Questão de Redação Oficial — Geral — Quadrix 2025
- Código
- qa696322
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- CREMAM
- Ano
- 2025
- Cargo
- Ag Fisc ( )
O verão de 2015 foi particularmente dramático para a saúde pública no Brasil: o Aedes aegypti, que, há alguns verões, inquietava como transmissor da dengue, passou a se associar a duas outras patologias, então relativamente desconhecidas do público e dos cientistas: zika e chikungunya. Se, inicialmente, esta provocou apreensão pelos graves efeitos decorrentes do ataque às articulações, que podem estender‑se por alguns meses e até anos, aquela, uma virose branda que pode até incidir sem sintomas, logo assumiu a cena por se comprovar implicada em malformações congênitas. Em razão disso, a zika passou a representar ameaça particular a mulheres grávidas, acionando uma série de representações e discursos ligados a papéis de gênero e direitos reprodutivos.
A calamidade sanitária acompanhou a instabilidade política do País e uma crise econômica que repercutiram na capacidade das agências de saúde pública de responder ao desafio da tríplice epidemia. A declaração de guerra ao mosquito, em um enquadramento beligerante reforçado pela mídia impressa e online, além de enfocar ações paliativas, individualizou o fardo da prevenção nas mulheres, propagando o medo e as incertezas relacionadas à microcefalia.
Historicamente, o A. aegypti é bastante associado à febre amarela, doença que remete às epidemias urbanas do início do século XX e às campanhas sanitárias de grandes proporções destinadas a exterminá‑lo em diferentes amplitudes geográficas – de bairros, cidades e regiões a nações e continentes.
No imaginário social mais recente, esse mosquito vincula‑se à dengue, que se estabeleceu no território brasileiro como ameaça permanente a partir de surto ocorrido no Rio de Janeiro, em 1986. Nas últimas décadas do século XX, a dengue irrompeu em epidemias frequentes e de grande intensidade, praticamente reatualizando a máxima que corria entre os cariocas no início do século XX – “ano de mangas, ano de febre amarela” –, a qual antecipava o temor de surto epidêmico em verões cálidos. Se, em razão disso, o A. aegypti passou a ser o “mosquito da dengue” e depois veículo de outras duas doenças, do final de 2016 até meados de 2017, tornou a despontar como ameaça da antiga patologia que o celebrizou, visto que a ocorrência de surtos de febre amarela silvestre em vários pontos do território brasileiro trouxe a possibilidade de ela se reinstalar nas cabeças urbanas do País e reeditar as fatais epidemias da segunda metade do século XIX e da primeira metade do século XX.
Internet: <www.redalyc.org> (com adaptações).
- Aresumo, em forma de conclusão, da demanda pessoal e reforço da importância de resposta ou ação por parte do governo.
- Bdivisão do texto em parágrafos curtos e numerados, quando houver necessidade de se referir a pontos específicos.
- Cemprego de linguagem mais próxima da do destinatário, com vocabulário erudito e construções gramaticais complexas, para facilitar a comunicação entre pessoas de mesmo nível instrucional.
- Dencaminhamento interno à instituição dessa correspondência oficial para dar a conhecer a situação dessas mulheres ao governo federal.
- Eencaminhamento, ao Senado, do ofício com conteúdo de proposta de projeto de lei ordinária ou complementar que beneficia genitoras e pessoas nascidas com a síndrome congênita provocada pelo vírus.