Acerca da estrutura linguística e do vocabulário empregados no texto, julgue o item.Caso fosse empregada a forma verbal tem no lugar da forma verbal “há” (linha 19), a correção gramatical do texto seria mantida, mas essa alteração conferiria mais formalidade ao trecho.
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GabaritoE — Errado
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Substituição de “há” por “tem”: concordância, sentido e formalidade
Gabarito: E (Errado). A afirmação está incorreta porque a substituição de “há” por “tem” não manteria a correção gramatical — o verbo “ter”, com sentido existencial, é pessoal e deveria flexionar-se no plural para concordar com o termo que funciona como sujeito, o que não ocorreria na forma singular “tem”. Além disso, a troca não conferiria mais formalidade: na norma culta, “há” (do verbo haver, impessoal) é a forma preferida para expressar existência; “tem” é típico da linguagem coloquial. A passagem que sustenta o veredito está na linha 19 do texto, onde se lê “há” com valor existencial.
O comando: o que a banca pede
A questão é de julgamento (Certo/Errado) sobre uma reescritura — a banca propõe trocar a forma verbal “há” por “tem” e afirma duas coisas: (1) que a correção gramatical seria mantida e (2) que a alteração conferiria mais formalidade. Para julgar, você precisa testar cada uma das duas afirmações contra a norma culta e contra o texto. Basta uma delas ser falsa para o item inteiro ser Errado.
O texto: onde mora a resposta
O texto-base traz, na linha 19, a forma “há” empregada com sentido de existir — típico do verbo haver impessoal. Veja o trecho:
“...há [algo]...” (linha 19)
Nesse contexto, “há” equivale a “existe/existem” e não possui sujeito: o termo que o segue é objeto direto. Essa é a chave da questão.
A técnica: a regra que decide
1. Verbo “haver” com sentido de existir é impessoal.
Quando o verbo “haver” significa “existir”, ele não tem sujeito e fica sempre na 3ª pessoa do singular:
“Há muitas pessoas na sala.” (correto)
“Havia problemas sérios.” (correto)
O termo “muitas pessoas” e “problemas” são objetos diretos, não sujeitos.
2. Verbo “ter” com sentido existencial é pessoal.
Na norma culta, o verbo “ter” não é usado com sentido de existir — esse uso é coloquial. Quando aparece, flexiona-se para concordar com o sujeito:
“Tem muitas pessoas na sala.” (coloquial; o correto seria “há”)
“Têm muitas pessoas na sala.” (se admitíssemos o uso, o sujeito seria “muitas pessoas”, exigindo o plural)
3. Formalidade: “há” é mais formal que “tem”.
Na hierarquia de formalidade, “há” (verbo haver) é a forma preferida na norma culta escrita; “tem” é marca de oralidade/coloquialidade. Portanto, a troca diminuiria a formalidade, não a aumentaria.
Conclusão parcial: a substituição quebraria a concordância (pois “tem” singular não concordaria com o objeto que viraria sujeito) e reduziria a formalidade. Logo, a afirmação é duplamente falsa.
Análise do item
“Há” (haver) × “tem” (ter): Sentido existencial (“Há” — impessoal, sempre singular, “Tem” — pessoal, exige concordância); Formalidade (“Há” — norma culta, mais formal, “Tem” — coloquial, menos formal); Efeito da troca (Quebra a concordância, Reduz a formalidade)
Item — ❌ Errado ⟵ GABARITO
A afirmativa diz que “a correção gramatical do texto seria mantida, mas essa alteração conferiria mais formalidade ao trecho”.
Erro 1 — correção gramatical: ao trocar “há” por “tem”, o verbo “ter” passaria a exigir concordância com o termo seguinte, que no texto é objeto direto de “haver”. Na reescrita, esse termo se tornaria sujeito, e o verbo deveria ir para o plural (ex.: “têm”). Como a forma proposta é “tem” (singular), haveria erro de concordância verbal.
Erro 2 — formalidade: “há” é a forma mais formal e recomendada pela norma culta para expressar existência. “Tem” é coloquial. Portanto, a troca reduziria a formalidade, contrariando a afirmação.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a falsa ideia de que “tem” é mais “chique” ou formal. Na verdade, o verbo haver é o mais formal e o único impessoal nesse contexto. Desconfie sempre de afirmações que invertem a hierarquia de formalidade.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de reescrita, teste cada efeito separadamente: (1) a concordância está mantida? (2) o sentido está mantido? (3) o nível de formalidade está mantido? Se qualquer um falhar, o item é Errado.
Fechamento: a regra de ouro é: “há” (haver) = impessoal, singular, formal; “tem” (ter) = pessoal, coloquial, exige concordância. A substituição proposta viola a concordância e reduz a formalidade — por isso, o item é Errado.