualquer" pode aparecer em expressões como "a qualquer hora", mas isso não muda a classe. Erro: troca de conceito — confundiu indefinido com possessivo.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Indefinido. Como visto, "qualquer" generaliza o substantivo "sacrifício", tornando-o vago. É um pronome indefinido invariável. A definição se aplica perfeitamente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Relativo. Pronomes relativos (que, o qual, cujo, onde) retomam um antecedente e introduzem oração subordinada adjetiva. "Qualquer" não retoma nada e não liga orações. Erro: troca de conceito — confundiu com o relativo "que", que é comum em questões.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Pessoal. Pronomes pessoais (eu, tu, ele, me, te, se) indicam as pessoas do discurso. "Qualquer" não se refere a uma pessoa específica, mas a algo genérico. Erro: troca de conceito — confundiu com pronome pessoal.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Demonstrativo. Pronomes demonstrativos (este, esse, aquele, isto, isso, aquilo) situam o ser no espaço, tempo ou texto. "Qualquer" não situa nada; apenas generaliza. Erro: troca de conceito — confundiu com demonstrativo.

Conclusão

A questão é direta: basta reconhecer que "qualquer" é um pronome indefinido clássico. A pegadinha está em confundir com outras classes, mas a função de generalizar é decisiva. Lembre-se: pronome indefinido = vago, genérico. Gabarito: letra B.

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