Questão de Segurança da Informação — Blockchain e Smart Contracts (Contratos Inteligentes) — INSTITUTO AOCP 2025
Segurança da Informação›Blockchain e Smart Contracts (Contratos Inteligentes)
Código
qa700904
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
TRE TO
Ano
2025
Cargo
TJ
No TRE-TO, um técnico está projetando um sistema baseado em blockchain para executar smart contracts que registrarão e validarão os resultados parciais das urnas eletrônicas durante as eleições. Para garantir que todos os nós da rede distribuída, espalhados pelas zonas eleitorais, cheguem a um acordo sobre o estado das transações, mesmo em caso de falhas de nós ou tentativas de manipulação, entre os seguintes mecanismos, o mais adequado para um ambiente com alta latência e necessidade de tolerância a falhas é
Aa assinatura digital múltipla com validação centralizada.
Bo protocolo SMTP.
Ca criptografia de curva elíptica para autenticação de nós.
Da prova de trabalho (Proof of Work) com mineração intensiva.
Eo algoritmo de consenso Practical Byzantine Fault Tolerance (PBFT).
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GabaritoE — o algoritmo de consenso Practical Byzantine Fault Tolerance (PBFT).
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Algoritmos de consenso em blockchain: PBFT × Proof of Work
Gabarito: letra E. O algoritmo de consenso Practical Byzantine Fault Tolerance (PBFT) é o mais adequado para um ambiente com alta latência e necessidade de tolerância a falhas, pois foi projetado para sistemas distribuídos que precisam chegar a um acordo mesmo com nós defeituosos ou maliciosos, sem depender de mineração intensiva (como o Proof of Work). A questão cobra exatamente a distinção entre os mecanismos de consenso e suas aplicações.
O enunciado descreve um cenário típico de blockchain permissionada (ou privada), onde os nós são conhecidos e a confiança é estabelecida por outros meios, não pela competição de mineração. Nesse contexto, o PBFT se destaca por sua eficiência e capacidade de tolerar falhas bizantinas — ou seja, nós que podem se comportar de forma arbitrária, inclusive tentando manipular o sistema. Vamos entender por que cada alternativa é ou não adequada.
O que é consenso em blockchain?
Consenso é o mecanismo pelo qual os nós de uma rede distribuída concordam sobre o estado das transações, mesmo na presença de falhas ou comportamentos maliciosos. Em blockchains públicas, como Bitcoin e Ethereum, o consenso é alcançado por meio de algoritmos como Proof of Work (PoW), que exigem grande poder computacional. Já em blockchains privadas ou permissionadas, onde os participantes são conhecidos e autorizados, algoritmos como PBFT são mais eficientes, pois não dependem de mineração intensiva e conseguem finalizar transações rapidamente.
O que é PBFT?
O PBFT é um algoritmo de consenso que tolera falhas bizantinas, ou seja, falhas em que um nó pode se comportar de forma arbitrária (enviar mensagens contraditórias, mentir, etc.). Ele foi proposto por Miguel Castro e Barbara Liskov em 1999 e é amplamente utilizado em sistemas distribuídos que exigem alta disponibilidade e integridade. O PBFT funciona em rodadas, onde um nó primário propõe uma ordem para as transações e os demais nós validam e trocam mensagens até chegar a um acordo. Ele é eficiente em redes com alta latência, pois não requer a resolução de problemas computacionais complexos, apenas a troca de mensagens entre os nós.
Por que PBFT é mais adequado que PoW neste cenário?
O enunciado menciona "alta latência" e "tolerância a falhas". O PoW, embora seja tolerante a falhas bizantinas, exige mineração intensiva, o que é inviável em um ambiente com alta latência, pois cada bloco demora um tempo considerável para ser minerado. Além disso, o PoW consome muita energia e é mais adequado para redes públicas, onde a confiança é estabelecida pela competição. O PBFT, por outro lado, é projetado para redes permissionadas, onde os nós são conhecidos e a comunicação é mais rápida, mesmo com latência. Ele tolera até um terço de nós defeituosos ou maliciosos, o que é suficiente para garantir a integridade do sistema.
Distinção entre os mecanismos
Critério
PBFT
Proof of Work (PoW)
Tipo de rede
Permissionada (nós conhecidos)
Pública (nós anônimos)
Consenso
Troca de mensagens entre nós
Competição por mineração
Tolerância a falhas
Até 1/3 dos nós bizantinos
Até 50% do poder computacional
Latência
Baixa (finalização rápida)
Alta (blocos demorados)
Consumo de energia
Baixo
Alto
Aplicação típica
Blockchains privadas, sistemas financeiros
Criptomoedas (Bitcoin, Ethereum)
A pegadinha da banca
A banca explora a confusão entre os mecanismos de consenso e outras tecnologias de segurança. O candidato pode ser tentado a escolher a alternativa D (Proof of Work) por ser o mecanismo mais conhecido, mas o enunciado deixa claro que o ambiente tem alta latência e necessidade de tolerância a falhas, o que favorece o PBFT. Além disso, as alternativas A, B e C são distratores que não se relacionam diretamente com consenso em blockchain.
Consenso em blockchain
1Redes permissionadas
PBFT
tolera até 1/3 de nós bizantinos
baixa latência
troca de mensagens
2Redes públicas
Proof of Work
mineração intensiva
alta latência
alto consumo de energia
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A assinatura digital múltipla com validação centralizada não é um mecanismo de consenso distribuído. Ela envolve a necessidade de múltiplas assinaturas para autorizar uma transação, mas a validação centralizada contradiz o princípio de descentralização do blockchain. Além disso, não resolve o problema de concordância entre os nós sobre o estado das transações.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O protocolo SMTP (Simple Mail Transfer Protocol) é utilizado para envio de e-mails, não para consenso em blockchain. Ele não oferece tolerância a falhas nem mecanismos de validação distribuída. É um distrator claro, pois não tem relação com o contexto da questão.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A criptografia de curva elíptica (ECC) é um algoritmo de criptografia assimétrica usado para autenticação e assinaturas digitais, mas não é um mecanismo de consenso. Ela pode ser usada em conjunto com o PBFT para autenticar os nós, mas sozinha não garante o acordo sobre o estado das transações.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O Proof of Work (PoW) é um mecanismo de consenso que exige mineração intensiva, o que é inadequado para um ambiente com alta latência. Ele é projetado para redes públicas, onde a confiança é estabelecida pela competição computacional, mas não é eficiente em redes permissionadas com necessidade de finalização rápida. Além disso, o consumo de energia é alto, o que não é desejável em um sistema eleitoral.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O PBFT é o algoritmo de consenso mais adequado para o cenário descrito. Ele foi projetado para tolerar falhas bizantinas, ou seja, nós que podem se comportar de forma maliciosa ou defeituosa, e é eficiente em redes com alta latência, pois não depende de mineração intensiva. Em um sistema de votação eletrônica, onde a integridade e a disponibilidade são críticas, o PBFT garante que todos os nós cheguem a um acordo sobre o estado das transações, mesmo na presença de falhas.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta induzir o candidato a escolher o Proof of Work (alternativa D) por ser o mecanismo de consenso mais famoso, mas o enunciado menciona "alta latência" e "tolerância a falhas", características que favorecem o PBFT. Além disso, as alternativas A, B e C são distratores que não se relacionam com consenso em blockchain. Fique atento ao contexto: em redes permissionadas, o PBFT é a escolha natural.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre consenso em blockchain, identifique o tipo de rede (pública ou permissionada) e as exigências de latência e tolerância a falhas. Se a rede é permissionada e exige finalização rápida, o PBFT é a resposta. Se é pública e exige descentralização total, o PoW ou PoS são mais adequados. Memorize a tabela comparativa acima para acertar esse tipo de questão.