Questão de Banco de Dados — Modelo Entidade-Relacionamento (MER) — INSTITUTO AOCP 2025
- Código
- qa699010
- Banca
- INSTITUTO AOCP
- Órgão
- TRE TO
- Ano
- 2025
- Cargo
- TJ
- AEntidades fracas.
- BCardinalidade.
- CGeneralização.
- DAtributos multivalorados.
- EAgregação.
GabaritoB — Cardinalidade.
Gabarito: letra B. A cardinalidade é o conceito do DER que determina o número de instâncias de uma entidade que podem se associar a instâncias de outra entidade em um relacionamento — é ela que define se o vínculo é 1:1, 1:N ou N:M. As demais alternativas tratam de outros elementos do modelo (entidades fracas, generalização, atributos multivalorados e agregação), que não respondem à pergunta.
A cardinalidade é um dos conceitos centrais do Modelo Entidade-Relacionamento (MER), criado por Peter Chen em 1976. Ela expressa, para cada entidade participante de um relacionamento, quantas ocorrências (instâncias) podem estar associadas a uma ocorrência da outra entidade. Em outras palavras, responde a perguntas como: "um cliente pode ter quantos pedidos?" ou "um pedido pertence a quantos clientes?". Essa informação é fundamental para o projeto do banco de dados, pois influencia diretamente a forma como as tabelas serão criadas no modelo relacional — por exemplo, em um relacionamento 1:N, a chave estrangeira deve ficar no lado N.
A cardinalidade pode ser classificada de duas formas complementares: a cardinalidade máxima (1 ou N) e a cardinalidade mínima (0 ou 1), que dá origem às restrições de participação total (mínimo 1) ou parcial (mínimo 0). Os tipos mais comuns são:
1:1 (um para um): cada instância de A associa-se a no máximo uma instância de B, e vice-versa.
1:N (um para muitos): cada instância de A associa-se a várias instâncias de B, mas cada instância de B associa-se a apenas uma de A.
N:M (muitos para muitos): cada instância de A associa-se a várias de B, e cada instância de B associa-se a várias de A.
Para fixar, veja um exemplo prático: na relação entre CLIENTE e PEDIDO, se um cliente pode fazer vários pedidos, mas cada pedido pertence a um único cliente, a cardinalidade é 1:N. Já na relação entre ALUNO e DISCIPLINA, em que um aluno cursa várias disciplinas e cada disciplina tem vários alunos, a cardinalidade é N:M — o que, no modelo relacional, exige uma tabela associativa.
A banca explora justamente a confusão entre cardinalidade e outros conceitos do DER. Entidades fracas, generalização, atributos multivalorados e agregação são elementos distintos, e cada um tem um papel específico na modelagem. O critério decisivo para esta questão é: o conceito que quantifica as associações entre instâncias é a cardinalidade — guarde essa fronteira, pois é nela que as alternativas se dividem.
Conceito | O que define | Pergunta que responde |
|---|---|---|
Cardinalidade | Número de instâncias de uma entidade associadas a instâncias de outra em um relacionamento | "Quantos?" (1:1, 1:N, N:M) |
Entidade fraca | Dependência de existência de outra entidade (forte) | "Existe sem a outra?" |
Generalização | Hierarquia entre entidades com características comuns | "É um tipo de?" |
Atributo multivalorado | Atributo que pode ter múltiplos valores para uma instância | "Tem vários valores?" |
Agregação | Relacionamento tratado como entidade para participar de outros relacionamentos | "Pode se relacionar com outro?" |
Entidades fracas são entidades cuja existência depende de outra entidade (a entidade forte). Elas não possuem chave primária própria e são identificadas pela combinação da chave da entidade forte com um discriminador. Esse conceito trata da dependência de existência, não do número de associações entre instâncias — portanto, não responde à pergunta.
A cardinalidade é exatamente o conceito que determina o número de instâncias de uma entidade que podem se associar a instâncias de outra entidade em um relacionamento. Ela define os limites mínimo e máximo de ocorrências, expressos como 1:1, 1:N ou N:M. É o elemento do DER que quantifica os vínculos entre entidades.
Generalização é o processo de abstração que une entidades com características comuns em uma entidade de nível mais alto (superclasse). Por exemplo, FUNCIONÁRIO e CLIENTE podem ser generalizados em PESSOA. Esse conceito trata de hierarquias de tipos, não da quantidade de associações entre instâncias.
Atributos multivalorados são atributos que podem ter mais de um valor para uma mesma instância de entidade. Por exemplo, o atributo TELEFONE de uma entidade PESSOA pode armazenar vários números. Esse conceito diz respeito a propriedades de uma entidade, não ao número de associações entre entidades em um relacionamento.
Agregação é um recurso do DER que trata um relacionamento como se fosse uma entidade, permitindo que ele participe de outros relacionamentos. Por exemplo, o relacionamento EMPRÉSTIMO entre CLIENTE e LIVRO pode ser agregado para se relacionar com BIBLIOTECA. Esse conceito trata da abstração de relacionamentos, não da quantificação de associações.
A banca mistura conceitos do DER que parecem semelhantes, mas têm funções distintas. A pegadinha aqui é confundir cardinalidade (quantidade de associações) com entidade fraca (dependência de existência) ou com agregação (tratar relacionamento como entidade). Para não cair, lembre-se: cardinalidade responde "quantos", enquanto os outros conceitos respondem "como" ou "quando".
Na hora da prova, leia a pergunta e identifique a palavra-chave: se ela fala em "número de instâncias" ou "quantas ocorrências", a resposta é cardinalidade. Se falar em "dependência de existência", é entidade fraca; se falar em "hierarquia", é generalização/especialização; se falar em "vários valores para um atributo", é multivalorado; se falar em "relacionamento tratado como entidade", é agregação.
Gabarito: letra B.
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