Questão de Português — Geral — INSTITUTO AOCP 2025
- Código
- qa678865
- Banca
- INSTITUTO AOCP
- Órgão
- IF PB
- Ano
- 2025
- Cargo
- Adm ( )
Por que o trema foi abolido da língua portuguesa?
Por padronização: o Brasil era o único país lusófono
que ainda usava esse sinal, abandonado em Portugal
em 1945. Ele era útil, porém. E a saudade permanece.
Bruno Vaiano
Por padronização,(a) de maneira muito resumida.
Portugal abandonou esse sinal diacrítico em 1945 e ele não aparecia com frequência nos textos de nenhum país lusófono – com exceção do Brasil, é claro.
Com o acordo ortográfico mais recente, ratificado em 2008, a maioria se impôs e ficamos sem “lingüiça”, “seqüestro” e “cinqüenta”. Era mais fácil nós pararmos de usar o “ü” do que os outros países se acostumarem a usá-lo.
Antes de mais nada, vale explicar o trema para os mais novos, alfabetizados após a abolição do dito-cujo.
Esse sinal avisava que o falante deveria pronunciar a letra “u” depois de um “q” ou “g”. Portanto, “agüentar”, “pingüim” e “tranqüilo” carregavam um casal de pontinhos em cima do “u”, mas “queijo”, “caiaque” e “enfoque”, não.
Pode parecer uma minúcia, mas o trema era útil na hora de ler uma palavra que você nunca havia ouvido ninguém pronunciar.(b) Por exemplo: o correto é dizer “quinquênio” com as duas letras “u”, algo que todo mundo saberia caso esse palavrão exótico ainda fosse escrito “qüinqüênio”, como era regra no Brasil até 2008.
O trema se tornou obrigatório aqui em Pindorama no chamado Formulário Ortográfico de 1943.(c) Ou seja: nós abraçamos esse sinal diacrítico apenas dois anos antes de Portugal abandoná-lo para todo o sempre.
Faltou comunicação transatlântica (na época, claro, o mundo estava passando pela 2ª Guerra, Brasil e Portugal eram ditaduras e os países africanos lusófonos ainda eram colônias).
Na época, muitos linguistas brasileiros ficaram insatisfeitos com a abolição do trema (e com vários outros aspectos do acordo mais recente), argumentando que os pontinhos eram perfeitamente úteis e que sua ausência dificulta a leitura.
O gramático Gladstone Chaves de Melo, morto em 2001, já considerava a abolição(d) do trema um “absurdo” desde muito antes do acordo entrar em vigor, já que as mudanças já estavam pautadas desde 1990.
Edmílson Monteiro Lopes, da Universidade Federal do Ceará (UFCE), escreveu: “Queiram ou não os mentores da inoportuna reforma, o trema é útil, necessário para a pronúncia e conservação de grande número de palavras. Sem ele, com o tempo, muitas se deformariam.”
Para Lúcia Fulgêncio e Mário A. Perini, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), “A eliminação do trema representa um afastamento entre a escrita e a fala; não gera dificuldades para a escrita, mas sim para a pronúncia. (…) Temos que concluir que a ortografia de 1971 é superior à de 2009 neste particular”.
Eles admitem que o sinal é desnecessário para quem já sabe pronunciar as palavras. Mas explicam que, “Aqui, o inconveniente afeta mais os estrangeiros, que não conhecem a pronúncia, e os falantes do português apenas quando se trata de uma palavra desconhecida, ou uma daquelas que a gente só conhece pela escrita.”
Ou seja: se você sente saudade do trema, você não está sozinho.(e) Em nome da padronização internacional, o Brasil ficou sem seus pontinhos de estimação.
Disponível em: https://super.abril.com.br/historia/por-que-o-trema-
foi-abolido-da-lingua-portugue-sa/. Acesso em: 15 out. 2025.
- AO termo “padronização”, no parágrafo, pode ser substituído por “sugestão”, sem prejuízo de sentido ao texto.
- BEm “Pode parecer uma minúcia, mas o trema era útil na hora de ler uma palavra que você nunca havia ouvido ninguém pronunciar.”, o conectivo em destaque tem o mesmo sentido de “contudo”.
- CNo excerto “O trema se tornou obrigatório aqui em Pindorama no chamado Formulário Ortográfico de 1943.”, o termo em destaque é sinônimo de “incentivado”.
- DO vocábulo “abolição”, presente no parágrafo do texto, é considerado antônimo de “revogação”.
- ENo trecho “Ou seja: se você sente saudade do trema, você não está sozinho.”, a expressão destacada indica consentimento.